Capítulo 09

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Cuidar de Aiden Trowsdale poderia ter parecido uma ideia razoável no início, mas se transformou na coisa mais imprópria que Elizabeth já fizera em toda a sua vida. Ela chegou a duvidar de suas intenções gentis depois que seus dedos se perderam na pele e nos cabelos daquele homem que personificava o pecado.

Claro que ele era um duque e os nobres não estava acostumados a fazer nada por si próprios. Mas ela exagerou.

Não precisava lavar suas costas. Nem seus cabelos. Mas o fez mesmo assim, sabendo que aquilo despertaria sensações que ela já tinha esquecido há muito tempo. Na verdade, eram sensações completamente novas. Por mais que ela e o falecido Gregory tivessem um relacionamento bastante romântico, Elizabeth não se lembrava de ter sentido aquela sensação que fazia com que as borboletas em seu estômago se agitassem.

Elizabeth estava acostumada a cuidar de pessoas. Ela passara boa parte de sua vida, até então, cuidando da família. Do marido, dos filhos. Dos patrões. Cuidar do Duque de Shaftesbury não deveria ser tão difícil. 

— Obrigado.

A voz do duque fez com que ela se sobressaltasse em seus devaneios. Elizabeth estava na saleta, ajeitando a comida do desjejum, mesmo que seu corpo não estivesse interessado em comida.

— Não precisa agradecer, Alteza. Afinal...

Ele estava muito perto dela e aquilo fez o coração de Elizabeth disparar, martelando incessante em seu peito.

— Se me permitir retribuir, eu gostaria de trançar seu cabelo.

Elizabeth virou-se repentinamente, segurando um prato com pães, presunto e ovos. Seus olhos esbugalhados indicavam que ela não estava entendendo a suavidade daquele homem que, até então, só tinha blasfemado e dado ordens.

— E o senhor sabe trançar cabelos?

— Ter uma irmã muito mais nova e uma mãe muito pouco afetuosa faz com que aprendamos algumas coisas.

— Mas havia criados para isso. Sua irmã não tinha uma tutora?

— Nós temos dúzias de criados, mas Agatha sempre foi apegada a mim.

Ela deu uma risada curta e estendeu ao duque a comida que acabara de servir. Elizabeth precisava de qualquer coisa para reduzir aquela intimidade entre eles, mas apostava que a reclusão só faria com que se aproximassem mais.

— Vamos comer, primeiro. Depois, precisamos descansar, como mandou o doutor. Não precisarei de tranças, por enquanto.

Mas comer foi difícil enquanto sua garganta doía, seu corpo estava ainda exausto e sua mente girava sem parar pensando em todas as coisas impróprias que ela queria que o duque fizesse com ela. Era tudo certamente por causa dos delírios da febre.

Elizabeth não era uma donzela, menos ainda uma dama, mesmo assim ela não saía deitando com todos os homens de Londres. Depois do marido, ela nunca mais teve um amante. E, cada vez que Aiden Trowsdale levava um pãozinho à boca, ela desejava que ele deitasse aquela boca sobre a dela. Desejava aquelas mãos em seu corpo. Desejava aquele corpo sob o seu.

Céus, e ela o conhecia há um dia. Um mísero dia era suficiente para fazê-la desejar que aquele homem fizesse coisas impróprias com ela. No mais, a doença não deveria abatê-la o suficiente para que não sucumbisse àqueles desejos impuros?

— O senhor deveria se deitar.

Ela sugeriu, recolhendo os pratos e empilhando a louça. O duque, parecendo ainda bastante afetado pela febre, levantou-se cambaleante e desapareceu pelo quarto. Elizabeth bateu à porta e lá estava Granger, o criado que tinha passado a noite em um corredor e estava passando o dia sentado no chão frio. Aquilo era fidelidade ao seu patrão, mas ela não podia evitar sentir-se mal pelo menino.

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora