Capítulo 32

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Quando Geoffrey informou que a duquesa estava no salão de chá, Aiden pensou que o criado estivesse ficando confuso. Sua mãe nunca descia do quarto. Quando queria falar ou ver alguém, pedia que fosse até ela. Muito fraca e debilitada desde o nascimento de Agatha, a duquesa era uma reclusa e a última vez que ela saiu do quarto fora no enterro do marido.

O que a teria levado ao salão de chá? Ele precisava conferir aquilo, mesmo que sua presença no momento das mulheres fosse inadequado. E que ele tivesse que enfrentar as Westphallen, que sabia terem sido convidadas pela irmã. Agatha não era a maior fã daquelas duas, porém não havia muitas amigas na região.

Ajustou a roupa e sentiu necessidade de estar arrumado para... o chá da irmã. Não, claro que Aiden não se preocupava em vestir-se bem para as convidadas tediosas de Lady Agatha. Estava pensando em encontrar a governanta pelos corredores da mansão, mesmo que a casa fosse tão grande que ele pudesse passar dias sem ver os criados se não os chamasse. E foi o que houve. Ela, Elizabeth, não estava em lugar algum à sua vista.

Não vê-la era frustrante. Não tê-la era tortura. E não parecia haver nada que ele pudesse fazer para mudar aquilo. Havia?

Sua decepção durou até o momento em que chegou ao salão. Tudo que ele viu em um canto foi a mulher que se destacava entre as outras.

— Vossa Graça! — Madeline Westphallen dirigiu-se ao duque com algum entusiasmo. Eles tinham a intimidade adequada para que ela não precisasse esperar o cumprimento do homem, mesmo assim era como se a empolgação da jovem incomodasse Aiden. Ele descobriu que gostava de mulheres empolgadas, porém não gostava de Madeline. Não o suficiente.

— Senhoritas.

Aiden aceitou as reverências que lhe foram dirigidas e se aproximou de Sarah Westphallen, primeiro. Era a irmã menos inconveniente, então ele segurou sua mão enluvada e beijou os dedos com sutileza. Fez o mesmo com Anne Brighton e só então chegou a Madeline. As damas suspiraram pela passagem do duque, que poderia revirar o olho em desânimo. Ele não queria, mesmo, despertar nenhuma esperança nelas.

— Mamãe, a que devemos a honra de vossa presença? — Ele perguntou, aproximando-se. Seus olhos passearam por Elizabeth brevemente e pousaram na figura pouco expressiva da duquesa viúva.

— Decidi ver como estão as coisas, já que você escolheu não me contar que contratou uma governanta.

Ah. O mistério estava parcialmente solucionado, a duquesa descobrira sobre Elizabeth e queria explicações. Porém era esperado que ela chamasse o filho em seus aposentos. O simples fato de exigir satisfações pela contratação de uma empregada ainda não respondia totalmente a aparição surpreendente da mulher.

— Foi uma decisão de oportunidade.

— Você anda saindo demais com negociantes. — A duquesa franziu a testa, indicando seu desagrado com as companhias do filho. Um nobre de linhagem tão expressiva quanto a dele deveria deixar de lado os burgueses e relacionar-se com os portadores dos melhores títulos. — Bem, contanto que a casa esteja sendo cuidada a contento, sua atitude será tolerada. Da próxima vez, consulte-me antes.

Aquela era a postura comum de Myrtle Trowsdale - desafiar o filho duque na frente das pessoas. Mais grave era quando ela tentava intimidá-lo na presença dos homens, forçando-o a adotar uma postura debochada. Daquela vez, eram apenas as ladies tolas que bebiam chá e só sabiam conversar sobre rendas e o clima, mas sua virilidade ficava comprometida sempre que a mãe media forças com ele.

Talvez Aiden pudesse mandá-la passar algum tempo na Escócia. Ou no continente - Paris seria escandalosa o suficiente para deixar a duquesa viúva com assunto para infernizar as criadas por um ano inteiro. Mas ele não tinha coragem de livrar-se da mãe, aquilo não seria desejado nem aprovado por seu pai.

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora