Capítulo 36

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Quanto mais tempo ele passava próximo de Elizabeth, mais ele a desejava. E, insatisfeito em tê-la em sua casa, Aiden ainda inventava outras formas de mantê-la por perto. Mas ele temia que poderia perdê-la. Da janela de seu quarto era possível ver a claridade da vela que indicava uma pessoa no quintal. Pela silhueta que se movia e o brilho dourado que a acompanhava, aquela só podia ser a governanta. E, pouco depois, outra pessoa se juntara a ela, o cavalariço James Hodges.

O que eles queriam, conversando sorrateiramente sob o véu silencioso da noite? Estavam próximos e Aiden não conseguia ter certeza se estavam muito próximos ou apenas em uma distância razoável. Não era possível distinguir se fariam algo impróprio.

Oras, ela era uma criada viúva e Hodges também. Se eles quisessem ficar juntos, o duque não poderia, nem deveria, impedir. Provavelmente seria ótimo se Elizabeth conseguisse um marido para ajudá-la no sustento e criação dos meninos. O cavalariço já tinha um filho e...

Mas o que ele estava pensando! Era óbvio que Aiden não queria que Elizabeth se casasse com outro homem. Ela deveria ser dele, apenas dele.

Foi com aquele pensamento em mente que o duque pegou uma vela e desceu as escadas, tentando ser o mais silencioso possível. Provavelmente ele não se importaria se acordasse todos os criados, mas era melhor que estivesse sozinho se fosse fazer o que pretendia. Quando Elizabeth entrou novamente na mansão, ele a esperava na área de serviço anexa à cozinha.

— Alteza!

Ela se sobressaltou ao ver sua figura parcial e amarelada pela chama do fogo que tremeluzia na vela. Aiden tinha plena certeza do que faria ali, mesmo que temesse ser rejeitado pela terceira vez. Só sabia que, depois de vê-la com o cavalariço tantas vezes e de imaginar que Elizabeth poderia ter em Hodges interesses que iam além da boa convivência entre empregados, ele precisava marcá-la como sua.

— Não consegue dormir? — A voz profunda e grave ecoou baixa. Os criados dormiam do outro lado da casa, provavelmente não os ouviriam.

— Quis ver as estrelas outra vez, ficar um pouco sozinha.

— Mas não ficou sozinha.

— Vossa Graça estava me observando?

Havia uma nota de divertimento na forma como ela perguntou, mesmo que tentasse parecer séria. Elizabeth estava achando graça dos ciúmes que ele sentia. Maldição, Aiden não queria acreditar naquilo, mas tinha ciúmes da governanta. Aquele era um dos vários problemas de uma casa sem uma presença feminina marcante - o homem nunca deveria ficar por conta dos empregados.

— Eu também cheguei à janela para ver as estrelas.

Mentiu, porque ele realmente a estava observando.

— O Sr. Hodges é um bom homem. Ele me convidou para jantar.

— E a senhora aceitou?

— Deveria recusar?

— Não sei. A senhora me recusou, duas vezes.

— Eu não o recusei, Alteza. — Ela murmurou, baixando o olhar. — Eu recusei ser sua amante.

— E não é a mesma coisa?

— Não querer se tornar amante de um homem, da forma como me propôs, é diferente de não querer esse homem.

A frase dela saiu confusa mas ele a compreendeu. Talvez tenha compreendido da forma como desejou, interpretou-a como melhor atendesse a seus interesses, só que Aiden não iria perguntar se entendera corretamente. Aquele pequeno enfrentamento serviu para que ele soubesse de duas coisas importantes: uma, aquela mulher sentia algo por ele. Mesmo que apenas uma fagulha de desejo, mas ela sentia alguma coisa. E duas, ele não esperaria mais para tê-la em sua cama.

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora