XXII - Mesmo que acabe

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Os olhos de Karin observam a rua por muito tempo, depois que o carro que a trouxera até seu prédio vai embora. Ela fica vidrada vendo os raios à distância, se aproximando lentamente.

Karin sabe que a tempestade está chegando.

Mas não fica ali para ver.

Ela pega o celular da bolsa, assim que entra no prédio. Ainda não há mensagens de Thiago. O rapaz ficou calado durante todo o trajeto no carro. De vez em quando comentava algo, mas nada que rendesse assunto.

Karin para de frente para o elevador, sem apertar o botão para chamá-lo.

— A senhora está bem? — o segurança dela pergunta, finalmente se aproximando. É o mesmo do dia anterior.

— Obrigada por ficar distante, Rodrigo!

— Sigo ordens da senhora!

— Então, já sabe: nem um pio com seus colegas e muito menos com a minha avó.

— Eu não seria nem louco!

Ela aperta o botão do elevador e aguarda.

— Vendo de longe, o que você achou?

— Vocês pareciam... — ele demora encontrar a palavra correta. — Combinar. — A porta do elevador se abre. — A senhora quer que eu vá na frente e cheque o andar?

— Não precisa checar tudo, Rodrigo. Pode ficar tranquilo!

— Bom, a senhora que sabe!

— Vai pra casa. O segurança da noite já deve estar chegando.

— Vou subir com a senhora, por precaução. O seguro morreu de velho.

— Mas morreu, né? — Ela entra no elevador e o rapaz a segue, sem responder. — Combinar? — diz, quando a porta se fecha. — Pior que eu acho a mesma coisa. É como se encaixasse.

Karin encosta as costas na parede e passa as mãos no rosto.

— Tem caras legais por aí, dona Karin.

— Eu sei. E é justamente isso o que me preocupa.

A porta do elevador se abre e a moça dá de cara com Rafaela. Ela está sentada na porta da casa de Karin. Os braços em volta das pernas e a cabeça apoiada no joelho dão um tom ainda mais melancólico à cena.

— Rafa? — Karin chama a garota que, em um primeiro momento, não se move.

— Está tudo certo, dona Karin? — Rodrigo pergunta, dando um passo à frente.

— Está sim, pode ir.

— Certeza?

— Sim.

O segurança recua, permanecendo no elevador. Assim que Karin sai, a porta se fecha.

— Rafa? — A moça se aproxima da outra, sentada à sua porta.

— Oi! — Ela levanta a cabeça e olha na direção de Karin. — Eu estava esperando você.

Karin fica esperando que a garota se mova, mas isso não acontece. Então, se senta ao lado de Rafaela e deixa que ela apoie a cabeça em seu ombro.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não! Só queria ver você antes de ir embora.

— Ir embora? Como assim ir embora? E o livro?

— Desisti. Não vou conseguir terminar, você me conhece! — confessa, com a voz sonolenta.

— Você não pode desistir, nós temos um combinado. — Karin mexe o ombro, afastando Rafaela. A garota a olha com um olhar de tristeza.

Sempre estive aquiOnde as histórias ganham vida. Descobre agora