Capítulo 17

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Um dia passou sem que o duque sucumbisse ao desejo inadmissível que seu corpo sentia por aquela mulher. Ele tentou afastá-la de todas as formas, buscando se convencer de que ela era inadequada, uma plebeia, viúva. Que ela não poderia oferecer a ele nada além do que todas as outras já lhe tinham oferecido, mas isso não surtiu efeito. Toda vez que ela respirava perto dele, Aiden relembrava o beijo breve que compartilharam e desejava beijá-la novamente.

O último dia de isolamento começou com Elizabeth chateada. Ela não levantou cedo da cama, como fizera das outras vezes, nem perambulou pelo gramado exterior. Não preparou o desjejum nem se incomodou em deixar o quarto. Aiden deveria comemorar não precisar resistir à tentação dourada que o provocava a cada segundo desde que seus olhares cruzaram naquela estalagem, mas havia algo errado com aquela reclusão.

Já passava do meio dia quando ele decidiu fazer alguma coisa. Um Trowsdale raramente fugia de uma dificuldade e ele fora ensinado a enfrentar todos os desafios. Dobrou as mangas da camisa, abriu alguns botões no colarinho e decidiu preparar ovos com presunto. Ele já a vira fazer aquilo por três vezes, não devia ser tão difícil.

Mas era quase impossível. As duas primeiras tentativas representaram ovos queimados. Aiden também não obteve muito sucesso preparando um chá, já que ele não sabia como fazer a infusão. Ferveu água, mergulhou as ervas, e aquilo simplesmente não parecia certo. Já estava se sentindo frustrado e com sua virilidade ferida por não conseguir superar as mínimas habilidades de uma mulher quando ela abriu a porta e apareceu.

— Está tentando colocar fogo na casa?

A voz dela estava embargada, porém divertida. Elizabeth estava enrolada em um cobertor e tinha os cabelos despenteados. Não havia nenhum resquício de vaidade feminina naquela figura pálida que se mostrava para Aiden, mesmo assim ele nunca vira nada tão belo à sua frente.

— Não creio que eu seja capaz, já que não consegui nem mesmo ferver um chá. Aparentemente, colocar fogo em qualquer coisa é uma tarefa complexa demais para um duque realizar.

Ela se aproximou e mexeu o chá que estava em infusão, ainda. Provou um pouco e franziu a testa, encarando o duque com uma expressão que o deixou apreensivo. Era surreal que ele tivesse expectativa pela aprovação daquela mulher, que ele desejasse fazer qualquer coisa certa para que ela gostasse.

— Basta coar, agora. O sabor muito bom, é camomila?

— Sim, há muitas flores logo aqui perto. Eu gosto bastante de camomila.

— Ora. — Ela ergueu as sobrancelhas em uma expressão surpresa. — O senhor colheu flores, Alteza?

Apesar da aparente normalidade que o olhar dela transmitia, Aiden pressentiu que Elizabeth não estava bem. Aquela mulher tinha se mostrado forte e lutadora durante a doença, mesmo sucumbindo à febre. Ela cuidou dele, ele cuidou dela, os dois compartilharam momentos intensos demais e aquilo deu a ele conhecimento sobre coisas que não pretendia conhecer. A frequência de sua respiração, o som de sua voz, o olhar altivo e sempre alerta. Algumas dessas coisas estavam diferentes.

— A senhora está se sentindo bem?

Aiden continuou insistindo em preparar os ovos enquanto aguardava que ela lhe respondesse. A quarta tentativa deveria ser a da sorte.

— Não estou. — Ela por fim confessou, longos segundos depois. — Tenho saudades dos meus filhos. E não tenho nada para vestir.

Os ovos que estavam nas mãos de Aiden caíram na frigideira, com casca e tudo. Ele bateu no cabo de metal quente e queimou a mão, derrubando tudo pelo chão. Virou-se repentinamente para a mulher enrolada em um cobertor. Ela estava nua por baixo daquele tecido grosso? Não havia nenhuma peça de roupas entre eles? Se havia um jeito de distraí-lo e causar um incêndio na casa, Elizabeth tinha descoberto sem muito esforço.

— Suas roupas não secaram?

Ele tentou recolher a bagunça e ela se abaixou para ajudar, tentando segurar o cobertor com uma mão, apenas. As pernas dela ficaram expostas e Aiden jogou o corpo para trás, batendo a cabeça no fogão à lenha.

— Secaram, mas estão cheirando a... não sei, estão com um cheiro horrível. E minha camisola estava muito antiga, acabou rasgando quando tentei lavá-la, hoje cedo.

O duque não acreditava que nada dela pudesse ter um cheiro horrível. Ali, naquele instante, a proximidade fazia com que ele sentisse o aroma de sabão que exalava do corpo de Elizabeth. E tinha as malditas gardênias, de onde aquele cheiro surgia?

— Vou mandar que lhe tragam roupas limpas. — Aiden levantou. — Apesar de... eu não tenho como chamar os criados daqui. Isso pode ser um problema.

— Está tudo bem, Alteza. — Ela sorriu e tomou a frigideira da mão dele, recolocando sobre o fogão. Depois, pegou um pano escurecido e umedeceu em água para limpar o chão, que era de pedra. Tudo aquilo com uma mão segurando aquele cobertor enrolado nos ombros. — Amanhã estaremos liberados para seguir nossos caminhos. Deixe-me fazer isso.

Ela parecia realmente disposta a cozinhar naquelas condições. Aiden não impediria, já que tinha fome, mas ele podia ajudá-la de alguma forma.

Acho que Elizabeth vestindo um cobertor apenas não vai ajudar muito o nosso querido Duque de Shaftesbury a se controlar

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Acho que Elizabeth vestindo um cobertor apenas não vai ajudar muito o nosso querido Duque de Shaftesbury a se controlar. 

Aguardem o drama, quero dizer, as cenas do próximo capítulo!!

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