Capítulo 47

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Não era difícil evitar a duquesa viúva. Elizabeth tinha muitas tarefas e ainda tinha que cuidar dos filhos, cuidar do felino que ficava em seu quarto para evitar causar distúrbios, dar atenção a James Hodges, o homem interessado em cortejá-la. Isso tudo depois de ter passado alguns bons momentos na cama do duque, fazendo tudo que ela sabia ser pecado e sem nenhum remorso em pecar.

Faltavam apenas três dias para o grande evento em Thanet Bay e ela precisou contar com todos os empregados para que os preparativos dessem certo. Montou um cardápio impecável com as cozinheiras, solicitou que Granger fosse à vila para repor a dispensa e adquirir alguns itens necessários para os pratos que foram escolhidos, deu orientações às arrumadeiras para que ajustassem cada quarto de acordo com o convidado que fosse ocupá-lo.

Os quartos das mulheres teriam flores frescas todo dia e roupa de cama clara, em tons de rosa, amarelo e lilás. Os quartos dos homens seriam os de móveis mais escuros e papéis de parede com padrões mais agradáveis aos gostos masculinos. Os casais ficariam na ala esquerda, o mais longe possível do quarto da duquesa viúva. Seria conveniente para os maridos e suas esposas que os momentos de amor entre eles, caso acontecessem, não fossem chegar aos ouvidos sensíveis da mãe do Duque de Shaftesbury.

A casa inteira estava agitada pela proximidade do evento e o duque se manteve o máximo possível ocupado com negócios. Elizabeth sabia que ele precisava fechar alguns investimentos importantes e que aquele final de semana seria um marco para os seus projetos. Mesmo assim, sentiu falta de vê-lo, de conversar com ele, de estar com ele.

— Mamãe, o gato fugiu. — Peter apareceu na cozinha, enquanto ela escrevia a distribuição dos assentos durante os almoços e jantares. — Patrick deixa a porta aberta, ele não presta atenção.

— Certo, conversarei com Patrick sobre isso. — Ela chamou o filho e afagou sua cabeça. — Vá procurá-lo e tente não fazer muito barulho. Não queremos incomodar as pessoas.

O menino assentiu. Elizabeth pegou um pedaço de presunto e entregou ao filho, para que ele usasse o cheiro como isca para o bichano. Acabou preocupando-se com Patrick, que passava tempo demais nos estábulos com Reggie. O filho não estava fazendo as tarefas que ela mandava nem estudando. Tudo que fazia era cuidar de cavalos.

Naquele momento, Elizabeth considerou que precisava tomar uma decisão quanto a James Hodges. Se ela fosse aceitar se casar com ele, e aquela era a evolução natural do cortejo que ela tinha autorizado, ela não poderia ter dormido com Aiden. O que aconteceu entre ela e o duque não representava mais do que libertação carnal, porém ela se sentia muito imunda aceitando o cortejo de um homem enquanto se entregava ao pecado com outro.

Ela não queria pensar naquilo por enquanto. Sabia que tinha, preferia evitar. Os dias passaram atarefados e ela quase não interagiu com a família Trowsdale, mesmo que se sentisse observada todos os minutos. Apenas um episódio fez com que ela se constrangesse - quando Lady Agatha a inquiriu dois dias depois do baile.

— Elizabeth. — A jovem entrou no salão de chá enquanto a governanta inventariava as louças. — Conte-me sobre a noite em Greenwood Park.

— Não sei o que dizer, milady. — Ela continuou a tomar nota de todos os pratos, xícaras, bules e porcelanas enquanto conversava. — Mas gostaria de agradecer por ter me dado a oportunidade de recordar minha adolescência. Foi uma noite muito agradável.

— Quero saber sobre a senhora e meu irmão! — A lady falava baixo, demonstrando que não queria ser ouvida por ninguém além da sua interlocutora. — Vocês dançaram, ele estava fascinado pela senhora!

Sim, ele estava. Elizabeth se deixou perder por alguns segundos, relembrando o baile, a dança, os olhares. Depois a noite, a entrega, o prazer que compartilharam. E, então, ela não esteve mais com ele. Da mesma forma que sabia que o duque estava muito ocupado, ela não podia deixar de sentir insegurança.

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora