Capítulo 16

323 73 49

A perda completa do juízo deveria ser um dos sintomas da Escarlatina. Depois de beijar a mulher que convalescia com ele, Aiden ainda a contratou para trabalhar na mansão durante o verão. Aquilo tinha tudo para dar muito errado e ele simplesmente ignorou todos os riscos e ofereceu a Elizabeth um emprego de governanta na casa em Thanet Bay.

Sua mãe definitivamente tornaria a sua vida muito difícil. Ela sabia que precisavam de uma governanta, mas a duquesa tinha um faro para os problemas que o filho arrumava. Elizabeth Collingworth era o maior deles.

Não teve tempo de pensar na besteira que fez porque, depois da visita de Edward, uma carruagem se aproximou com o doutor Davies para examiná-los. Fazia horas que se sentia bem e, se tivera febre, não era alta. O médico concordou que os sintomas estavam desaparecendo e que a saúde dele estava sendo recuperada. Era uma forma branda da doença, por sorte. Mesmo assim, Davies recomendou que ainda ficassem pelo menos dois dias em isolamento.

— Vou morrer de tédio em dois dias. — O duque reclamou, abotoando a camisa branca de linho.

— Ora, Alteza, não seja melodramático. Faça o que sabe fazer de melhor nesse tempo: absolutamente nada.

Aiden rosnou para o médico e expulsou-o do quarto. Se Davies não fosse um amigo antigo, ele o puniria por falar daquela forma desrespeitosa. Mas afinal, o homem estava certo - duques e outros nobres usufruíam de longos períodos contemplativos. A nobreza não trabalhava, não costumava mover um músculo para fazer o que queria. Existiam criados, afinal.

Mas ele era diferente. Aprendeu que o valor do dinheiro estava em ganhá-lo justamente. Conhecia vários herdeiros que já tinham começado a desperdiçar suas fortunas em jogos, mulheres e outras diversões profanas. Sabia de vários nobres que vivam apenas com as propriedades inalienáveis, porque já tinham consumido todo o patrimônio que podiam vender. Aiden trabalhava desde que saira da faculdade e já tinha, com a ajuda do pai, mais do que quadruplicado o patrimônio dos Trowsdale. A família gozava de imensa fortuna e ele pretendia investir ainda mais.

Também gostava de se exercitar. Praticava vários esportes, todos ao ar livre, e gostava de seu corpo em movimento. Costumava cavalgar para sentir o vento em suas roupas e cabelos assim como acordava cedo para correr e aproveitar as primeiras horas da manhã e a energia que elas portavam. Eram hábitos bastante incomuns para um duque, dos quais ele se orgulhava bastante.

Seu melhor amigo, o conde, o acompanhava em suas atividades. Também era o Edward que o auxiliava no relacionamento com homens de negócios. Aiden sabia que a nobreza se tornaria obsoleta de alguma forma e que os empreendedores engoliriam a Inglaterra. Com o aproximar do novo século, as coisas estavam mudando muito rapidamente, principalmente no continente. Ele já tinha estreitado relações com dois negociantes e um fabricante de locomotivas.

Sim, ele poderia morrer de tédio em dois dias, mas a mulher do quarto ao lado não permitiria que isso acontecesse. Talvez ela o matasse de desejo.

Quando Davies foi embora, deixou com Elizabeth Collingworth as mesmas recomendações: dois dias a mais de isolamento, evitar atividades extenuantes, repousar. Aiden sabia porque ouvira a conversa, porém a mulher não reapareceu - manteve-se trancada em seu quarto até a noite cair sobre a casa. Ninguém mais tentou contato com eles nem os incomodou e o duque acabou adormecendo enquanto a luz do dia se esvaía.

Ele teve certeza que sonhou com gardênias e cabelos da cor do sol. Jurava que no sonho havia risadas, vozes sensuais e uma mulher ofegante sob seu corpo. Acordou horas depois sentido muita fome e o corpo quente e dolorido. A febre voltara, mesmo que branda. Sentindo um mal estar incômodo e muita dor de cabeça, Aiden foi até a sala para perceber que a lareira estava com mais lenha, havia sopa fumegante sobre o fogão e algumas lamparinas acesas.

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora