Capítulo 55

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Davies era um bom médico e Elizabeth não tinha motivos para não acreditar nele. Se ele dissera que seu filho estava bem, então não havia nada a temer. Pouco antes do doutor chegar, Patrick acordou assustado. Estava agitado e precisou da mãe para ser contido. O médico o examinou e encontrou um concussão apenas, nada grave. Pediu repouso, muito líquido e compressa para a dor.

A situação fez com que Elizabeth precisasse considerar algumas coisas. Desde o momento em que segurou o corpo inerte de seu filho, ela se culpou. Se estivesse em casa para protegê-lo, aquilo não teria acontecido. Patrick teria ido até ela. Ele se sentiria seguro com ela. E ela explicaria para ele que a duquesa era uma mulher amarga e cruel. Que ele não deveria se sentir diminuído pelo que ela falasse.

Mas Elizabeth passou a vida trabalhando e estando ausente. Tinha que estar ausente ou não levava comida para casa. Os filhos ficavam mais tempo com estranhos do que com ela. Aquilo tinha que acabar.

Ela não toleraria mais uma vida de ausências. De faltas. De não ter o que comer, ou de precisar se submeter aos trabalhos mais degradantes.

Isso dava a ela duas opções. Casava-se com Hodges e se tornava dona de casa, novamente, ou se entregava ao duque e sua proposta indecente.

Era como se não houvesse opção. Por mais digno que James Hodges fosse, ela não sentia nada por ele além de respeito e admiração. Um homem de certa instrução, devotado a seu filho. Ela poderia tê-lo como marido, mas se sentira impura se pensasse no duque toda vez que se deitasse com Hodges.

Ser amante de alguém nunca passou por sua cabeça. Por não achar que seria sequer considerada por um nobre endinheirado ou por não aceitar tamanha humilhação. Mas, seria mesmo tão humilhante assim ser cuidada por um homem que ela amava? Ludibriar as rígidas exigências de uma sociedade impiedosa, para viver ao lado do homem por quem seu coração clamava, parecia mais uma forma de rebeldia do que uma vergonha.

Os nobres estavam descansando antes da soirée e exigindo pouco de sua atenção. Elizabeth lavava roupas pessoais quando ele chegou. Ela tinha passado o tempo quase todo ao lado da cama de Patrick e se afastou apenas porque ele dormia tranquilo. O duque tinha tomado banho, se barbeado e vestia roupas limpas e engomadas. A calça bege ficava justa em suas coxas musculosas e ela não deveria estar olhando para os quadris dele enquanto seu filho dormia depois de um grave acidente.

— Como ele está?

Aiden parecia saber que a lavanderia conferia privacidade suficiente. Nenhum nobre ou convidado iria ali. Os criados eram todos de confiança.

— Vai ficar bem. O doutor disse que foi uma pancada forte, mas crianças se recuperam rápido.

— Minha mãe pagará por ter sido tão cruel. — Ele a tocou no ombro, mas Elizabeth não estava bem para ser tocada. Ela se afastou sutilmente. — Se a senhora preferir não mais ficar na mesma casa que ela, eu posso conseguir que trabalhe para o Conde de Cornwall. Edward não vai negar-me esse pedido e assim a senhora não precisará lidar com a duquesa novamente.

Elizabeth virou-se e o encarou. Ele dizia que arrumaria para ela um emprego em outro lugar apenas para que não se sentisse mal. Se ela não o conhecesse, pensaria que Aiden pretendia livrar-se dela. Mas Elizabeth entendeu suas intenções ao olhar em seus olhos. Havia dor e agonia no escuro que a engolia. A expressão rígida do duque entregava a contradição dentro dele.

— Eu não me importo com a duquesa. Ela pode ser uma mulher cruel mas quem deveria estar aqui para proteger meu filho era eu. São sete anos de privações em que Patrick não pode ter a mãe em tempo integral. Estou cansada, Alteza, exausta.

Ela explodiu e largou a roupa que estava segurando, baixando os braços na lateral do corpo. Seu coração batia rapidamente.

— Não é culpa sua.

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora