Acampamento de magias Pectrus

230 4 0
                                    

Ops! Esta imagem não segue as nossas directrizes de conteúdo. Para continuares a publicar, por favor, remova-a ou carrega uma imagem diferente.


Os suaves raios solares invadiram as janelas e uma brisa um pouco mais forte anunciava que choveria naquela manhã. Andor foi o primeiro a acordar e calçou seus sapatos em couro, vestiu uma camiseta branca de mangas compridas, tecida em linho, um jaleco de feltro em malha marrom e a calça em linho na cor azul claro. Passou por Vamcast, que estava adormecido e aparentemente gozando de bons sonhos. Caminhou e desceu as escadas.

— Acordou muito cedo, querido — disse a rainha assim que o avistou.

— Perdi o sono.

— É igual ao pai, sempre ansioso — falou ela, que estava ali em meio ao grande salão real onde havia também uma estufa com grande variedade de plantas e flores. Zinza fazia questão de regá-las, era algo simples e prazeroso que a divertia.

— O papai já acordou?

— Saiu com Destructor. Acredito que estejam cavalgando.

— Entendo. Subirei e acordarei o Vamcast porque falta pouco para nossa viagem.

— Espere — disse a rainha, caminhando até ele. — Fastouros ainda está selando os cavalos. Antes de partirem, desçam. Desejo acompanhá-los em uma refeição.

O garoto fez sinal de positivo e subiu as escadas. Zinza o observou subir. A rainha era uma pessoa triste e um pouco solitária, ainda não se acostumara com o barulho e tantas pessoas que trafegavam por ali. Lembrava-se de seus dias junto ao pai... em sua infância os garotos eram livres e soltos. Divertir-se era um hábito saudável e permitido, ao contrário da criação imposta aos seus filhos que os obrigava a manter etiquetas e privações. Mussafar não permitiria que um filho seu brincasse no barro ou adentrasse a floresta. Para ele era algo perigoso e improvável; para ela, algo verossímil e comum. Entretanto, a palavra de um senhor era lei, somente o rei poderia impor regras em sua casa. Não aceitá-las seria insensato e audacioso.

Zinza era filha de elfos do leste e conhecera Mussafar na ocasião de uma visita promovida pelo então rei, Marcarus Destrus, o pai de Mussafar, que era peregrino e conquistador. Ainda jovens se apaixonaram e, após a morte de Marcarus, Mussafar se tornou soberano. Com sua autoridade pediu a mão da elfa em casamento, e uma união entre os reinos surgia de forma inédita e improvável, pois isso jamais ocorrera em tempos anteriores.

Mussafar governou de forma pacífica e contraditória aos costumes de seus ancestrais. A paz entre os povos era lei e o norte sempre fora visto como o elo forte entre a monarquia. Nenhum rei se opusera à supremacia do norte e as histórias narradas sobre os eracictos (raça hominídeos) eram dignas de aplausos e honrarias.

***

No quarto do segundo andar, Vamcast se contorcia na cama. Estava tendo um pesadelo horrível, mais um dos tantos que o assolava em suas noites de sono. Em seu sonho, ele se via em um campo aberto, em formato circular, onde o chão era forrado por folhas secas e galhos quebradiços. Ao seu redor via-se uma mata totalmente fechada, sombria, as copas das árvores envoltas por um clima escuro e amedrontador, com vultos movendo as folhas de um lado ao outro como numa dança macabra. Era noite, o clima estava frio como num inverno rigoroso, mas não se via neve, apenas vultos e múrmuros sendo emitidos do interior da floresta. No sonho ele se encontrava em alerta, com os olhos enormes, arregalados, como que se estivesse dopado. Como se pressentisse uma investida, um ataque repentino, como se algo o vigiasse.

Os livros de Esteros - As crônicas de FedorsOnde as histórias ganham vida. Descobre agora