7. Um tratorzinho. (Mike)

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O vídeo do seu celular era escuro, caseiro, trêmulo, ruidoso. Eu estava lá deitado no sofá, mexendo-me de baixo do lençol. Chamei diversas vezes por Jade, elogiando-a de supergostosa e que a queria inteira...

Apertei o stop e parei o vídeo. Era suficiente.

Jade, sentada ao meu lado diante da bancada de granito, virou o rosto para mim e aguardou um tempo:

— Você sonhou comigo e me desejou, Mike?

— Eu estava sonhando, como viu aí. — Disse, não tendo como desmentir.

— Mike, essa ainda não era minha pergunta. — Sua voz era baixa e assustadora. Saiu como um sussurro: — Você é bi?

Eu podia escolher falar de uma vez ou continuar com a mentira. Ainda tinha em mim a certeza de que era melhor manter a barreira do seu medo por se apaixonar por mim.

— Como pode ver... — Encolhi um ombro e o deixei cair.

Deu um risinho irônico, mostrando que não gostara de ter acreditado que eu era gay completo e soltou o ar.

— O quanto do sonho foi só sonho?

Agora, as perguntas iriam sem aprofundar.

— O sonho é o pânico da realidade se debatendo...

Olhou para um lado e outro, digerindo.

— Eu preferia não saber, eu preferia que o relógio tivesse com a bateria fraca e andando devagar... — falou pra si mesma. — Foi tudo muito rápido! — Fez uma careta de horror. — Eu nem mesmo acreditaria se me contassem que eu gosto de você como eu gosto, se me contassem naquela lanchonete diante do cara mais arrogante que eu já vi! — comentou.

Sorri, em silêncio, diga-se: sem arrogância!

— Não pode, não pode ser rápido, Mike! — inclinou-se para frente, irritada com o que tínhamos já de história pra lembrar. — Você veio para cuidar do meu dinheiro, da minha agenda, você espanou o meu coração e tirou poeira e fez faxina onde eu nem te pedir pra mexer — declarou e eu começava realmente a ficar assustado com o poder que não pensei ter. — O que foi aquele beijo no ensaio da cena que fizemos? Mike, se não éramos nós ali, era o quê? Não havia nenhuma centelha da sua alma dentro daquele corpo? Porque eu posso não ter ganho aquele papel, mas, você ganhou um papel indispensável na minha vida. Se você merece? É claro que não... — Olhou para o lado, olhou para o sol na janela, olhou para o infinito da paisagem lhe dar uma resposta. — Você é só metade e eu não posso querer metade de uma felicidade. Vê, vê como eu confundi tudo?! Você só consegue falar de números, gráficos e cifras. Não é essa a engrenagem do meu coração. Ok, é só por isso que está aqui: pela porcentagem do meu dinheiro... — Riu, se achando idiota ou ingênua, eu queria calar sua boca com um beijo. Foi duro, ouvi— la falar de quem não sou de verdade. — ... Então, Mike, me diga onde eu assino. Porque eu realmente vou precisar ganhar todo o dinheiro que me trouxe esse mês, eu realmente vou precisar fazer todos os comerciais que negociou. Eu imagino que já fez o contrato.

— Quer falar agora de contrato? — perguntei objetivamente. (Não querendo).

— Sabe que não! Sabe que eu queria fazer várias perguntas estranhas, inconvenientes e desconsertantes.

— Faça suas perguntas desconsertantes. — Deixei.

— Eu não tenho esse direito... — Encolheu os ombros.

— Jade, nós já nos beijamos, já rolamos no tapete e já fizemos um ao outro gozar. Isso é supernormal pra você, mais normal que uma pergunta desconsertante?

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