cinq

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Jungkook não dormira aquela noite.

Ficou o tempo todo pensando em Taehyung, em seus gritos de dor, na sua expressão de desespero. A culpa corroía seu estômago, e isso o adoecia mais, teria ele realmente causado aquilo em Taehyung? Não queria ser o culpado, ele o amava, não queria machucá-lo.

Jungkook se ergueu da maca e retirou a agulha em que tomava soro de sua mão, abriu a porta de seu quarto e analisou o corredor, perfeito, sem seguranças. Tratou logo de correr em direção ao quarto de Taehyung, teve que se esconder por alguns minutos já que havia dois seguranças conversando em frente à porta, mas logo entrou quando os dois saíram para tomar um café.

O garoto sentiu o coração doer ao ver Taehyung deitado naquela maca. Ele parecia estar dormindo, tinha uma agulha ligada a uma bolsa de soro amarelo enfiada em seu braço, uma máscara de oxigênio em seu rosto e uma máquina monitorando seus batimentos cardíacos. Jungkook se aproximou e afagou os cabelos de Taehyung que abriu os olhos ao sentir o toque alheio.

— Jeongguk. — Ele sorriu fraco, sua voz estava rouca. — Você veio me ver.

— Eu fiquei tão preocupado, Taehyung. — Jungkook fungou, não se importou das lágrimas que se formaram em seu rosto. — Eu causei isso em você?

— Não, não se culpe. — Ele balançou a cabeça. — Você não fez nada. A propósito, também amo você, Jungkook.

O mais novo piscou rapidamente e sentiu o coração acelerar que nem um maluco em seu peito, ele sorriu e afagou o rosto de Taehyung, se inclinando e depositando um beijo na testa do outro.

— Queria que me beijasse na boca. — Taehyung fez um bico.

— Não posso tirar sua máscara, seu bobo. Mas… Você falou sério? Me ama mesmo?

— Claro que sim, eu não saio por aí falando da minha camélia preferida pra todo mundo, não.

Jungkook riu e entrelaçou seus dedinhos com os de Taehyung, ele se sentia em paz, o sentimento de culpa e de desespero sumiram de seu ser. Tudo o que queria fazer era ficar ali ao lado de Taehyung até amanhecer.

— Dorme comigo? — Taehyung sussurrou.

— Eu posso? — Jungkook disse na mesma altura.

— A gente lida com o piti dos médicos de manhã, agora eu só quero ficar pertinho de você, Jungoo.

Jungkook sorriu e se sentou ao lado de Taehyung, se deitou em seguida quando o mesmo chegou para o lado e abriu o braço para que Jungkook apoiasse a cabeça em seu peito. Jeon fechou os olhos e ouviu as batidas do coração de Taehyung, eram fracas, tímidas demais, mas ainda conseguiram acalmar o mais novo.

— Sabe porquê eu dei aquele ataque hoje mais cedo? — Taehyung sussurrou, Jungkook ergueu a cabeça e encarou o rosto pálido do garoto.

— Não precisa me contar.

— Uma hora você precisará saber. — Taehyung riu sem humor.

— Pode falar então. — Jungkook voltou a apoiar a cabeça no peito do outro.

— Tá ouvindo meu coração? — Taehyung disse baixinho, Jungkook assentiu com a cabeça. — Ele bate fraquinho, né?

Jeon ergueu a cabeça e encarou Taehyung, seu cenho estava franzido.

— Taehyung, o que-

— Meu coração, Jungkook — Taehyung continuou, ele encarava o teto e Jeon pôde percebê-los se encherem de lágrimas — não funciona direito, ele tem umas complicações, e não trabalha do jeito que devia. Os médicos chamam de insuficiência cardíaca.

Jungkook voltara a chorar, fungou baixinho, o que atraiu a atenção de Taehyung, o garoto sorriu e afagou o rostinho do mais novo.

— Ei, não chora. — Jungkook não respondeu, apenas inclinou o rosto em direção aos toques de Taehyung — Os médicos também disseram que… Eu vou precisar de outro coração.

— O que? — Jungkook fungou e arregalou os olhos.

— Pois é, estou na fila de espera já vai fazer um ano. — Taehyung riu — Eu moro nesse hospital.

— Mas… Se você não receber logo, você… — Jungkook soluçou — Taehyung, eu-

— Shh, não se preocupe com isso. — Taehyung abraçou o mais novo, fazendo-o se deitar sobre seu peito novamente — Só durma comigo, ok? Vai ficar tudo bem.

Jungkook fechou os olhos e abraçou o corpo de Taehyung, com medo de que ele sumisse no meio da noite, e, ouvindo as batidas tímidas de seu coração, adormeceu.

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