Capítulo 41

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O péssimo humor do duque podia ser sentido no ar da mansão. Apesar da impecável postura do mordomo, John estava claramente temeroso ao informá-lo que sua mãe, a duquesa demoníaca, desejava vê-lo. Aiden não detestava a mãe, nem se importava muito em ir até ela, mesmo sabendo que seria ofendido. Preferia que ela o fizesse na privacidade de seu quarto ao invés de desqualificá-lo perante outros nobres, como costumava fazer quando deixava sua reclusão.

O problema dele, naquela noite específica, era a falta da luz dourada dos cabelos de Elizabeth. A ausência do azul cintilante como o céu daquele verão, não poder sentir o cheiro das gardênias nem tocar aquela pele de porcelana. A governanta estava tirando o seu juízo mas ele não podia deixar que ninguém suspeitasse daquilo.

Preferiu não bater à porta, apenas entrou nos aposentos da duquesa. Ela estava à janela, sentada em um canapé, observando o breu que começava a engolir o bosque que circundava parte da propriedade. Quando percebeu o filho chegando, ajeitou-se com sua mais inexpressiva face.

— Mandou me chamar, mamãe? — Aiden perguntou com um sorriso. Ele nunca era correspondido, mas insistia em parecer feliz na presença dela.

— Sim. Quero que inicie o cortejo de Madeline Westphallen no jantar de Cornwall, amanhã.

Ele engasgou. Talvez porque tentou não rir imediatamente do absurdo que lhe era pedido.

Cortejo? — Aiden repetiu a palavra marcando cada letra, desejando confirmar que não tinha se equivocado.

— Sim, cortejo. Você é um homem de trinta e um anos que nunca demonstrou interesse em nenhuma dama, nunca frequentou uma temporada a sério. Já passou o momento desse comportamento, Aiden Trowsdale. Como o Duque de Shaftesbury você tem responsabilidades em dar continuidade à sua linhagem e precisa de uma esposa adequada.

— A senhora decidiu, portanto, que Lady Madeline é adequada? — O duque mantinha sua atitude gentil mesmo que seu corpo indicasse seu desconforto ante a intromissão da mãe em seus assuntos.

— Ela é filha de um visconde e está na idade certa para se casar. E tem afeição por você. Amanhã você deve reservar a primeira dança dela para você, isso indicará seu interesse.

Aquilo era um completo absurdo. Aiden levou as duas mãos às têmporas e as pressionou, olhando para o chão enquanto respirava profundamente. Ele deveria gargalhar logo de uma vez e garantir que sua mãe entendesse que ele não pretendia, em nenhuma hipótese, cortejar Madeline Westphallen.

Ou ele podia concordar. Tirá-la para dançar, manter a paz dentro de sua residência e, no final, escolher a noiva que desejasse. Ainda era cedo para a próxima temporada, ele tinha tempo para decidir. De uma forma ou de outra, ele acabaria se casando com uma dama como Lady Madeline e não havia muito que pudesse fazer para evitar.

— Certo, mamãe. Amanhã, quando as danças começarem, eu tirarei Lady Madeline para dançar. Mas eu não posso prometer nada além disso.

— A primeira dança, Aiden.

— Uma dança. — Ele sorriu novamente. — Não prometo mais do que isso. Deseja mais alguma coisa?

A duquesa levantou-se e caminhou até ele, que prendeu a respiração e sentiu seu coração acelerar. Por mais que fosse impossível amar Myrtle Trowsdale, ele a amava. Conhecera a versão agradável da mãe, a versão amorosa e gentil. A que não tinha sido amaldiçoada por cinco bebês que morreram logo após o parto. A que não tinha sido contaminada pela amargura, antes que ela se fechasse em uma armadura de desamor e azedume.

O duque que amava sua mãe ansiava por um abraço ou um sorriso. Mas o que ele recebeu naquele instante foi um olhar de desprezo que o inspecionou de cima em baixo.

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora