Capítulo 24

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A vila próxima a Thanet Bay era bastante movimentada naquele período do ano. Elizabeth adorou poder acompanhar uma dama novamente, principalmente em compras. Ela adorava compras, mesmo que nada daquilo fosse para ela. Apesar dos gastos exagerados dos nobres, ela se sentia mais feminina ajudando as ladies a experimentarem colares e dando opiniões sobre tecidos.

Aquilo era fútil, no final. Havia coisas bem mais importantes do que jóias e vestidos de seda para as mulheres trabalhadoras. Elas tinham que se preocupar com a comida em suas despensas.

Mas fora divertido perambular com Lady Agatha pela vila, visitar uma estilista de renome, um joalheiro exclusivo e comprar tecidos para vestidos. A jovem também quis sapatos e, quando findou a tarde, elas tinham sacolas demais para carregar.

Também fora providencial que Elizabeth não estivesse na mansão. Os filhos estavam bem com os demais empregados, vestidos e alimentados, e ela precisava ficar longe de Aiden Trowsdale. Quanto mais distante daquele cheiro e daquela presença masculina, mais tempo ela poderia resistir sem desejar estar em seus braços novamente.

Porque não havia novamente.

— Elizabeth, tem algo que gostaria de perguntar.

A voz de Lady Agatha a tirou do transe e fez com que parasse de divagar. As duas estavam já dentro da carruagem, retornando para a propriedade. O veículo estava duas vezes mais pesado com tudo que estava sendo carregado.

— Pois não, milady.

— Como a senhora sabia como meu irmão prefere o chá?

Elizabeth ergueu as sobrancelhas. Seria melhor se não se surpreendesse por aquela pergunta, se agisse de forma indiferente, mas não conseguiu evitar. Afinal, se aquela jovem notara alguma coisa em seu comportamento que a instigara em questionamentos, talvez ela devesse se esforçar mais. Precisava muito daquele emprego para arriscar.

— Eu servi Vossa Graça durante o período em que estivemos confinados.

A resposta estava acompanhada de um sorriso. Por favor, que ela acreditasse porque era a coisa mais razoável a se dizer. Ele era um duque, por que serviria o próprio chá? Ela era uma empregada, o esperado era que fizesse seu papel. Certamente ela tinha memorizado aquela informação porque servi-lo lhe deu algum prazer, durante aqueles poucos dias. Porque era confortável demais estar na presença dele. Mas a lady não precisava saber.

Aparentemente, a resposta satisfez a curiosidade da jovem aristocrata. Depois que a carruagem parou na frente da propriedade e os criados apareceram para carregar as sacolas de compras, Elizabeth decidiu que deveria retomar suas atividades na casa. Ela precisava inspecionar e inventariar os quartos. E eles eram muitos.

Pelas orientações de John, o quarto da duquesa ficava na ponta direita da casa e deveria ser evitado. O mordomo não quis revelar muito sobre os motivos, mas Elizabeth suspeitou que a mãe de Aiden não fosse uma mulher fácil de lidar. Para tentar se manter longe daquele problema, ela começaria, então, pelo lado esquerdo da casa. Só naquela direção havia mais de dez quartos que precisavam ser vistoriados.

Já estava saindo do terceiro quando ouviu um rosnado. Era mais como o ganido de dor de um cão, mas ela já fora informada que não havia animais na propriedade. Outro rugido fez com que ela compreendesse que alguém estava sentindo dor. E ela podia jurar que reconhecia aquele som.

Tateando as portas e tentando descobrir de onde vinham os ruídos, Elizabeth acabou aonde ela suspeitava. Aquela era a imponente porta dos aposentos ducais. Elaborando uma desculpa para invadir o quarto do duque, caso fosse pega, ela abriu a enorme peça de madeira maciça, que rangeu melancolicamente.

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora