Capítulo 48

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— Eu não me lembro de ter autorizado visitas ao meu escritório. — Aiden reclamou ao ver Edward McFadden passar pela porta. — Terei que demitir todos os criados, será que ninguém compreende uma ordem nessa casa?

O conde colocou as duas mãos nos quadris e encarou o amigo. O Duque de Shaftesbury estava sentado atrás de sua mesa, parcialmente escondido atrás de uma pilha de papéis. Havia uma grande bagunça entre os documentos e ele não parecia estar adequadamente vestido para receber cinquenta convidados na mansão.

Ele não estava. Desde que acordara se sentia incapaz de enfrentar um exército de damas casadoiras que estariam interessadas em ser a próxima duquesa. Também não queria - ele não podia enfrentar Elizabeth. Depois da noite em que fizeram amor ele fora quase um canalha, não a procurando e colocando os compromissos profissionais na frente dos sentimentos dela. Isso se ela tivesse algum sentimento para com ele, se o momento tivesse sido mais do que puramente carnal.

— O que diabos faz trancado aqui, Trowsdale?

— Trabalho. Os nossos investidores chegam em breve e eu preciso finalizar esses contratos.

Edward pegou os papéis e retirou da frente do duque. Colocou-os sobre uma escrivaninha e admirou a nova pilha por alguns segundos.

— Pronto, eles estão finalizados. Agora vamos, sua irmã está nervosa porque você ainda não apareceu para cumprimentar os convidados. E o brunch está uma delícia.

— As Westphallen já chegaram?

— Miles nunca perde um brunch.

Não, o visconde não perdia um brunch. Aiden sabia que as irmãs estavam ali e que sua mãe começaria a empurrar Madeline para ele.

— Mas tem outra coisa. — Edward prosseguiu. — Caroline apareceu. Segundo Agatha, ela não foi convidada.

— Isso nunca a impediu. — Aiden se levantou e ajeitou as roupas. A calça marrom era adequada para o dia, assim como o colete verde bordado. Ele não usava casaco. — Estou muito cansado para fazer isso, Edward. Não pensei que fosse ficar exausto de interações sociais tão cedo.

— Tem certeza que sua exaustão se deve as damas que perseguem um duque como marido ou às conversas pouco profundas tidas com os nobres que não adotaram nosso estilo de vida?

O conde tinha os braços cruzados no peito e continuava fitando o amigo com olhos que o examinavam de dentro para fora. Aiden detestava sentir-se escrutinado daquela forma, ele não gostava quando o conheciam tão bem quanto Edward. E quase ninguém o conhecia.

— O que quer dizer? Não estou bem para decifrar enigmas.

— A Sra. Collingworth é mesmo muito bonita.

Edward exibiu um sorriso que despertou no duque a vontade de arrancá-lo da face do amigo com um cruzado no queixo.

— Cuidado com a linha que pretende cruzar, Edward.

— Não pretendo cruzar linha alguma. Estou apenas constatando. Com tantas damas que conhecemos, você por acaso já viu alguma mais bonita que ela? É incrível acreditar que ela tenha dois filhos, seja viúva e tenta tanta experiência. — Enquanto o conde falava, Aiden dava passos lentos em sua direção. As mãos estavam fechadas em punhos e o olhar do duque indicava que ele pretendia matar alguém. — Eu creio que ela seja uma jóia rara que se perdeu no submundo londrino. Assim que cheguei eu a notei, ela não tem nada ordinário. Você não concorda comigo? Que a Sra. Collingworth possa ser a luz mais brilhante daquele salão?

Aiden sentiu sua respiração acelerada e foi quando percebeu que estava erguendo o punho para agarrar o amigo pelo colarinho. Ele se irritou ao ouvir Edward elogiar daquela forma a sua mulher. Até a noite em que fizeram amor ele tinha certeza que poderia superá-la ou se satisfazer com uma vez apenas. Só que ele estava errado.

— Edward. — O duque tinha os dentes cerrados e a voz saiu como um rosnado baixo. — Se você estiver pensando em se aproximar dela, por qualquer motivo, pense novamente.

O conde deu uma risada e colocou as duas mãos nos ombros de Aiden.

— Céus, homem, você está tenso como uma estaca de madeira! Eu não quero me aproximar de ninguém, eu apenas queria provocá-lo para que isso acontecesse. Você não consegue me enganar, Trowsdale.

Isso o que?

— Essa explosão. — Edward se afastou alguns passos e observou o duque, ainda em posição de ataque. — Você está pronto para me esganar apenas porque eu elogiei a sua governanta. Foi um elogio, Aiden.

— Você faltou com o respeito.

— Não faltei. Você a ama, não ama? Você se apaixonou em algum momento desde que ficaram confinados naquela estalagem e agora não sabe o que fazer, não é isso?

— Você está louco. — O duque se afastou e virou de costas para o amigo. Encarando a parede decorada com livros, ele ficou imaginando por um breve momento se Elizabeth já lera o romance que ele emprestou a ela. Não queria ter que pensar no que Edward lhe estava falando. Não podia pensar.

— Trowsdale, você já dormiu com ela? — O conde arriscou.

— Um cavalheiro não faz esse tipo de pergunta.

— Não sou um cavalheiro, sou seu amigo libertino. Somos devassos e adoramos ter muitas mulheres em nossas camas. Já compartilhamos amantes, Aiden. Você nunca se importou em comentar sobre uma mulher comigo. Diga, você já...

— Aconteceu na noite depois do seu baile. — Aiden virou-se novamente para Edward, sentindo sua cabeça doer tanto a ponto de pensar que ela poderia explodir. O conde foi até o bar e serviu duas doses do conhaque especial, o que eles bebiam quando o assunto era sério. Entregou uma dose ao amigo, que bebeu tudo em apenas um gole. — Maldição, não era isso que você e Agatha estavam tramando? Não tente fingir, eu sei que vocês convidaram Elizabeth para o jantar apenas para me provocar. Bem, a armação foi um sucesso. Depois que eu voltei para casa, doido para fugir de Caroline, ela estava me esperando.

O duque serviu-se de mais conhaque e encarou o líquido âmbar por segundos. Se ele ao menos pudesse ficar bêbado tempo o suficiente para não precisar lidar com aquele conflito naquele momento.

— E eu acabei sendo um patife com ela. Depois que dormimos juntos eu tive que ir à casa do Visconde de Whitby e desde então não nos falamos. Mas não tem um minuto dos malditos dias em que eu não pense nela, ou que não a sinta sob meus dedos. Em minha boca.

— Seu medo então é sair e enfrentar a sua governanta. Não tem nada a ver com o fosso cheio de tubarões que terá que atravessar.

Aquela era a constatação mais óbvia. O duque temia reencontrar Elizabeth em uma situação conflituosa como ter que cumprimentar, beijar a mão e sorrir para suas possíveis pretendentes. Primeiro, porque ele não as desejava. Não queria nenhuma delas. Segundo, porque ela provavelmente não ficaria satisfeita em vê-lo interagir com as mulheres que um dia seriam sua esposa.

Isso porque ele queria acreditar que ela poderia ter ciúmes dele. Como ele tinha dela. Um dos motivos que fez com que Aiden se afastasse, de forma covarde, foi não suportar vê-la, nem mesmo imaginá-la, com James Hodges. Aquele comportamento era patético.

— Eu sou o Duque de Shaftesbury. — Aiden bebeu a terceira dose de conhaque e apoiou o copo sobre a mesa. — Eu não tenho medo de nada. Vamos ao salão, tenho convidados a receber.

Se estivéssemos contando rounds, estaria 2x0 para o conde facinho! Aliás, eu acho que quase rolou um nocaute

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Se estivéssemos contando rounds, estaria 2x0 para o conde facinho! Aliás, eu acho que quase rolou um nocaute. 

Edward jogou na cara de Aiden que ele está apaixonado, mas ele não admitiu. Ainda. Mas que homem teimoso, hem?

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora