Capítulo 21

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Não foi o sol nem o calor repentino que acordaram Elizabeth naquela manhã, muito mais tarde do que ela geralmente despertava. Seus ouvidos capturaram um miado e isso a tirou do transe do sono. Miado?

Ela sentou na cama e puxou o lençol para si ao se perceber nua. Claro que ela estava nua, depois do que houvera na madrugada. A lembrança dos momentos de extrema intimidade fizeram com que suas bochechas ardessem. Sentiu-se muito devassa e impura, suja. Seu corpo estava marcado pelo toque indecente do duque com quem compartilhava os dias e noites desde que descobriu-se doente.

Ela podia ter sonhado tudo aquilo. Não era difícil de imaginar. A doença sucumbiu seu corpo e a devassidão tomou conta de sua mente, então Elizabeth provavelmente sonhara com um duque másculo e sedutor que a beijava e tocava em partes inapropriadas. Com certeza foram sonhos todas aquelas sensações inebriantes causadas pelos dedos de um homem que ela nem imaginava que existia - lindo, forte, nobre, preocupado com a sua satisfação.

Não tinha sido um sonho. A verdade doía em sua cabeça e ela sabia que precisava ir embora.

O miado ainda ecoava em seus ouvidos mas, fora aquilo, não havia nenhum outro ruído no quarto. A porta estava recostada e ela estava sozinha. Ele a respeitara, não insistira para possuí-la, não forçou nenhum outro contato. Provavelmente, Aiden estava irritado com ela.

Daquela vez ela se vestiu dignamente e seguiu o som do miado para encontrou o duque na sala. Ele estava de costas para ela, de frente para a janela, usando uma camisa branca perfeitamente passada e calças de camurça muito justas. Ele tinha pernas enormes e qualquer roupa deveria ficar justa nele. Os cabelos, desarrumados, reluziam sob o pálido sol da manhã. E ele estava alimentando um gatinho.

— Oh, céus, o que é essa coisinha doce?

Aiden virou-se para ela e um sorriso ergueu os cantos de sua boca.

— Bom dia. Esperava que esse danadinho não acordasse a senhora, mas ele parecia faminto.

— É muito gentil do senhor cuidar dele, Alteza.

O duque acariciou o pelo do gato, que pareceu muito confortável com ele, e se virou para Elizabeth. Ela sentiu o cheiro de presunto e chá e entendeu que ele, finalmente, tinha conseguido fazer a comida. Depois do fracasso do dia anterior, aquela parecia uma vitória e tanto.

— Não temos animais domésticos em Thanet Bay. — Ele confessou, colocando uma frigideira cheia de ovos sobre a mesa. — Nem pão fresco nessa casa, portanto espero que ovos e presunto sejam suficientes para um desjejum razoável. Creio que, depois de comermos, podemos caminhar até a mansão.

Ansiedade dominou Elizabeth e fez seu coração disparar. Ela não sabia se era porque ansiava ver os filhos ou porque estava gostando de ficar ali. Depois que cruzassem a porta da casa e se lançassem de volta no mundo exterior, eles voltariam a ser o duque e a criada, o homem de sangue azul e a mãe viúva sem ter onde cair morta. Qualquer coisa que eles tivessem experimentado naqueles dias isolados teria que ficar no passado.

— Será ótimo retornar. — Ela não tinha certeza do que dizia. — Se Vossa Graça quiser, eu posso ir até a casa e pedir que sua carruagem venha lhe buscar. Depois eu pegarei os meninos e deixarei a propriedade.

— Gosto de caminhar. — O homem bebeu um gole de chá e, por Deus, ele ficava lindo de qualquer jeito. Vestido como um lorde que era, ele estava tão magnífico quanto nos outros momentos em que ela o vira praticamente sem roupas. — Mas... por que deixará a propriedade, Elizabeth?

A forma como ele a encarou a fez desejar esconder-se atrás da xícara.

— Porque preciso retomar meu caminho, Alteza. Eu devo achar um lugar para ficar com os meus filhos e...

— Vai recusar trabalhar para mim também? — Ele a olhava com as sobrancelhas unidas, sério, inquisidor. — Vai me rejeitar como homem e como patrão?

— Vossa Graça não pode estar pensando... — Elizabeth bebeu um gole do chá, sentindo a garganta seca. — Eu não o rejeitei, Alteza. — Ela murmurou.

— Não entendo.

Eu não o rejeitei. — Elizabeth disse com mais certeza. — Nem como homem, nem como patrão. Apenas não posso aceitar ser a amante. O senhor não entende, o senhor não faz ideia de como é, para mulheres como eu. Quanto ao emprego, pensei que a oferta tinha sido retirada.

Ele a fitou por mais tempo e ela quis esconder-se debaixo da mesa.

— Nunca mais suponha as coisas por mim. — O tom de voz dele era sério. — Espero que possa ser minha governanta, ainda preciso de uma mulher qualificada para gerir os empregados.

Por aquilo ela não esperava. Os olhos escuros de Aiden a encaravam com ansiedade, esperando uma resposta. Como poderia fazer aquilo funcionar? O que ela sentia por ele era real, não parecia uma tarefa simples ignorar o impacto que o Duque de Shaftesbury causou na vida dela.

— Não sei se devemos fazer isso. Haverá fofocas e a duquesa dificilmente me aceitará. Sou jovem demais para ser uma governanta.

— Mamãe não determina nada na casa há uma década. — O duque começou a recolher a comida de cima da mesa. Ela tentou impedi-lo, tomando as vasilhas da mão dele, mas Aiden demonstrou que gostaria de fazer o trabalho. — Eu quero que seja minha governanta. Pagamos bem aos empregados, pode confirmar com qualquer criado da casa.

Elizabeth precisava decidir, mas não era uma escolha fácil. Ela teria que trabalhar meses na mansão e isso significava ver o duque todo dia. Ou talvez não, poderia ser que ela nem mesmo esbarrasse com ele em uma mansão tão grande. Seu trabalho não seria de contato direto com ele, poderia apenas administrar as empregadas e pronto. Eles precisavam do dinheiro.

Assentiu com a cabeça e foi o suficiente. O duque compreendeu que ela dizia sim para aquela oferta específica, como já tinha dito antes. Trabalhar para ele era tolerável, mesmo que seu corpo o quisesse de outras formas.

Eita que Aiden quer Elizabeth trabalhando para ele de qualquer jeito, e ela acabou aceitando a oferta porque precisa muito

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Eita que Aiden quer Elizabeth trabalhando para ele de qualquer jeito, e ela acabou aceitando a oferta porque precisa muito. 

Quem pensava que, depois do confinamento, eles iriam se separar, estava enganada! Agora eles vão apenas mudar de cenário. 

 

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Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora