XXIV - A gaiola

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Duas semanas depois tudo está diferente. Thiago havia se mudado para a casa de Luan, e Karin encontrara outro apartamento, em um condomínio fechado e muito mais seguro. No começo, ela não queria sair de sua casa, onde morara no último ano. Karin era sempre muito relutante quanto a mudar toda a sua vida por causa de Marco.

Entretanto, daquela vez, a ameaça havia sido muito clara. Marco sabia onde ela morava e, de um jeito ou de outro, tinha acesso ao seu prédio. Ela não queria abrir a porta de seu apartamento, em um dia qualquer, e dar de cara com seu ex ali parado, pronto para finalizar o que começara dois anos antes.

Desde que mandara as flores, Marco não havia mais aparecido. A avó de Karin reforçara o serviço de segurança e confirmara com seus detetives que o homem estava em outro país.

— Mas a distância não o impede de me atormentar.

— O que mais você quer que eu faça, Karin? — Ana Alice está realmente preocupada, soando desesperada, caminhando de um lado para o outro no novo apartamento da neta. Aquilo era raro. — Quer que eu o mate? Você sabe que...

— Não, vó, pelo amor de Deus, né? Ninguém aqui é assassino.

— Mas eu me tornaria uma assassina feliz, se tirasse esse traste do mundo. — Ana Alice empurra algumas caixas de cima do sofá e se senta ao lado de Karin. — Por você, meu amor, eu faço qualquer coisa.

— Até se igualaria a ele? — A moça se afasta da avó e começa a retirar alguns livros de uma das caixas que a cercam.

— Tudo bem! — Ana Alice se levanta e pega a bolsa no meio da bagunça da neta. — Mas a segurança vai ser reforçada.

— Mais?

— Mais! — A senhora é enfática. Não há espaço para discussões ali.

— Tudo bem! — Karin olha para baixo e suspira. Não aguenta mais se aprisionar por causa de Marco. E a situação parece só piorar.

— Karin, meu amor. — Ana Alice se aproxima da neta, abaixando-se para olhá-la nos olhos. — Eu sei que é difícil, mas nós não podemos perder você.

— Eu só... estou cansada, vó.

A campainha toca e Karin dá um pulo. Ainda não se acostumou com o som. A moça caminha até a porta e abre um sorriso quando vê Thiago ali parado.

— Oi, milho, vim ajudar você com a sua mudança! — diz, entrando no apartamento, sem nem ter sido convidado.

— Você é sempre tão... — Ela desiste de completar, assim que vê Thiago congelado na sala. — Essa é a minha avó, Ana Alice! — Karin abre um sorrisinho ao ver que o rapaz ficou completamente sem jeito.

A senhora caminha até Thiago, o analisando da cabeça aos pés.

— E quem é o rapaz?

Ele não responde. Segue parado na sala de Karin, sem saber como reagir.

— Esse é o Thiago, vó. Um amigo!

— Amigo? Sei. — Ana Alice aperta a mão de Thiago, ainda o analisando, depois passa por ele e para em frente à neta. — Há mais de trinta anos, sua mãe fez essa mesma cara quando apresentou um amigo.

— Vó... — Karin ri, constrangida.

— Enfim, já que você tem ajuda, vou aproveitar para ir embora. — Caminha até a porta. — Hoje mesmo vou enviar mais seguranças — diz, antes de sair.

Karin revira os olhos.

— Sua avó é bem... — Thiago tenta encontrar a palavra correta, assim que os dois ficam sozinhos.

Sempre estive aquiOnde as histórias ganham vida. Descobre agora