Capítulo 50

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A noite trouxe um encontro de negócios que acalmou a irritação do duque. Ele tentou fingir que estava bem, porém demonstrou um comportamento desagradável durante quase todo o brunch. As mulheres o cercaram e insistiram em falar do clima em Thanet Bay, como se as estações do ano na propriedade acontecessem de uma forma diferente. Sua mãe o observava ao longe e demonstrava insatisfação por suas atitudes. Ao menos, ela tinha que aguentar as entediantes esposas dos nobres e negociantes que estavam na mansão.

O momento de interação masculina era tudo que ele precisava. Reunidos no escritório do duque, um amplo espaço com sofás, cadeiras, mesas e muito uísque, os homens discutiam sobre os investimentos nas regiões mais degradadas de Londres. Apostando nas exportações e no comércio marítimo, pretendiam reviver áreas em Shadwell e atrair pessoas de maior prestígio.

Quando o jantar foi servido, a governanta não estava presente. Aiden sabia que ela precisava ficar na cozinha para garantir o melhor serviço, mas isso não fazia com que ele se aborrecesse menos. Enquanto comia cada prato que era primorosamente servido e agradecia os elogios dos convidados pelo cardápio refinado, sua cabeça estava em outro lugar.

Elizabeth disse que ele deveria cortejá-la. Não, ela não disse, ela apenas o lembrou que aquela era a única forma de serem vistos em público. Ele precisava sondar o quanto aquilo afetaria a sua vida. E, como se suas preces pudessem ser ouvidas, a conversa na mesa seguiu em uma direção intrigante.

— Ouviram comentários sobre o casamento do herdeiro do Marquês de Westmore? — Lady Jocelyn, esposa do Conde de Fortshire, perguntou. Estavam servindo o quinto prato, costeletas de cordeiro com molho.

— Soube que ele foi obrigado pelo pai a se casar com a camareira da irmã mais nova. Ele comprometeu a mulher.

A reposta de Lady Sarah deixou os presentes em um silêncio de alguns segundos. Apenas os talheres tocando a louça podiam ser ouvidos. Aiden bebeu um longo gole do vinho tinto que estava à sua frente.

— É cruel arruinar a reputação de um jovem herdeiro assim. — Lady Jocelyn prosseguiu. — Posso apostar que a camareira aplicou um belo golpe no futuro Marquês. Será que ela era mesmo pura?

— Eles estão apaixonados. — O Visconde de Whitby disse. — Esses jovens tolos acham que o amor é o motivo para um casamento. Conversei com o Marquês e ele afirmou que Lorde Brandon quis se casar livremente. Pena que sua vida social estará acabada.

O Duque de Shaftesbury deixou a faca bater no prato e fez um barulho que chamou a atenção para si. Não era sua intenção. O burburinho causado pelo assunto cessou e os olhares sobre ele indicavam que era preciso dizer alguma coisa.

— Não sei o motivo de tanto alvoroço. O casamento deles foi abençoado por Deus, a honra da jovem foi preservada e eles se amam. Isso não é o suficiente?

— Ela é uma plebéia, Alteza. — Lady Madeline disse, um quase murmúrio.

— É uma jovem muito intrigante, porém ela não é adequada para o futuro marquês.

Depois que o Lorde Greenmore se manifestou e os criados chegaram para retirar os pratos e servir a primeira sobremesa, o assunto mudou. Mas, para Aiden, ele continuava ecoando em seus ouvidos. Ela não é adequada. A vida social dele está acabada. Aquele deveria ser o aviso que ele precisava sobre Elizabeth. Ele podia tê-la, podia amá-la, mas não podia casar-se com ela.

Lorde Brandon, o jovem futuro marquês de vinte e três anos, amigo de sua irmã Agatha, era um homem mais corajoso do que ele. Apaixonara-se por uma criada e arriscara sua vida inteira para viver aquele amor. Os homens da mesa o achavam tolo, Aiden o achava admirável.

Mas Aiden era menos inconsequente que um jovem sem responsabilidades. Até que Lorde Brandon tivesse que assumir o marquesado, muita coisa poderia acontecer. A sociedade poderia acostumar-se com sua esposa. Ou eles poderiam acostumar-se sem a sociedade. Aiden era um duque, seus compromissos com o parlamento e com a sociedade eram importantes. Ele não podia arriscar sua reputação.

Aquela constatação o abateu. Depois de ficar doente e quase morrer, de ferir-se com sua própria espada e de ser humilhado por seu melhor amigo, ele não esperava perder Elizabeth.

**********

O dia foi exaustivo, mas transcorreu com perfeição. Por volta de meia noite os convidados se recolheram, já que haveria uma caçada no dia seguinte. Os criados também foram dormir, mesmo que alguns não conseguissem ter um sono tranquilo. Nobres sempre chamavam, no meio da madrugada, com desejos estranhos. Elizabeth conferiu que seus filhos dormiam, que o gato estava preso no quarto com eles, e foi para quintal com seu romance.

Não havia mais luz pela casa. A lua brilhava alta no céu e as estrelas proporcionavam um lindo cenário para que ela pudesse avançar na leitura. Com uma vela pendurada na parede, Elizabeth acomodou-se na parte de trás da mansão. Ninguém ia ali além dos empregados.

Ela não conseguiu se concentrar. Seus olhos se perderam no horizonte, para além dos estábulos. Havia fumaça saindo das casas que ficavam nos arredores. Uma delas era de James Hodges, seu pretendente, e ela tinha ficado tão ocupada que não o vira naquele dia. Também não queria vê-lo. Depois do episódio na lavanderia, tudo que ela queria era Aiden Trowsdale.

Com tantas coisas para ocupá-la, ela esperava não pensar no duque a cada minuto. Mas estava enganada.

Cinco páginas depois, Elizabeth desistiu de ler. Olhou para cima e viu luz na janela do quarto do duque. A brisa causou-lhe calafrios. Se aquele trabalho não fosse tão importante para ela, a coisa certa a fazer seria ir embora no dia seguinte. Aquilo já tinha passado dos limites. Seus sentimentos por Aiden eram perigosos demais, ela acabaria com o coração partido.

— Essa iluminação não é adequada para uma boa leitura.

A voz fez com que ela se sobressaltasse e virasse para trás. A figura soturna de um homem vestindo calças cinza e camisa branca de linho entrou em seu campo de visão. Ele tinha os cabelos um pouco desalinhados, mas foi como esteve o dia inteiro. Aiden Trowsdale era lindo de toda forma que desejasse aparecer.

— Já estava me recolhendo.

Ela fechou o livro e se levantou. Os olhar dele observou cada movimento do seu corpo.

— Estou indo à casa do poço. — Ele disse, sem desprender os olhos dela por nenhum segundo.

— Está muito escuro por lá, Alteza. É perigoso.

— Não há perigo algum. Qualquer pessoa poderia ir até a casa se soubesse o caminho.

Ele não disse mais nada, apenas deu alguns passos e se afastou. Elizabeth ficou ali, segurando o livro na mão e em dúvida se aquilo era um convite ou uma ameaça. 

É UM CONVITE, ELIZABETH!

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É UM CONVITE, ELIZABETH!

É UM CONVITE, ELIZABETH!

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Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora