Capítulo Sessenta - Final

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Castiel Almeida D'Ávila

Duas semanas depois...

Respiro fundo e entro na sala destinada às visitas. Observo o lugar ao meu redor e sinto um calafrio passar por meu corpo ao notar o quanto esse lugar é totalmente sem vida. As paredes apenas em concreto deixa tudo ainda mais frio e mórbido. Mas afasto qualquer outro pensamento relacionado ao lugar e me sento em uma das duas cadeiras postas ao redor de uma mesa bem ao centro da sala.

Há um guarda bem ao lado da porta e sua expressão é impassível, como se não existisse mais ninguém no ambiente. Aperto minhas mãos para conter o suor e a tremedeira que se instala, mas isso não adianta muito quando ouço o barulho da porta do outro lado da sala se abrir.

Levanto minha cabeça e rapidamente meu olhar se cruza com o de Débora, que me olha com um misto de surpresa e desdém.

Bem, alguns devem pensar que eu sou louco por estar aqui, visitando uma pessoa que quis me ferir de alguma forma... E eu acho que eu sou mesmo, mas eu realmente precisava estar aqui.

Já faz um bom tempo que eu penso em ver Débora, não por compaixão, mas sim para olhar em seus olhos e ver se valeu de alguma coisa tudo o que ela fez. Apesar de estar em uma prisão psiquiátrica, eu tenho certeza que Débora sempre soube muito bem as consequências dos seus atos. Sei que ela está apenas porque Adrian quis isso, foi como uma vingança por tudo o que ela nos fez.

- Irmãozinho, que surpresa. - Ela diz com puro deboche na voz e é posta sentada em minha frente pela guarda que a acompanha.

- Imagino que seja, mas te garanto que não vim porque senti sua falta. - Sorrio para ela, demonstrando o mesmo deboche e frieza.

- Assim você me magoa, Cas. - Ela finge uma expressão triste e coloca uma das mãos em cima do peito.

Reviro meus olhos e me ajeito melhor na cadeira, mesmo que tudo aqui me deixe desconfortável.

- Por que fez tudo aquilo, Débora? Por que tentou matar o meu filho? Você não pode ser tão sentimentos assim, pode? - Faço as perguntas a ela, que apenas me observa por alguns segundos.

Ela não diz nada por um tempo, mas eu observo seus olhos, que demonstram um brilho muito ruim de maldade.

- Por que eu não faria? Você e aquele garoto chegaram estragando tudo. Primeiro Adrian, que deveria estar comigo e depois meu pai também. Eles são meus, você nao deveria aparecer e estragar tudo. - Ela diz e sua voz se eleva alguns tons por causa da raiva.

- Seus? Eles não são objetos, nem meu pai e muito menos Adrian. Você acha mesmo que o que você sente é amor? Pelo menos não ao meu marido, isso é apenas uma obsessão de uma garota mimada que sempre teve tudo o que sempre quis. - Falo e seus olhos parecem inflamar de raiva.

‐ Como seu marido? Você não... - Ela começa, mas eu nego.

- Sim, meu marido. As pessoas se casam quando se amam, quando possui um amor muito forte para uni--las. E não me venha me dar seus ataques de pelanca. Você sempre soube que Adrian não te amava, mas ao invés de seguir sua vida com seu amor próprio, resolveu se vingar por um motivo bobo. - Falo e faço uma pausa, fazendo um som de desgosto com a boca. - Eu realmente não entendo como você se tornou essa pessoa, nem te conheço há tanto tempo, mas já sei o quanto você não presta. Você sempre teve de tudo Débora, enquanto meu pai te dava amor, carinho e educação... Minha irmã e eu estávamos sozinhos com minha mãe.

- Pelo menos algo você sofreu, não é? Seu pai preferiu a mim do que você. - Ela diz maldosa, mas isso não me abala.

- Pode até ser por um tempo, mas isso não me abala mais. Eu posso ter passado anos da minha vida sem o amor do meu pai, mas resolvi dar uma chance para ele novamente, assim como minha mãe. Tenho minha família de volta novamente, enquanto você está presa aqui dentro e ainda vai permanecer por um bom tempo. - Olho em seus olhos e se olhar matasse, eu já estaria em um caixão.

Cowboy Indomável (Mpreg) - Duologia "Indomável" - Livro 02Onde as histórias ganham vida. Descobre agora