Capítulo 18

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Foi algo rápido mas que durou um ano inteiro. Elizabeth estava de costas para o duque, equilibrando-se para manter sua dignidade enquanto tentava cozinhar nua. Não estava tecnicamente nua, já que havia um grosso tecido sobre ela, mas aquele tecido cobria apenas sua pele desnuda. Talvez aquela condição a deixasse mais vulnerável, porém foi capaz de sentir com exagerado entusiasmo a aproximação de Aiden.

Ele foi silencioso como um fantasma e ficou cinco segundos parado atrás dela antes de tomar uma atitude. Cinco segundos em que o coração dele martelou oito vezes. Elizabeth parou de respirar quando Aiden colocou as mãos em seus cabelos soltos e desarrumados e juntou os fios com os dedos, elaborando uma trança frouxa. Aquelas mãos eram habilidosas demais para um duque. Ele não mentiu quando disse que sabia trançar cabelos.

Depois, segurou o cobertor com as mãos grandes e seus dedos tocaram a pele dela, no pescoço e na clavícula. Elizabeth fechou os olhos enquanto os ovos estalavam na frigideira.

— Confie em mim.

Aiden sussurrou bem próximo ao ouvido dela. Elizabeth quis gritar que sim, ela confiava, apesar de não ter motivos para aquilo. O corpo dela inteiro retumbava com a mera proximidade do duque. Não havia certeza maior em sua realidade - ela queria ser tocada por ele.

Elizabeth soltou o cobertor. O duque o manteve firme no lugar e, juntando as pontas, deu um nó na altura do pescoço dela. O tecido caiu frouxo por seu corpo, não cobrindo exatamente como deveria. Se ela se movesse, o cobertor também se moveria e partes dela ficariam expostas.

Mas, ao menos, permitia que ela tivesse as mãos livres.

— Vou me sentar ali atrás.

O duque se afastou e ela sentiu um frio repentino, como se uma corrente de ar lhe atingisse. A presença dele a envolvia em calor e fazia tempo desde a última vez em que se sentira daquela forma. Provavelmente Elizabeth nunca percebera que sentia falta ou que precisava daquele tipo de calor, mas Aiden Trowsdale estava causando nela um efeito problemático. Estava fazendo com que ela desejasse coisas que não poderia ter.

Cozinhar se tornou mais fácil. Os ovos ficaram com uma aparência ótima e o pão, que ela havia feito no dia anterior, ainda estava macio. Passando um braço pela própria cintura para evitar uma exposição desonrosa, Elizabeth levou a comida até a mesa e se sentou, tentando manter os olhos afastados do duque.

— É sua vez de contar uma história. — O duque disse, cortando o pão com as mãos. Ela tentou evitar os olhos dele, o que não fez nenhuma diferença. Qualquer parte do corpo de Aiden despertava os sentidos de Elizabeth. — Fale-me dos sonhos de Elizabeth Collingworth.

Ela riu. Claro que tinha que rir, mulheres como ela não tinham sonhos. Ao menos ela não tinha mais sonhos, eles foram despedaçados, pisoteados e incinerados quando ela tinha quatorze anos. Tudo pelo que ela foi criada virou pó aos seus pés e ela precisou encarar outra realidade - a de trabalhar por seu sustento e de viver em uma sociedade muito diferente daquela que deveria acolhê-la.

— Quando eu era uma menina, e minha mãe me ensinava coisas sobre o futuro e sobre como eu deveria me portar... quando minha tutora me dava orientações sobre a sociedade e a nobreza... eu tinha um sonho. Era uma coisa tola, mas eu por vezes sentia que poderia atingi-lo.

— E que sonho tolo era esse? Vamos, a senhora não pode começar uma história e não terminá-la.

— Meu sonho era se casar com um duque.

Aiden engasgou com o pedaço de pão que levou à boca. A expressão resoluta de Elizabeth indicava que ela esperava aquela reação.

— Parece o sonho de uma dama. — Ele disse, depois de beber um pouco de chá. Não, ele praticamente virou uma xícara inteira de chá enquanto Elizabeth o fitava preocupada. Aiden tinha a voz rouca, ela não sabia se era por algum incômodo em sua garganta ou se ele estava constrangido com o sonho dela.

— Acontece que eu não sou uma dama. Não mais. Eu tive sonhos, mas Vossa Graça pode perceber que hoje eu apenas luto pela sobrevivência. Naquela época eu era uma menina e eu fui criada para me casar. Hoje eu sou uma mulher adulta e sei que há coisas mais importantes na vida do que escolher maridos aristocratas.

— A sua família, ela... tinha ascendência?

— Não. Mas eu podia conquistar um nobre, claro. Um baronete, talvez, até um visconde poderia ter interesse em desposar uma moça rica com um dote excelente. E eu era refinada, fui treinada para ser uma anfitriã perfeita, uma esposa dedicada. Seria fácil transitar comigo nas festas e bailes, eu não tinha estirpe mas tinha classe. O duque era apenas um sonho, mesmo. Nenhum deles se interessaria por mim. Eu não era boa o bastante.

Elizabeth tinha certeza que jamais se casaria com um duque. Era um título alto demais, havia pretendentes muito melhores do que ela. Duques se casavam com mulheres nobres, filhas de condes ou outros duques. Eles não escolheriam ela, por mais que ela fosse a escolha perfeita. Ainda assim, ela sonhava. Ela sonhou. Aquilo tinha ficado no passado.

— E então o seu pai perdeu tudo.

Ele não precisava de muito esforço para entender a situação.

— E eu perdi meu dote. Sem estirpe e sem dote, a minha vida miserável me conduziu a outros caminhos.

— Lamento. A senhora certamente daria uma ótima esposa para qualquer homem na minha posição.

— O senhor não pode saber disso. — Ela o encarou. Nunca tivera tanta proximidade com um homem a ponto de conversar abertamente com ele sobre aquelas tolices sentimentais. Primeiro, porque nenhum homem queria realmente conversar sobre aqueles assuntos. Segundo, porque ela não se sentia confortável em falar deles. — Só me conheceu em posição de subserviência, como uma criada. Talvez possa acreditar que eu seja uma boa ama de companhia, ou tutora, ou até mesmo governanta. Mas, esposa?

Aiden riu e terminou de comer o que havia em seu prato. A luz da vela que estava sobre a mesa bruxuleava em seu semblante rígido, amenizado por um breve sorriso nos lábios perfeitos.

— Tem razão. Mas eu suspeito que minhas impressões estejam corretas.

Ah, então Elizabeth já sonhou se casar com um duque, hem? Hm

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Ah, então Elizabeth já sonhou se casar com um duque, hem? Hm... tenho uma leve suspeita que esse sonho da adolescência pode se realizar, e vocês? 

 tenho uma leve suspeita que esse sonho da adolescência pode se realizar, e vocês? 

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Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora