Capítulo 29

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Ela provavelmente estava ficando louca. Abandonar a prudência nunca levava a resultados desejáveis, Elizabeth sabia bem que precisava manter distância de Aiden Trowsdale. Aquele homem era para ela como a cerveja para os homens das docas - um alívio para os dias de trabalho intenso e uma droga poderosa para derrubá-los quando a vida estivesse difícil demais para lidar. O duque era como aquela droga, que a incapacitava e atrapalhava a clareza de seus pensamentos.

Então o que estava fazendo ali? Com ele, naquela sala? Por que não ouviu o comando e saiu, recatada como deveria, voltando para seus afazeres até que fosse solicitada pela lady? Por que ela deixou que ele a beijasse, ou por que ela queria tanto que ele a beijasse?

Porque ela queria. Porque sentira a falta dele durante os dias em que o duque se manteve recluso. Porque, cada vez que ela ouvia alguém falar sobre ele naquela casa, era algo bom, algo interessante. Porque ela aprendera mais sobre o Duque de Shaftesbury e seus trabalhos de caridade e ficara tocada com tanta bondade. Porque, mesmo que ela quisesse se convencer de que ela não o desejava, Elizabeth sabia que era mentira.

Enquanto as línguas se enroscavam e alguns gemidos de desejo eram reprimidos, Elizabeth sabia que tinha que se afastar. Nada bom poderia resultar de seu envolvimento com o duque, tinha certeza. O problema era que seu coração, que batia fora de ritmo, parecia discordar.

— Talvez eu deva retornar para meu trabalho. — Ela balbuciou, sem força alguma na voz. Tudo que saía de sua garganta eram gemidos de prazer ao sentir a língua dele na sua. Interromper o contato dos lábios parecia algo muito errado de se fazer.

— Agatha está dormindo. — Aiden colou a testa na dela. — E eu mandei que não me interrompessem.

Ela se assustou. Aquilo parecia muito mais imprudente do que ela estava disposta a suportar.

— Por que fez isso? Os empregados vão desconfiar.

— John é meu mordomo há décadas. Ele cuida dessa casa há muito tempo, confio nele. Assim como Geoffrey. — As mãos dele estavam em suas costas, descendo e subindo em uma carícia delicada. Ela continuava agarrada ao colarinho de sua camisa como se sua vida dependesse daquele contato. — Mas eu não quero forçá-la a nada, Elizabeth. Eu não me aproximarei da senhora novamente se for isso que desejar. A senhora pode preferir a companhia de outro homem, mas eu fico louco quando te vejo.

Ah, ele ainda era um cavalheiro. O duque tinha todas as ferramentas para subjugá-la, mas ele preferia que ela concordasse. Que fosse consensual, que fosse por prazer.

— Eu não sei o que quero. — Ela confessou e o rubor cresceu por suas bochechas. — Também não consegui parar de pensar no senhor, mas sei que não devo. Nem mesmo conheço outros homens por aqui, e eu jamais quis a companhia masculina depois que meu marido faleceu.

— A senhora pareceu apreciar a aproximação de Hodges.

Oh. Ela temeu que sua proximidade com o cavalariço pudesse lhe causar problemas. Não que houvesse realmente alguma coisa errada em conversar casualmente com outro empregado. Por dois dias, ele se mostrou uma companhia agradável e interessado em Patrick. Não se confundia, no entanto, com o desejo vulgar que sentia por Aiden.

— Ele é um homem gentil. Mas estávamos apenas conversando sobre Patrick, ele tem cuidado do meu filho mais velho, ensinado muitas coisas sobre cavalos e dado a ele uma atenção masculina que o menino não tem.

O duque estava então tenso sob seus dedos. Eles continuavam muito próximos, ela sentia a respiração dele em sua pele, as batidas irregulares do coração, o calor que emanava daquele corpo masculino. Ele não disse nada, apenas fechou os olhos por alguns segundos e, quando os abriu novamente, era como se a escuridão da noite estivesse dentro deles.

— Tenho uma sugestão, se me permite. — Aiden se aproximou dos ouvidos dela e sussurrou. — Sei que não aceita se tornar minha amante, mas podemos não fugir um do outro. Nem fingir o que sentimos. Prometa-me que dará sinais se por acaso desejar minha companhia novamente. Eu farei o mesmo. Ninguém precisa ficar sabendo.

Elizabeth afastou-se alguns centímetros. O que ele propunha era bastante perigoso e excitante. Ela poderia demonstrar que o desejava e ele a atenderia. Ela teria direito de escolher, de solicitar, e um duque - aquele duque - estaria disposto a satisfazê-la. Parecia uma proposta irrecusável. Mas não era muito diferente da anterior. Ela acabaria na cama dele e, depois, substituída por uma esposa ou outras amantes.

— O que é esse lugar? — Ela desviou o assunto.

— Minha sala privativa. — Aiden olhou ao redor. Os dois ainda estavam muito próximos, grudados. Elizabeth soltou a camisa dele e ajeitou-a para eliminar os amassados. Depois ajeitou a própria saia e os cabelos, na intenção de não parecer que tinha sido beijada.

— Ainda não consegui inventariar todos os cômodos. Vossa Graça tem muitos livros. Gosta de ler?

— Sim, sempre li muito. E a senhora, lê?

— Adoro ler. Eu poderia passar horas entretida com um livro, se tivesse horas disponíveis para isso.

— Claro que a senhora adora. — O duque sorriu e caminhou até a estante que ocupava uma parede inteira. Examinou alguns volumes com encadernamento azul escuro e letras douradas e pegou um nas mãos. Entregou a Elizabeth depois de soprar um pouco de poeira da capa. — Pegue esse, é um romance. Agatha costuma adorar o estilo, a senhora provavelmente também gostará.

Com um sorriso tímido e bochechas vermelhas de tanta vergonha, Elizabeth aceitou o livro e passou os dedos pelo baixo relevo do título. Ela adorava romances, mesmo que eles a fizessem sonhar com amores que ela não teria. Desde que conhecera o duque, já vinha sonhando com coisas que não podia ter, mesmo.

— Devo mesmo retornar. Continuo não podendo aceitar sua proposta, Alteza, mas obrigada pelo livro.

A forma como ele sorriu, antes dela se virar, indicou que Aiden estava magoado. Outra recusa dela certamente era uma afronta à sua masculinidade e provavelmente ele desistiria de insistir. Tentando não demonstrar sua ansiedade, Elizabeth voltou para a cozinha, onde pretendia estabelecer o cardápio do dia e determinar as tarefas das arrumadeiras. Teria pouco tempo até Lady Agatha acordar, portanto precisava ser ágil.

Falhou em quase tudo. Seu corpo ardia e seus músculos não respondiam adequadamente aos seus comandos. A boca tinha memória, continuava sentindo o doce toque e sabor de Aiden sobre ela. Poderia ser muito fácil sucumbir ao duque, mas era quase impossível fingir que nada tinha acontecido. Que ela não estava completamente dominada por sensações que a embriagavam como uísque.

 Que ela não estava completamente dominada por sensações que a embriagavam como uísque

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Capítulo tardio, mas capítulo ainda fofo. Quem gosta de Aiden e Elizabeth aqui? :)

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora