Capítulo 52

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Claro que Elizabeth estava perdendo o juízo. Louca, talvez, como se a doença não lhe tivesse afetado os pulmões, mas a cabeça. Ainda assim, saiu sorrindo da casa do poço. Cada momento compartilhado com o duque fazia sua visão mais clara, o dia mais ensolarado e o cantar dos pássaros mais belo. A mesma realidade que a impedia de ser a nova duquesa também a fazia sorrir como as mocinhas tolas dos romances.

Ela não conseguiu enganar nenhum dos empregados, mas eles também não lhe perguntaram nada. Os filhos estavam acordados e sendo alimentados por Loretta, que adorava entupir os pequenos de pães e bolos logo nos primeiros minutos da manhã.

— Eles me ajudam provando a comida. — Era a desculpa que ela dava. Elizabeth sabia que a solteirona desenvolvera afeto pelos meninos e fazia aquilo porque queria cuidar deles. Depois de vestir uma roupa mais adequada à manhã de atividades da casa, a governanta foi coordenar a preparação do desjejum porque os homens sairiam para caçar.

— Não consigo entender o prazer em perseguir animais indefesos.

Ela resmungou enquanto conferia as louças que Gertie estava secando. As criadas estavam no salão principal. As cortinas de tecido bordado, estampadas com dourado, estavam abertas e havia muita luz solar penetrando pelas janelas.

— Mas eles não caçam animais! — Gertie respondeu a uma pergunta não feita. — A senhora não sabe? O duque é contra maltratar animais. A caçada é uma espécie de busca por um tesouro escondido. Os cães sentem o cheiro que os criados deixaram nas pistas e o prêmio final é sempre algo muito valioso.

— Por isso os nobres adoram a caçada dos Trowsdale!

Outra criada demonstrou animação. Elas começaram a falar sobre as vantagens de se trabalhar para a família, mesmo com a presença da duquesa na casa. Elogios ao duque e a Lady Agatha, elogios ao falecido Albert Trowsdale, elogios as eventos e festas que eles faziam e aos trabalhos comunitários que eles conduziam. Se Elizabeth já não estivesse apaixonada pelo duque, ela imaginaria que aquela conversa era um plano de Lady Agatha para mostrar a ela o quanto o irmão era um homem interessante.

Depois de supervisionar o salão e garantir que tudo estava perfeito, Elizabeth precisava ir à vila buscar algumas encomendas. Pediu que a carruagem dos empregados a levasse para não ficar muito tempo fora. Sua programação costumava ser impecável, ela nunca se atrasava ou deixava de cumprir o cronograma. Sem intercorrências, estaria de volta logo após os convidados terminarem a refeição e poderia, assim, organizar o salão de baile como desejava quando todos estivessem na caçada.

Mas, quando ela retornou para Thanet Bay, carregando caixas e mais caixas de ornamentos para decoração, percebeu uma agitação nos estábulos. O jovem Reggie estava nervoso e, assim que ela saiu da carruagem, veio correndo ao seu encontro. Sua expressão era de medo e o menino estava branco como cera de vela.

— Sra. Collingworth. Sra. Collingworth, o Patrick.

A menção do nome de seu filho fez com que ela quase derrubasse a caixa que carregava.

— O que tem o Patrick, Reggie?

— Ele pegou um cavalo e saiu, senhora. Tem poucos minutos, eu tentei impedir mas ele é muito rápido. Ia montar para ir atrás dele mas vi a senhora chegando.

Reggie estava agitado e atropelando a fala. James Hodges apareceu para intervir ao ver o filho transtornado.

— Como assim ele pegou um cavalo?

— O que houve para ele fazer isso, Reggie? — Hodges questionou. — Você fez algo com ele?

— Não. Ele saiu da casa, correndo. Estava chorando.

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora