Capítulo 57

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O duque esperou por Elizabeth, mas ela não apareceu. Sabendo que não deveria continuar sendo tão indiscreto em relação a Elizabeth, tentou não procurá-la pela casa à noite. Deu atenção aos seus convidados, mas só conseguia pensar em tê-la nos braços novamente. A frustração quando a manhã chegou sem que ela o tivesse visitado foi grande o suficiente para fazer com que ele deixasse o quarto irritado.

Claro que ela não iria até ele. Com um filho se recuperando de um acidente e tantos escândalos pela casa, Elizabeth não seria imprudente. Ela nunca era.

Mas saber disso não aplacava a irritação de Aiden. Precisava socar alguma coisa, bater em alguém, quebrar uma parede. Vestiu-se precariamente e foi até o galpão dos fundos. Para sua sorte, Edward estava lá. O conde treinava esgrima e parou ao ver o amigo.

— Você está péssimo.

Edward apontou para as olheiras que Aiden exibia. Passara a noite em claro sem conseguir acalmar o desejo que fazia seu corpo desconfortável.

— Tive uma noite ruim. Está disposto para um desafio?

— Eu estou, mas não lutarei novamente com você enquanto estiver tão desfocado. — O conde jogou um rolo de ataduras para cima do duque, que deixou o objeto cair. — Vamos socar alguma coisa, assim essa ansiedade diminui.

— Não estou ansioso.

Aiden mentiu. Enfaixou as mãos para não se ferir com o saco de areia, enquanto o amigo fazia o mesmo. Depois, desabotoou a camisa e a pendurou em um cabide.

— A Sra. Collingworth saiu. — Edward disse, segurando o saco de areia para que Aiden pudesse socá-lo. — Acordei cedo e fui até a cozinha incomodar as criadas. Ela estava vestida e de saída com Granger. Os dois meninos dela são crianças muito bonitas.

— Ela levou os filhos? — Aiden desferiu alguns socos e sentiu uma fisgada no pulso. Cansaço. Mas ele submeteria seu corpo à exaustão absoluta para livrar-se daquele sentimento que o impelia a ficar com Elizabeth em seus braços por um dia inteiro.

— Sim, saíram todos de carruagem. Acho que ouvi dizerem que iam comprar provisões.

— Vou levá-la para Hampshire.

— É uma boa ideia. Vai ter uma casa para ela em Londres, também?

O conde empurrou o duque para o lado e trocou de posição com ele.

— Eu quero que ela esteja onde eu estiver. — Aiden confessou enquanto ajudava o amigo a treinar. — Não é assim que as coisas são com as amantes, certo? Estou fazendo alguma coisa errada, não estou?

— Amantes não são esposas, Aiden. Você está satisfeito com os arranjos que fez com a Sra. Collingworth? Ela está? Acha mesmo que isso vai dar certo?

— Eu cuidarei dela, ela terá o luxo de uma princesa, os filhos estudarão em boas escolas. Em troca, eu a terei em minha cama. Por que raios não estaríamos satisfeitos?

Edward deu um soco mais forte e Aiden cambaleou para trás.

— Porque você não está sendo você mesmo desde que se conheceram. Nunca te vi passar a noite sem dormir e treinar tão desatento. Todo mundo está percebendo que tem algo errado, Aiden. Por que não resolve isso e casa logo com essa mulher?

O segundo soco fez com que Aiden caísse sentado no chão. Ele não saberia dizer se o que o nocauteou foi a força do golpe de Edward no saco de areia ouse foram suas palavras.

Ele já tinha cogitado casar com Elizabeth. Claro que tinha. O desejo que sentia por ela era tanto que, para tê-la, ele faria a proposta. Mas ela o aceitou como protetor, então a loucura de desposar uma plebeia sem origem não precisava ser levada a cabo.

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora