Capítulo 44

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Aiden não ligava para bailes nem festejos sociais. Achava danças muito entediantes e preferia discutir negócios com os homens em outros espaços menos excêntricos. Mas ali, naquele momento, tudo que ele queria era dançar com Elizabeth Collingworth. Mostrar para todos naquele evento que ela concedera a sua primeira dança para ele, demarcar seu território de alguma forma.

Desde que ela chegou ele mal conseguia disfarçar que não tirava os olhos dela. Se Agatha havia planejado aquilo para constrangê-lo em público, ela tinha conseguido atingir seu objetivo. O mais absurdo era que Aiden não conseguia entender o que sentira a ver Elizabeth chegar, vestindo seda e renda, produzida como uma dama da sociedade que ele conhecia, impactando com sua presença suave, porém marcante.

Ela estava mais linda do que quando a viu pela primeira vez, na estalagem? Ou mais perfeita do que quando a despiu em seu quarto? Estaria Elizabeth mais digna de sua admiração apenas porque vestia roupas elegantes e tinha o cabelo empoado e penteado?

Não. Ele duvidava que aquela produção toda fosse a razão de seu coração bater totalmente fora de um ritmo razoável. Então, por que ele sentia aquele aperto no peito e tanta dificuldade para respirar enquanto giravam pelo salão de baile ao som de Handel e conversavam sobre bobagens?

— A Srta. Westphallen está enciumada de nossa valsa. — Elizabeth murmurou, movendo sutilmente a cabeça para o lado. O duque notou a figura de Lady Madeline segurando uma taça de champanhe com força demais enquanto os observava.

— Ela não tem motivos para ter ciúmes.

— Não tem?

— Não. Eu nunca prometi nada a ela, nem dei nenhuma esperança de que tenho algum interesse nela. Todos os meus negócios com os Westphallen envolvem o pai, que é um nobre negociante, como eu.

Elizabeth respirou profundamente e ele não soube dizer se aquela reação se deu pela resposta dele ou porque a música estava prestes a acabar.

— A senhora entende que eu devo dançar com as outras damas, não entende? — Aiden perguntou, assim que os últimos acordes da valsa terminaram. — Inclusive com Lady Madeline.

— Assim como eu não devo recusar o pedido de outros cavalheiros. — Ela o seguiu para o canto do salão, deixando o centro para os próximos casais que já se posicionavam para a próxima dança. — Mas eu acho que devo voltar para Thanet Bay, Alteza. Continuar aqui é...

— Justo, para a senhora. Uma tortura, para mim. Eu gostaria de pedir que me espere, que vá para casa comigo.

— E isso não seria inapropriado? Se nos virem saindo juntos, vão comentar. Já estão comentando.

Claro que iam comentar, mas Aiden suspeitava que fariam isso de qualquer jeito. Já havia várias fofocas sobre uma mulher que passou dias trancada com o duque, e como ele foi desonroso com ela, como ele a arruinou. Depois da presença de Elizabeth em Greenwood Park, todos acabariam associando a misteriosa mulher à visitante desconhecida que estava hospedada na propriedade ducal. Então, deixar a festa com ela seria apenas mais um ingrediente para servir de combustível à fofoca.

Que ele não pretendia fomentar, pelo bem da honra de Elizabeth. Aiden pouco se importava que o considerassem um libertino. Ele não era, mas ganhara fama por não demonstrar nenhum interesse em se casar ou cortejar uma dama. Só que Elizabeth não merecia ser o centro do escárnio da maldosa sociedade londrina. Mesmo que ela não fosse uma dama. Mesmo que ela não fosse uma virgem que ele pudesse arruinar. Se ele pudesse evitar que ela fosse atirada aos leões, então o faria.

— Tem razão. — Aiden beijou os nós dos dedos dela, por cima do tecido fino da luva. Eles ainda estavam trêmulos. — Aguarde algumas poucas músicas e volte para casa, se assim desejar. Nos vemos em outra oportunidade.

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora