8. Dança pra mim? (Mike)

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Era meu dia de folga no clube. Isso significa poder malhar, ir a praia ou dormir. Porém, eu tenho meu segundo trabalho, minha segunda vida. Isso significa que é dia de passar mais tempo com Jade, cuidando da sua carreira. Há um mês, seria só um pouco mais cansativo, porém, agora, começo a ansiar por esses dias de bônus com tempo pra minha diva.

À tarde, quando chegou de uma gravação, eu estava em sua casa, deixando um vestido que iria em uma grande festa no dia seguinte. Os sapatos e as joias de outras grifes também já estavam prontas ao lada da sua cama.

— Hoje eles tiraram a minha pele, a minha cabeça e o meu espírito. — Se jogou de costas e braços abertos no meio do colchão, dramaticamente para chamar a minha atenção. Ou não, mas, o efeito tinha sido conseguido.

— Já falei que precisa fazer aqueles exercícios de respiração e usar as técnicas para se afastar do personagem. Você se entrega demais! — Briguei com uma voz monótona, enquanto pegava da caixa da joia a nota fiscal de garantia de devolução para guardar.

— Mike, eu quero sair e fazer uma coisa diferente. — Apoio a cabeça na mão, tirando energia de um outro lugar.

— E o que quer que eu faça? Reservas em algum restaurante para ir com as suas amigas ou entrada e camarote vip para alguma balada? — perguntei, já acostumado com a minha tarefa diária.

— Não... Isso não é diferente. Isso é comum.

Pra ela. Não, para os mortais, como nós.

— Eu queria ter uma família para visitar, comer um bolo de milho ou comer pipoca, vendo uma TV velha, num sofá velho.

— Vocês artistas são tão cheios de vontades loucas. — Ri pra sair do seu quarto, pois, era hora de verificar seu jantar.

— Posso conhecer a sua avó? — Gritou do quarto.

Parei no meio do corredor com um pé antes de tocar o chão. Engoli em seco e depois, virei para trás de olhos arregalados e testa franzida. É sério o que ouvi?

Jade pulou da cama de malas e veio correndo até mim como uma criança que decidiu qual o parquinho do dia.

— Podemos ir pra sua casa? Eu me disfarço, coloco óculos, boné, uma mochila, tênis, ou chinela. Ninguém vai me reconhecer.

— Minha avó?

— Ela deve ver novela. — Fez uma careta.

— Eu posso parecer com a atriz, né?

— Pare de brincar com isso. Tem pessoas que amam você, ok? E minha avó é uma delas. Não quero que enfarte! — Fui para a cozinha e tirei sua porção de salada do dia, o suco e o frango que já havia sido entregue pela gourmet que fazia comidas prontas para quem seguia uma dieta e queria comer algo com sabor. Essa era a tática de Jade. Eu só dava um reforço pra ela não enrolar para comer e ficar com refluxo de noite.

Deus. Parei com o pote na mão. Eu sei até sobre o refluxo dela já? Isso altamente íntimo. Qual é o limite?

— Então, Mike, qual é o problema? Podemos ver um filme. Suspende o bolo de milho. Vamos fazer pipoca.

— Claro! Pipoca e manteiga? — Ironizei e abri a garrafa de suco lacrada, despejando no seu copo. — Vamos trabalhar e repassar todas as pessoas que vai ver na festa amanhã, depois te ajudo a decorar o texto das próximas cenas e já terá bastante coisa para quebrar o seu tédio.

— Eu não quero nada disso. Eu quero passar o resto da noite com você — sentenciou.

Olhei-a longamente tentando entender o quanto era de capricho ou espírito de aventura o seu pedido. Não encontrei isso, mas, um brilho sincero.

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