Capítulo 53

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Quando Elizabeth viu o duque se aproximando, ela não conseguira notar toda a mobilização na casa. As mulheres estavam reunidas no jardim e observavam, sem compreender bem, os homens se organizando em grupos. A conversa se dava de ouvido em ouvido e, se ela estivesse consciente do que estava acontecendo, saberia que a afofoca não a pouparia. Não daquela vez.

Mas tudo que ocupava sua mente era Patrick. Ela ainda não sabia onde estava Peter, tudo tinha acontecido há minutos. O chá de Loretta não tinha produzido efeito ainda quando o duque segurou-a pelas mãos.

O movimento parou. Dava para ouvir um gota de orvalho tocar a relva. As criadas que as cercavam se afastaram e foram cuidar de outros afazeres. As mulheres no jardim se viraram. Aiden usava luvas, mas ele segurou a mão despida de Elizabeth entre as suas. A forma como ele fez aquilo era íntima demais. Um duque não deveria ter aquela intimidade com uma governanta.

— O que houve?

Ele perguntou, no instante em que Peter apareceu. O pequeno estava escondido na cozinha e se aproximou ao ver o duque.

— Eu não sei. Cheguei da vila e Reggie veio falar comigo. Eu preciso achá-lo, Aiden, eu tenho que... eu não posso...

— Acalme-se. — O duque esfregou os dedos dela. — Nós vamos encontrá-lo. Todos os homens vão procurá-lo e ele não deve ter ido longe. Provavelmente se aborreceu com alguma coisa.

— Foi a senhora elegante. — Peter murmurou por trás da saia da mãe. Aiden ajoelhou e indicou que o menino devia se aproximar. — Ela brigou com Patrick e ele ficou triste.

— Que senhora, Peter? — O duque segurou o menino pelos ombros. Peter parecia assustado. — Qual das damas brigou com seu irmão?

— A fada. — O pequeno murmurou. — Ela tem os cabelos prateados como uma fada, não tem?

A expressão estampada na face do duque indicava que ele sabia de quem Peter estava falando. Elizabeth também sabia. Não era novidade que a duquesa não gostava de crianças. Mas eles não esperavam que ela fosse ofender tanto um menino a ponto de fazê-lo fugir.

— O que ela disse para o Patrick? — Aiden insistiu.

— Ele estava na biblioteca procurando o gato. Ele foge muito, Alteza. Ela disse que ele tinha que ir embora. Que criados não podiam estar ali, que ele não era bem vindo na casa.

Elizabeth pegou Peter no colo. O filho mais novo era pequeno, mas muito esperto. Poucas coisas o incomodavam e ele jamais teria se afetado tanto com uma fala da duquesa. Já Patrick era muito sensível.

O duque se levantou e limpou a poeira dos joelhos.

— Vou trazer seu filho de volta.

— Eu também vou procurá-lo. Pegarei com o Sr. Hodges um cavalo e...

— Você não vai a lugar algum, Elizabeth. — O duque interrompeu-a. — É muito perigoso para uma mulher sair cavalgando por bosques.

— Aiden, é o meu filho. Eu vou sair atrás dele com ou sem sua autorização. Se quiser garantir minha segurança, leve-me com você.

Nenhum dos dois notou a informalidade do tratamento na frente dos criados. Menos ainda se preocuparam que alguém estivesse ouvindo. O duque fitou Elizabeth por alguns segundos. Eles estavam perdendo tempo.

— A senhora sabe montar?

— Eu monto com as pernas passadas pelo cavalo. Como você.

— Pelos céus! — Aiden pressionou as têmporas. — E como pretende fazer isso com esse vestido?

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora