Capítulo 49

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Outras duas carruagens chegaram depois dos Westphallen, dos McFadden e da espalhafatosa Lady Eckley. O Sr. Hartwright, com a esposa, um filho jovem e uma filha pouca coisa mais velha do que Lady Agatha, e o Sr. Sawbridge. Os criados estavam muito ocupados em recolher chapéus, casacos, bengalas, sombrinhas, e em conduzir os convidados para o salão. Granger e Reggie, que foi convocado para auxiliar durante o final de semana, carregavam as malas para o andar de cima, de acordo com os quartos indicados.

Até mesmo Patrick estava com tarefas importantes. Ele precisava ajudar o cavalariço Hodges a cuidar do excedente de cavalos. Enquanto isso, a cozinha trabalhava em ritmo acelerado para dar conta da comida do brunch, do almoço e do jantar. Gretha trouxe duas primas suas para picar, cortar, limpar e lavar. Elas sempre eram contratadas por um período quando Thanet Bay estava cheia de convidados.

E Elizabeth estava ali. Assim como o mordomo John, a função dela era garantir que tudo funcionasse a contento. Se houvesse falhas no serviço, ela seria responsável. Se houvesse qualquer pequeno detalhe que não saísse de acordo com as mais altas regras de etiqueta, a culpa recairia sobre ela. Naquele final de semana ela provaria ser apta como governanta. Ou um completo fracasso.

A segunda opção pareceu mais provável quando ele entrou no salão. O Duque de Shaftesbury tinha o cabelo um pouco desalinhado, a corrente do seu relógio de bolso estava exposta demais e o lenço em seu pescoço precisava de ajustes. Mesmo assim, não houve uma pessoa dentre os presentes que não parou para vê-lo tão logo ele chegou.

A sua simples presença dispersava tanto poder que as damas suspiravam e os homens o respeitavam sem que ele precisasse dizer uma palavra. Acompanhado do Conde de Cornwall, ele tinha a expressão rígida e inamistosa, distante. Elizabeth não reconheceu imediatamente nele o homem com quem passou uma semana trancada, que a conduziu em uma dança e que fez amor com ela da forma mais terna. Ao mesmo tempo, ele era todo Aiden Trowsdale e sua imponência ducal.

— Céus, como ele é lindo.

Elizabeth ouviu uma dama dizer. Não virou para ver quem ousava admirar o seu homem, ela não conseguia desprender os olhos dele.

— Parece que ele está firmando compromisso com uma das filhas do visconde. Hoje, Vossa Graça é o melhor partido no mercado dos casamentos.

Ela não sabia de onde tinham saído tantas damas para admirar o duque, mas a conversa a incomodava. Ele não era um produto à venda em um mercado. O casamento dele não deveria ser uma decisão de negócios. Aiden merecia casar-se com a mulher que ele amasse. E, por Deus, como ela queria ser aquela mulher.

— Não sei. — A primeira dama, que disse achar o duque lindo, foi até a mesa para servir-se de ponche. — Ouvi fofocas de que ele tem uma amante aqui nessa casa. Na verdade, duas amantes. A mulher que ele arruinou durante a semana em que esteve doente e outra. O duque é um devasso incorrigível, tenho pena da mulher que ele desposar.

Não era saudável continuar ali ouvindo aquela conversa. Elizabeth examinou as mesas e os pratos ainda estavam cheios. Havia criados prontos para repô-los, bem como para servir chá. O ponche precisava ser trocado, essa foi a sua desculpa para esgueirar-se pelos cantos e desaparecer pela porta de acesso.

Seu coração batia acelerado. Retumbava como os trovões dos dias de chuva. Era como se uma tempestade estivesse acontecendo dentro dela. A simples visão de Aiden Trowsdale não podia desorientá-la daquela forma. Elizabeth era uma mulher experiente e madura, apesar da pouca idade. Ela não admitia que ele a afetasse tanto, cada vez mais. E isso depois que ele passou dias sem falar com ela, dias sem dirigir-lhe a palavra depois que fizeram amor. Ela deveria estar magoada com ele, não ainda mais apaixonada.

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora