Capítulo 23

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— Você agora agradece aos criados?

A voz estridente de Agatha despertou Aiden de um transe do qual ele não entendeu como entrou nem conseguiu sair sozinho. O jornal que ele pretendia ler estava na mesa à sua frente, o chá fumegava intocado e ele estava há vários segundos tentando descobrir por que aquela mulher fazia com que tudo girasse ao seu redor. Seria ela algum tipo de bruxa que o estivera enfeitiçando durante os dias reclusos?

— Não seja petulante, Agatha. Agradecer a alguém é errado?

Aos criados, Aiden Trowsdale. — Agatha escondeu uma risada com a mão. — Você é mandão e autoritário, nunca vi você agradecer a ninguém, quanto mais à criadagem. Ninguém na sua posição agradece aos criados! Aconteceu algo que eu deva saber?

— Sim. — O duque ergueu o olhar e enfrentou a irmã. Ele sabia que, se esmorecesse, ela não sossegaria enquanto não descobrisse o grande segredo que sua alma escondia. Talvez não fosse tão grande, mas era um segredo complicado o suficiente para permanecer secreto. — Eu fiquei doente e aquela mulher cuidou de mim. Talvez eu esteja grato, apenas isso.

Se a explicação não fosse suficiente, com o tempo ele mostraria para a irmã que Elizabeth Collingworth era apenas a governanta que ele pretendia que cuidasse da casa pra que ele pudesse ter preocupações exclusivamente masculinas. Ele até quis que ela fosse algo mais, que ela aceitasse sua proteção e se tornasse sua amante. A partir do momento em que ela recusou, a posição de Elizabeth estava definida na casa.

Depois do segundo desjejum do dia, forçado a não ficar na cama para não parecer fraco, Aiden decidiu que precisava de exercício físico.

Alguns metros de caminhada para os fundos de Thanet Bay, o duque construíra um galpão onde ele treinava sem ser incomodado. Era praticante de esportes regularmente. e gostava de colocar o corpo em movimento. Ele até mesmo usava um saco de areia, como os boxeadores, para exercitar seus chutes e socos. Não que fosse socar alguém, os cavalheiros como ele decidiam suas desavenças em um duelo. Mas bater em alguma coisa ajudava a gastar energia.

Quando o Conde de Cornwall chegou, Aiden já estava no seu galpão. Vestia uma calça de camurça um pouco encardida, não usava camisa, estava suado e com os cabelos grudados na testa e no pescoço. O duque tentava cansar o corpo para desanuviar a mente, ignorando que estivera doente e ainda convalescia de uma infecção grave.

— Já está bem o suficiente para rolar no chão com os porcos?

Edward se aproximou dobrando as mangas da camisa. Os dois tinham as melhores conversas e ideias enquanto duelavam na esgrima ou treinavam para jogos de rounders ou cricket. O conde sabia para o que era esperado.

— Não perco meu tempo com doenças. Coloque a proteção e escolha suas espadas. — Aiden jogou um capacete de tela para o amigo e vestiu a camisa e o colete de proteção. — Um longo treino com o florete pode me ajudar a focar.

Ele precisava mesmo de foco. Qualquer um que não fossem as curvas do corpo de Elizabeth.

— Muito bem. — Edward jogou uma espada para o duque. — Conte-me seus planos para o verão. Pretendo fazer um jantar em Greenwood Park, minha mãe vai me enlouquecer se eu não encher a casa de convidados.

— Pretendo organizar o final de semana tradicional de verão dos Trowsdale. — Aiden fez uma investida mas não acertou o conde, que se esquivou no momento certo.

— Então faça isso. Apenas evite o pessoal de Londres, por causa da epidemia.

— Não deve ter ninguém em Londres, mais. Só os trabalhadores.

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora