Capítulo 61

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Ela sabia que o machucara. Dizer que a criança deveria mesmo não ter nascido impactou o duque, mas era a verdade que precisava ser falada. Aiden era como Lady Agatha, duas pessoas gentis que foram criadas em um mundo de perfeição que só existia para as pessoas da sociedade britânica. E eram as pessoas como eles que engravidavam as pessoas como elas com crianças que não podiam sobreviver.

Elizabeth teve dois filhos legítimos. Ela poderia aguentar qualquer coisa. Suportaria ser a amante de um homem. Viver à margem da sociedade, invisível. Ela já não era mesmo vista. Suportaria que ele se casasse com outra. Que ele tivesse que se deitar com outra. Que ele engravidasse outra. Mas ela não estava preparada para gerar um bastardo.

E foi por aquele motivo que o mundo quase perfeito que ela idealizou, ruiu. Quando aceitou ser amante de Aiden, ela se permitiu sonhar. A ideia era boa e ela seria feliz. Mas aquela consequência ela não queria suportar. Ela não podia.

— Mas você se prevenia, não? — Gretha perguntou, oferecendo um chá para que ela bebesse. Já era o dia seguinte, mas Elizabeth ainda não podia levantar da cama. Ela tivera novos sangramentos de madrugada e estava muito fraca. Geoffrey havia saído cedo para encomendar o tônico que fora recomendado pelo doutor.

— Sim, Gretha. Eu tomava todas as precauções possíveis. Inclusive aqueles chás horríveis que só serviram para me tirar o paladar.

— A senhora deveria ter contado ao Sr. Hodges. Se vocês se casassem, a criança não nasceria bastarda.

Loretta entrou no quarto com o desjejum de Elizabeth. As duas cozinheiras gostavam dela, e era recíproco. Tinham desenvolvido um bom relacionamento durante o período em Thanet Bay. Ela sentiria falta das duas.

— O filho não era do Hodges, sua tonta.

— Ora, mas não era ele que cortejava a senhora... — Gretha se interrompeu e colocou a mão na frente da boca. O que não foi dito acabou sendo compreendido e nenhuma das três mulheres completou a frase não terminada.

Não havia segredo entre os criados. Todos sabiam que Elizabeth era amante do duque. E não era como se eles estivessem escondendo o relacionamento de forma muito eficiente.

As duas cozinheiras saíram no instante em que o duque apareceu. Ele tinha olheiras e a camisa estava por fora da calça. Ou não dormira a noite, ou não tivera ajuda para se vestir. Elizabeth estava sentada, comendo ovos, presunto e torradas. Ela quis parecer menos desarrumada para ele, mas não podia nem mesmo se levantar para ajeitar o cabelo.

— Como você está? — Ele se sentou novamente ao lado dela.

— Vou me recuperar. Não sou a primeira mulher que passa por isso, nem serei a última.

— Gostaria de movê-la para um quarto no andar superior. — Ele tomou os talheres da mão dela e cortou fatias de presunto. Depois, colocou sobre a torrada e ofereceu para que ela comesse. — Uma cama mais confortável, até que possa viajar de carruagem novamente.

— Esse quarto está ótimo.

Aiden passou as mãos pelos cabelos dela e colocou algumas mechas por trás das orelhas. Ajeitou o colarinho da camisola que ela vestia e acariciou-a nas bochechas. Ela também sentiria falta daquele toque. Porque, depois do que aconteceu no dia anterior, Elizabeth teria que repensar suas decisões.

— Assim que o doutor Davies te liberar, vou levá-la para Londres. Oglethorpe possui um dos melhores hotéis na região do Piccadilly e eu tenho uma suíte reservada no último andar.

Elizabeth levou a mão até a face de Aiden. Ela passou a noite toda pensando e sabia que qualquer decisão que tomasse a faria sofrer. Mesmo assim, decidiu não mais chorar.

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora