Capítulo 27

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Havia coisas que os empregados sempre sabiam em uma casa. Uma dessas coisas era a presença de visitantes inesperados e pessoas passando pelas passagens escondidas que eram geralmente utilizadas por eles. Quando Lady Eckley entrou na casa, ela acreditava que estivesse protegida pelo anonimato. Mas as cozinheiras sabiam exatamente quem ela era e o que ela sempre fazia perambulando pelas escadas laterais da mansão em Thanet Bay.

Quando Elizabeth entrou na cozinha naquela noite, o assunto que estava na roda de fofocas das empregadas era exatamente o retorno da amante do Duque de Shaftesbury.

— Já disse que ela não é amante dele. — Gretha parou de cortar o pedaço de carne e empunhou a faca na direção de Loretta. — Amantes são mantidas pelos nobres. Essa daí é apenas uma imoral.

— Não importa o nome que dão. Sei que ela está de volta para a cama de Vossa Graça depois de desaparecer. Será que ela teve criança e escondeu? Será que o duque tem um bastardo perdido por aí?

— Por Deus, espero que não!

— O que está havendo? — Elizabeth interferiu porque não entendera nada do que as cozinheiras falavam. Algo sobre uma mulher na cama do duque e filhos bastardos fez com que ela se interessasse pelo assunto. — Estão fofocando sobre a vida privada dos patrões?

— Não é fofoca. — Loretta sussurrou, virando-se para Elizabeth na intenção de poder falar bem baixo. — É que uma das amantes do duque estava no quarto dele, mais cedo.

— Não é amante. — Gretha manejou a faca na direção da outra, indicando sua insatisfação com a escolha imprudente das palavras.

— De quem estão falando? Quem é essa amante?

— Lady Caroline Eckley. Ela é sobrinha de um marquês, mulher fina e sempre com vestidos tão elegantes. Mas não tem nenhuma moral, nunca vai se casar porque nenhum homem quer uma mulher como ela.

— Ela sempre frequentou a casa. — Gretha explicou. — Sabemos que ela e o duque...

A mulher fez um sinal da cruz indicando que não pronunciaria o ato em voz alta. Elizabeth raramente se envolvia com aquele tipo de mexerico de empregadas, porém a ideia de que uma amante de Aiden estivesse rondando a casa a incomodou. O duque estava ferido e repousando, não era possível que ele estivesse recebendo mulheres em sua cama.

Ela não se surpreenderia com nada que viesse dos homens. Talvez a melhor estratégia fosse manter-se afastada e atenta, observando os fatos.

— Avisem-me imediatamente se virem essa mulher na casa, novamente. — Ela ordenou às cozinheiras.

— Sim, Sra. Collingworth. Alguma outra orientação?

— Vamos conferir o cardápio do jantar.

Elizabeth aproximou-se do fogão para conferir o que estava sendo preparado e se tudo estava conforme suas instruções. A presença de uma dama do passado de Aiden, no entanto, a deixou incomodada e com um desejo ridículo de tirar satisfações com ele. Quase riu mais de uma vez por sequer considerar cobrar qualquer coisado duque. Ele nunca lhe prometera nada e ela recusara a proposta que ele fizera.

Sua relação com ele era profissional, apenas.

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— O que vai fazer com ele?

Elizabeth estranhou Granger agarrado ao gatinho alaranjado que tinha começado a rondar a mansão. O bichano já tinha frequentado a cozinha e ganhando leite e restos de peixe. Mas o criado o estava arrastando para fora da casa de forma um pouco bruta e aquilo despertou o interesse dela.

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora