Capítulo 11

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Já fazia três dias que Agatha estava em Thanet Bay e ela ainda não tivera notícias de Aiden. O irmão estava confinado em uma estalagem, no meio do caminho para Londres e os criados apenas disseram que ele continuava dando ordens e mandando como um duque. Bem, era o que ele era, mas Agatha o enxergava de outra forma. A maturidade a fez compreender o irmão e perceber que ele era, no fundo, uma alma solitária que não sabia muito bem como se aproximar das pessoas. Então ele usava sua autoridade sobre elas.

— John. — Ela interpelou o criado no jardim. O sol em Kent estava agradável e o ar era limpo. As flores brancas e amarelas cobriam quase todo o arredor da enorme casa e o gramado estava de um verde vivo esfuziante. — Preciso que prepare a carruagem, vou ver o duque.

— Lady Agatha, temos ordens expressas de Vossa Graça para que a senhorita não saia da propriedade.

— Bem, se você não preparar a carruagem, vou montar em um cavalo e vou assim mesmo. — Ela colocou a mão na cintura e encarou o criado, que esfregou a cabeça com desânimo. — Entenda, eu preciso de notícias dele. Preciso falar com ele. Não vou fazer nada arriscado.

John fez uma reverência e saiu. Era muito difícil convencer Lady Agatha de qualquer coisa quando ela não queria ser convencida. Logo, a carruagem estava pronta esperando e conduziu a lady e sua dama de companhia até onde Aiden Trowsdale estava. Ela entrou estalagem adentro e, antes de chegar até à casa dos fundos, foi interpelada pelo estalajadeiro. O homem pequeno e barrigudo arrumava os bigodes enormes com os dedos. Ele tinha uma aparência horrível, parecia um enfeite de jardim mal feito e mal pintado.

Ele queria lembrá-la que a conta do irmão estava alta e que ele temia que, com a morte do duque, não recebesse o que lhe era devido.

— Meu irmão não vai morrer, isso eu lhe asseguro.

— Mas a Escarlatina é uma doença grave, milady. — O homem insistiu. — Por que não fazemos o seguinte: a senhorita me paga o que o duque deve até agora e depois ajustamos o restante. Claro que terá que pagar a parte da mulher também, já que ela parece não ter onde cair morta.

— O senhor é uma pessoa odiosa. — Agatha moveu os ombros e olhou para sua criada com desânimo. — Mais interessado pelo dinheiro do que pela vida das pessoas. Não se preocupe, eu pagarei o que o senhor tem a receber. Dou a minha palavra.

Mesmo com a promessa, o estalajadeiro seguiu Agatha. Para ele, a palavra de uma mulher não valesse nada. Claro que, se Aiden morresse, ela não seria sua herdeira. Mas Agatha tinha certeza que o irmão garantira a ela e à mãe uma forma de subsistência, por testamento. Ele tinha certeza que ela se casaria e teria uma confortável vida ao lado de um nobre endinheirado, mas Agatha preferia acreditar que o irmão não contara com a sorte e deixara um testamento em seu favor.

Geoffrey estava na porta do quarto com as costas recostadas na madeira.

Milady. — O jovem criado levantou-se ao ver Agatha se aproximar, marchando firme com o estalajadeiro e uma criada atrás dela.

— Como está o duque, Geoffrey?

— Em silêncio, milady. Desde ontem ele não bate na porta nem atende meus chamados. Já insisti e insisti e nada. Eu troquei com o Granger, mandei o menino descansa e estou aguardando ser solicitado por Vossa Graça. Mas confesso que estou preocupado.

Agatha não disse nada, apenas bateu delicadamente à porta. Como não obteve resposta, bateu mais forte. E por fim, esmurrou a madeira na intenção de ser ouvida, sem muito sucesso. Não havia um som vindo de dentro do quarto.

— Preciso entrar. — Ela disse, virando-se para o estalajadeiro. — Faça valer o dinheiro que receberá e abra essa porta.

— O quarto está em isolamento, senhora. Não devemos entrar até que...

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora