Capítulo 13

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Os homens reunidos em Greenwood Park eram todos de um círculo curioso de amizade. Todos muito ricos, a maioria rejeitada por uma sociedade que só valorizava o sangue azul. Edward McFadden, o Conde de Cornwall, era o centro das atenções por ser o anfitrião do pequeno encontro. O conde recebera seus convidados com um brunch farto, repleto de pães, carnes temperadas e muito uísque. Estavam presentes o Visconde de Whitby, o Sr. Sawbridge, industriário no ramo de locomotivas, o Sr. Hartright, investidor e importador de produtos das Índias, e o Sr. Riderhood, dono de um dos maiores clubes de aposta de Londres.

Todos eles tinham em comum o projeto de revitalização de uma área em Shadwell, que pretendia atrair lojistas e famílias de classe média, além de viajantes e estrangeiros que visitassem a cidade. Alguns eram amigos há mais tempo, como o conde e Sawbridge, que tinham a mesma idade e frequentaram a mesma escola.

— Aonde está Shaftesbury?

Foi a questão levantada por Riderhood. O duque nunca perdia aqueles encontros de negócios.

— Fiquei sabendo que ele está doente. — Edward serviu do seu melhor vinho do porto para os cavalheiros, depois que estavam recolhidos no escritório. — Não me explicaram direito, mas parece que é contagioso.

— Ele está doente. — Sawbridge disse. — E há muitas fofocas sobre as condições me que nosso amigo se encontra. Parece que ele está comprometendo a integridade de uma mulher.

— Isso parece com algo que ele faria. — Hartright não tinha a melhor das considerações pelo duque. Apesar da diferença de origem entre eles, o investidor era um homem muito religioso e devotado à família. A vida de perversão e libertinagem de Aiden Trowsdale o incomodava. — Quem é a mulher, as fofocas dizem?

— Não, apenas sabemos que eles estão confinados. Os dois, apenas, sozinhos.

— Isso é um escândalo, mas nosso amigo vai superar. Temos que continuar as negociações até que ele esteja apto a retornar para nossa presença.

Edward manteve os ouvidos atentos ao que conversavam os homens, porém seus pensamentos estavam no amigo duque e no que poderia estar acontecendo. Apesar do que pensavam de Aiden, principalmente em relação à sua capacidade de arruinar mulheres, ele sabia que o duque não era uma pessoa tão depravada. Aiden não costumava se envolver com virgens incautas, ele se relacionava com prostitutas ou mulheres livres que desejavam tornar-se amante de um nobre.

Se ele estava doente e trancafiado com uma mulher, aquilo poderia não causar nenhum prejuízo à sua reputação já muito arranhada. Mas, se fosse uma dama honrada, se a reputação dela estivesse me risco, talvez o duque se visse forçado a casar-se com ela para reparar o dano. Edward precisava saber melhor sobre isso.

Quando o dia seguinte chegou, ele decidiu ir até Thanet Bay ter notícias do duque. Pediu que selassem seu cavalo e se preparou para ir à propriedade do amigo, já preocupado em como a duquesa viúva estaria em razão de tantas fofocas circulando.

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A presença de Lady Caroline Eckley, em qualquer situação, era sempre equivalente a um fenômeno da natureza. Ela podia ser comparada a um furacão ou maremoto com grande facilidade. Quando ela entrou na mansão em Greenwood Park naquela manhã, tratando os criados como se fossem os dela e agindo como a dona da casa, o Conde de Cornwall considerou que estivera se preocupando com as pessoas erradas.

O caos na vida de Aiden Trowsdale tinha um metro e meio de altura, cabelos escuros como o ébano e olhos castanhos. Agia como uma dama e tinha nas veias o sangue dos Granville, mas nunca se casara nem demonstrara desejo em fazê-lo.

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora