Capítulo 30

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Havia bagunça do lado de fora, no quintal, e Elizabeth decidiu intervir. Os filhos dela tinham feito amizade com os filhos de alguns arrendatários e estavam brincando nos arredores da mansão, um pouco escondidos próximos ao estábulo. A gritaria estava sendo ouvida da cozinha. Preocupada que eles pudessem incomodar, foi até onde eles jogavam para pedir que se afastassem mais ou fizessem menos algazarra. Como a duquesa não admitia nem mesmo o miado de um gatinho, as crianças certamente eram barulhentas demais.

Fechou o romance que ganhara de Aiden Trowsdale, um pouco aborrecida por interromper sua leitura em uma parte tão interessante do livro. A jovem dama estava prestes a ser cortejada pelo vigoroso nobre e ela queria saber como aquilo se desenrolaria. Mas precisava interferir na brincadeira dos meninos.

A medida em que se aproximava, uma voz diferente chamou a sua atenção. Não era infantil e Elizabeth podia jurar que ouvira aquele som em seus ouvidos algumas vezes. Não estava enganada, os meninos jogavam com outras três crianças e, no meio deles, estava o Duque de Shaftesbury. Em toda a sua magnitude, o nobre tinha as mangas da camisa dobradas, segurava um taco e ensinava os pequenos arruaceiros a melhorarem suas habilidades no jogo de rounders.

Ela gastou alguns segundos olhando para ele. Não conseguiu se mover enquanto o duque conversava com os meninos e empunhava o taco, exibindo o bronzeado de seus antebraços. A camisa também tinha dois botões abertos, exibindo alguns fios escuros do peito esculpido que ela já havia visto vezes demais. A presença do duque era tão impactante que Elizabeth não conseguia prestar atenção em nada além dele.

— Alteza. — Ela se aproximou. — Se eles estiverem incomodando muito vou pedir que joguem em outro lugar.

— Não incomodam. — Aiden deu uma tacada na bola e os garotos continuaram o jogo, correndo pelas bases. O duque afastou-se um pouco. — Na verdade, vi que eles precisavam melhorar a pegada no taco e vim orientá-los. Eu não estou acostumado com crianças ao redor. Eles possuem bastante energia, não é mesmo?

— Até demais. — Elizabeth riu e percebeu que o duque se aproximou dela, ficando ao seu lado.

— Eu gostaria de ir até a praia, amanhã. Seus meninos conhecem o litoral?

— Eles nunca saíram de Londres, Alteza. É o primeiro contato que têm com o campo, por isso estão tão animados. A vida aqui parece muito mais saudável para eles.

— Com certeza é. Londres tem seus encantos, mas nada é como o litoral. — Aiden continuava observando o jogo enquanto conversava. — Está decidido. Providencie que estejam prontos para o passeio amanhã. Depois não terei muito mais tempo, já que precisamos organizar um baile que dura um final de semana inteiro.

Elizabeth virou-se e encarou o perfil severo do duque. Sua face angulada e masculina estava suavizada por um sutil sorriso que pousara em seus lábios. Ele tinha os braços cruzados no peito e observava as crianças com diversão no olhar. Ela não acreditava no que estava ouvindo.

— Vossa Graça os está convidando para ir à praia?

— Sim, por que isso te espanta? — Ele também se virou para ela e quase a engoliu com seus olhos de obsidiana. — Estou convidando vocês. Gostaria que a senhora também estivesse no passeio.

Ela escondeu a boca com a mão para que ninguém percebesse que estava estupefata com aquele convite.

— Como sua criada, devo dizer que isso é bastante inadequado. Os patrões não convidam empregados para passeios, Alteza.

— Acho que eu tenho o poder de decidir o que é ou não inadequado em relação aos meus criados.

— Lamento informar mas, infelizmente, Vossa Graça não tem esse poder.

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora