Sam

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''Você é louca!'' grita o estranho garoto irritante - que eu sequer lembro o nome - enquanto eu viro mais um shot de tequila após concordar com seu desafio idiota de ver quem consegue virar mais em dois minutos. Estou bebendo a noite inteira e todas as noites, não acredito que um idiota engomadinho como ele acha que consegue me embebedar, conheço bem caras como esse.

O cara para no segundo shot, enquanto eu termino o meu quinto, ou sexto, sei lá.
''Bom, valeu a intenção, mas você é fraco demais.'' Digo, enquanto me levanto do banco e me afasto do balcão da cozinha dessa fraternidade lotada.

O estranho se levanta, apoiando sua mão em meu braço, o que faz com que eu o encare. ''Mas você já vai? Bebe mais um pouco, vamos nos divertir... Você vai ver que posso ser bem mais que apenas um parceiro de copo.'' Bingo! O doidão estava mesmo tentando me deixar bêbada.

''Não somos parceiros, e você não me diverte'' desvio meu braço de seu toque, sorrio para o desconhecido da forma mais cínica que consigo e me afasto enquanto me delicio com a sensação de deixá-lo na vontade de algo que jamais terá.

Caminho pela grande casa submersa por adolescentes chapados e com os hormônios a flor da pele. Não posso negar que gosto dessas festas de fraternidade com copos vermelhos e bebidas baratas, é um símbolo da juventude louca que eu sempre quis, e que pretendo manter.

Procuro por Megan para que possamos ir embora, está tarde e amanhã acordo cedo para a faculdade. Ela provavelmente está em algum desses corredores se pegando com alguma líder de torcida ou algo do tipo.

Enquanto ando, recebo alguns olhares de homens que sequer se dão ao trabalho de desviar o olhar quando os encaro de volta. Retorno a cozinha, após fracassar na missão de encontrar Megan.

Ligações foram feitas para seu celular, sem sucesso. Se a vadia foi embora com alguma garota e nem se deu ao trabalho de me avisar, ela que me aguarde!

Decido beber enquanto espero mais um pouco, então me sento novamente ao balcão -dessa vez, sem o estranho desconhecido- e pego um copo, virando instantaneamente um líquido vermelho de uma garrafinha que provavelmente é alguma cachaça barata.

Olho ao redor, enquanto sinto o ardor que desce pela minha garganta após cada golada da bebida. Me sinto anestesiada pelo álcool que entra em meu corpo, é assustador e prazeroso o efeito que o líquido causa em mim.

Observo as pessoas; vejo garotas que obviamente ainda não sabem do poder que têm, implorando por atenção enquanto usam seu decote para conseguir o que querem. Nada contra.

Os garotos por sua vez, como sempre, exalam sua masculinidade enquanto explanam entre si quem foi a vítima da noite passada, e contam com detalhes, como eles as recusaram na manhã seguinte.

Finalmente, após longos vinte e poucos minutos, vejo uma mulher alta, com longos cabelos cacheados e pele escura passar pelo corredor e sair pela porta da frente, é Megan.
Me levanto o mais rápido que posso e viro o resto da substância vermelha em meu copo enquanto saio com ele. Eu é que não vou desperdiçar o resto da bebida.

O corredor que leva até a porta está lotado de gente conversando e dançando essa música ridícula, que mais me parece um ruído do que uma canção. Tento desviar das pessoas ou simplesmente abrir caminho para que eu possa finalmente chegar até minha amiga.

Seguro meu copo na altura do colo, tentando não derramar, mas é quando de repente, alguém surge na minha frente às gargalhadas e sem ao menos olhar para frente.

Levo um esbarrão, o que faz com que a bebida entorne em cima de mim, e consequentemente, em cima da pessoa. Porra.

Olho para a cara do idiota e o idiota olha para a minha cara, quando penso em dizer algo, o grosseiro é mais rápido.

''Isso é sério, garota? Porra!'' Mas que merda ele está dizendo? Quem esbarrou em mim foi ele.

Após reparar na sujeira que ele fez na minha blusa, imperceptível por ser preta, viro para o garoto que parece ter quase dois metros de altura e grito enquanto tento não olhar fixamente em seus lindos olhos verdes ''Está brincando? Quem não estava olhando para frente era você!'' Observo a mancha que ficou em sua camisa cinza e fico grata por não ter sido a única molhada na história.

''Se você não estivesse correndo igual uma louca, isso não teria acontecido'' Diz o garoto enquanto passa a mão pelo cabelo com o corte perfeito.

''Existe uma grande diferença entre andar rápido e correr'' Rebato.

Desvio do menino bonito e claramente sem noção e finalmente chego à porta, não olho para trás e nem dou a ele tempo de me responder alguma coisa idiota mais uma vez.

Um babaca. Um babaca como todos os outros dessas festas idiotas. Olho para a calçada, procurando pela pessoa por quem toda essa merda se deu início, Megan.

Não demoro muito até encontrá-la. Me encaminho até ela e peço mentalmente para que a minha amiga não tenha nenhuma outra idéia, senão irmos para casa.

RESILIENTE Where stories live. Discover now