Capítulo 43

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A condessa era uma mulher elegante e com uma expressão austera, para quem Elizabeth não fora apresentada antes do jantar. Ela estava em uma das pontas da mesa e Edward, o conde, em outra. Ele tinha mais outros três irmãos, homens, que estavam em partes espalhadas da mesa. Todos eles eram solteiros ainda, Elizabeth desconfiou pela quantidade de damas que disputavam a atenção deles. A irmã mais nova também estava espalhada entre os convidados.

A mesa era muito grande, quase poderia acomodar toda a população de Kent. A louça e a prataria estavam impecavelmente dispostas e Elizabeth sentiu um prazer secreto em ver uma mesa tão bem posta. Aquele era um serviço que ela apreciava, no final.

O lugar que lhe tinha sido destinado era ao lado de Aiden Trowsdale. O mais cobiçado dos lugares para uma dama solteira. Ao ver Agatha e Edward se cumprimentarem sutilmente à distância, Elizabeth teve certeza que eles estavam juntos naquela armação. Por que aquelas pessoas tinham decidido que o Duque de Shaftesbury deveria cortejá-la? Claro que eles não tinham ideia do que já acontecera entre eles, mas, de qualquer forma, com tantas damas solteiras, ela deveria ser a última opção para retirar o duque da solteirice. Se houvesse uma lista, ela nem estaria nela.

— A senhora sabe que eles fizeram isso de propósito, não sabe? — Aiden sussurrou para Elizabeth, depois que estavam sentados e sendo servidos.

— Desconfio que tenham feito. Mas não entendo por que fizeram.

— Nem eu. Prefiro aproveitar o momento a tentar desvendá-lo.

Sim, ela também. Se gastasse seus esforços tentando compreender as pessoas ela acabaria perdendo boas oportunidades de se divertir. O serviço em Greenwood Park também era tão surpreendente quanto a decoração. A comida era muito bem coordenada e as bebidas harmonizavam perfeitamente com cada prato.

Como uma dama não comia muito, ela se controlou para aceitar apenas pequenas porções e levou bastante tempo com cada bocado, movendo a cabeça em atenção às conversas da mesa. Todas elas giravam, de certa forma, sobre negócios, construções, empreendimentos. A vida em Londres estava mesmo mudando e ela considerou que Aiden tinha razão: em breve, a Inglaterra seria comandada pela burguesia.

— E Vossa Graça, quando deixará essa vida libertina para trás e sossegará com uma esposa? Está na hora de encomendar um herdeiro, não? — Um homem de cabelos permeados por fios prateados disse. Elizabeth não tinha sido apresentada a ele, também. — O meu já está a caminho, dessa vez será um menino.

— Você disse isso nas outras três vezes, Lockwood. — Edward provocou.

— Pretendo escolher uma noiva na próxima temporada. — O duque disse, mas não havia nenhuma emoção ou entusiasmo em sua voz. Ele parecia querer apenas encerrar o assunto, não deixar que aquela conversa se prolongasse.

— Se for sortudo como seu pai, terá logo um filho. O homem era uma máquina de produzir herdeiros.

Elizabeth franziu a testa e olhou para o semblante de Aiden. Ele estava tenso e aquele homem que falava parecia não saber muito sobre limites. O que ele quis dizer com aquilo? O duque tivera apenas dois filhos e um deles era Lady Agatha, uma menina. Ou ela estaria enganada?

— Vamos esperar que eu seja como meu pai. Detestaria precisar engravidar minha esposa tantas vezes apenas para conseguir produzir um varão.

— Senhores, por favor, vamos falar de assuntos mais agradáveis. — A condessa interviu. — Por que não conversamos sobre o baile e a caçada que o gentil Duque de Shaftesbury nos oferecerá em breve?

O tema da conversa mudou e logo todos estavam falando dos eventos que teriam vez em Thanet Bay. Elizabeth sentiu Aiden ainda tenso. Depois ela perguntaria por que aquela discussão o incomodava e o que ela significava. Afinal, o peso da necessidade de se casar não deveria incomodar tanto um duque, deveria?

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora