Capítulo 22

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Ela o rejeitara. Desde a noite, quando sua ereção dolorida se frustrou porque Elizabeth Collingworth preferia ser parte da criadagem a se tornar sua amante, sua virilidade estava mortalmente ferida. Será que ele esteve enganado e ela não o desejava? A forma como reagiu ao primeiro beijo, depois ao toque dos dedos dele indicavam que sim, ela o queria. Talvez da mesma forma que ele a queria.

Se Aiden não estava errado, por que ela o rejeitava? Ser sua amante era menos digno do que ser uma criada invisível? Ele poderia dar a ela todo luxo que ela merecesse. Cobriria-a de seda e jóias, possibilitaria a melhor educação para os filhos dela, faria com que ela tivesse tudo que sempre sonhou. E ele garantiria amá-la, compartilhar o calor de seu corpo com ela, oferecer prazer sem limites.

E Elizabeth não o quis. Aquilo o magoara profundamente, mas ele não pretendia deixá-la ir. Se ela fosse embora ele nunca mais a veria e Aiden Trowsdale não estava pronto para esquecê-la.

Caminhando de volta para a casa, ele ia à frente. O sol estava forte já durante a manhã e aquele seria provavelmente um bom dia para ir à praia. Era também provável Edward o convidaria para uma cavalgada que ele aceitaria. Combinariam uma caçada pelos bosques, Aiden encheria a casa de convidados e tudo voltaria ao normal. O duque não precisaria rememorar os dias em que esteve doente, temendo pela vida e isolado com uma completa desconhecida.

— Seja bem-vindo de volta, Alteza. — John o recebeu pela entrada principal. — O conde pediu que eu o avisasse assim que retornasse, ele deseja lhe fazer outra visita. Uma mais adequada.

— Certo. Mande o mensageiro até ele. Minha irmã já acordou? Aliás, que horas são? Minha mãe, ela...

Aiden lembrou-se de não ter pego o relógio nem uma vez durante aquele confinamento. Não prestou atenção em horários nem em convenções. Foram dias de uma liberdade que ele desconhecia existir.

— Quanto às horas, estamos por volta das dez, Alteza. Sua irmã está dormindo e a duquesa está como sempre, porém um pouco mais como sempre. Vossa Graça deseja tomar seu desjejum?

— Eu já comi. — E muito bem, Aiden quis dizer, porém manteve-se com a postura de duque que ele sabia usar perfeitamente. — Mas quero me encontrar com Agatha quando ela acordar. Vou para meus aposentos, ainda estou muito fraco. Mande Geoffrey preparar um banho para mim.

O duque caminhou pela extensão do salão de entrada e encarou as escadas com desânimo. Ele não se sentira mal no dia anterior mas, desde que estivera liberado para voltar, fora abatido de um cansaço terrível. Talvez tivesse sido a caminhada.

— Ah. John, eu contratei a Sra. Collingworth para ser nossa governanta. Por favor, receba-a e indique para ela o serviço. Ordene que preparem aposentos para que ela e os filhos sejam devidamente acomodados.

O mordomo moveu a cabeça em concordância e se retirou. Aiden foi para o quarto e Geoffrey já estava lá, preparando a calefação para aquecer a água do banho. Havia um banheiro no quarto principal daquele andar, para uso do duque, e outro no quarto ocupado por sua mãe, para uso das mulheres. Ambos foram construídos por seu pai. Não mentira quando disse que ele era um visionário, Aiden não fazia ideia da fortuna que o pai gastara naquelas engenhocas de encanamento e aquecimento para que eles não precisassem carregar jarras e baldes de água quente escada acima.

O criado o ajudou a retirar as roupas e, depois que o duque entrou na banheira, ajoelhou-se para lavar-lhe as costas. Aiden fechou os olhos por um instante e teve vontade de blasfemar. Maldição, aquilo estava muito errado. Aquele não era o toque de Elizabeth.

— Pode deixar, Geoffrey. — O duque indicou que o criado deveria sair. — Eu quero apenas relaxar um pouco na banheira .

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Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora