XXIII - Eu estou aqui

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O barulho da chuva lá fora os acompanha durante toda a madrugada, mas quando amanhece, Thiago vê os raios de sol entrarem através da janela. Ele se levanta do sofá onde dormira por algumas horas e, antes de ver Karin, sabe que ela está fazendo um café.

— Bom dia! — diz, ao vê-la. Ela está parada, atrás do balcão da cozinha, olhando para ele.

— Bom dia! — Karin sorri.

— Que horas são? — questiona.

— Sete e meia.

— Nossa, eu dormi só duas horas. Meu médico não vai ficar nada feliz.

— Acho que seu médico vai entender — ela comenta. — Estou fazendo um café, você gosta?

— Sim. Inclusive, acho que vou comprar um pão. Você tem manteiga aí na sua geladeira milhonária?

— Que tipo de ser humano você acha que eu sou, Thiago?

— Bom, então já volto. — Ele se levanta, pega sua carteira sobre a mesinha de centro ao lado de uma pilha de livros, e caminha até a porta. — Onde tem uma padaria aqui perto?

— Achei que você não fosse perguntar!

A padaria não fica longe, mas Thiago aproveita para ligar para Luan durante o trajeto. Ele precisa contar ao irmão o que houve com Marcela.

— Manito! — Luan sempre parece feliz ao falar com Thiago.

— Mano, eu tenho uma notícia pra te dar. — O rapaz tenta não falar de um jeito muito sério para não preocupar o outro.

— O que foi?

— Eu e Marcela não estamos mais juntos e acho que vou precisar morar na sua casa!

— O quê? — A voz de Luan some. — O que houve?

— Você sabe! A gente já estava separado. — Thiago para de falar, para atravessar a rua, e fica ouvindo a respiração de Luan do outro lado da linha, aparentemente sem saber o que falar. — Até quando vocês vão continuar escondendo coisas de mim? Isso não é legal, mano.

O rapaz dá alguns passos na calçada, enquanto espera o irmão falar alguma coisa. No entanto, Luan parece ter ficado mudo de repente.

— Manito! — o mais novo chama, quando Thiago já está quase na porta da padaria. — Eu sei que a gente não devia ter feito isso, mas...

— Tudo bem, Luan. Deixa pra lá. Não importa mais! Cedo ou tarde as coisas acabam voltando para o lugar.

— Quer que eu vá aí buscar você e suas coisas?

— Quero, mas não agora. Não estou na casa da Marcela.

— Uai, e onde você está?

— Na Karin.

— O quê? — Dessa vez, Thiago consegue ouvir alguma coisa se quebrar. A voz de Luan some, como se tivesse sido retirada da garganta à força.

— Mas calma, não tá acontecendo nada.

— Como assim na Karin? — Luan soa rude, o que deixa o mais velho um pouco apreensivo.

— Não tá acontecendo nada, mano — repete. — Eu só queria conversar com alguém e ela me escuta.

— A Karin — ele começa a dizer algo, mas para. — Bom, mais tarde, vamos buscar você e suas coisas. A não ser que tenha encontrado um lugar melhor...

— Não existe lugar melhor do que incomodar vocês.

— Bom saber!

— Hoje à noite, espero vocês lá na Marcela, aí eu conto certinho tudo o que está acontecendo.

Sempre estive aquiOnde as histórias ganham vida. Descobre agora