Capítulo 08

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— Se o senhor quiser, pode tomar um banho também.

A voz da tentação ecoou nos ouvidos de Aiden. Há segundos ele estava a ponto de fazer uma besteira e não sabia como tinha resistido. Entrou no quarto na intenção de vê-la nua, ele queria ver aquele corpo perfeito por inteiro mesmo que estivesse doente. Aquela era a atitude de um devasso, de um homem que não respeitava as mulheres - e ele não as respeitava muito, mesmo. E aquela em especial o fez perder o senso desde a primeira troca de olhares.

Pelo menos ela tinha se vestido, ou quase. Estava com uma camisola e nada mais, o que significa que todo acesso àqueles seios estava ali, ao seu alcance. Seria muito tempo sem uma mulher em sua cama? Será que Aiden estava em uma abstinência muito longa e isso o estava afetando?

— Vou prepará-lo para o senhor.

— Posso preparar meu próprio banho. — Ele disse, sem saber exatamente por quê. Ele não costumava nem preparar a roupa que vestiria, quanto mais um banho. Nunca fizera isso em toda a vida. E ela sabia, porque o risinho em sua boca vermelha dissera aquilo.

— Está tudo bem, Alteza. No final, a água fria fez com que minha temperatura abaixasse e estou me sentindo melhor.

A deusa dourada voltou para o quarto e ele notou seus cabelos soltos, caindo por sobre os ombros. Ela desfez a trança para tomar banho e obviamente não tinha ninguém para refazê-la. Nem fazia qualquer diferença cobri-los com uma touca. O duque ouviu barulho de água e Granger trouxe a comida - o desjejum. Os dois combinaram um código, já que o duque estava confinado àquele quarto até segunda ordem do médico - sempre que precisassem se falar, Aiden bateria. Ele não queria as pessoas entrando no quarto sem necessidade.

O criado teria que ficar o dia inteiro na porta, mas o duque decidiu que um pagamento extra o compensaria. Ele também pediu notícias de Agatha, queria saber se mais alguém tinha adoecido em Thanet Bay. Achou prudente não querer nenhuma informação sobre a duquesa, porque ela provavelmente estava esbravejando e praguejando - mesmo que duquesas não esbravejassem nem praguejassem - porque o filho estava preso em uma estalagem com uma qualquer. Depois de colocar toda a comida para dentro, sentiu novamente o cansaço da doença e imaginou que Elizabeth tinha razão - ele precisava de um banho, como ela.

— Está pronto. — Ela reapareceu na saleta e viu a mesinha cheia de iguarias, presunto e chá. — Vejo que ficar reclusa com um duque tem suas vantagens, afinal. Eu nunca seria servida dessa forma, ainda mais se estivesse doente.

— A senhora pode comer, se quiser.

— Sou grata. — Ela sorriu e era um sorriso perfeito. Merecia uma moldura. Ele sentiu um incômodo na região da virilha e rezou secretamente para que Elizabeth não prestasse nenhuma atenção à anatomia masculina. Aquela parte em questão estava um tanto quanto alterada. — Agora venha ou a água vai ficar gelada.

Com alguma hesitação, ela segurou-o pela mão e o puxou para o quarto. Quando uma mulher fazia isso, ela geralmente o estava chamando para deitar em sua cama. Não era aquele o caso, mas ele não se importaria. Ou se importaria, já que nada daquilo era para acontecer.

— Depois que o senhor se despir e entrar na banheira, me avise.

Ela virou de costas e o duque olhou para seu próprio corpo. Ele geralmente tinha orgulho de sua forma física e sua virilidade, mas estava enfraquecido e todo manchado de vermelho. Podia fingir que não se sentia mal, mas tudo que queria era baixar aquela febre e dormir o dia inteiro. Fez o que ela pediu, arrancou as calças e se enfiou na banheira.

— Maldição! — Praguejou ao sentar no gelo. — A senhora chegou a esquentar essa água?

Elizabeth virou-se ainda com aquele sorriso nos lábios e Aiden nem tinha terminado de se ajeitar na água. Ela não olhava para ele, apenas pegou a toalha e colocou sobre a banheira, cobrindo praticamente toda a masculinidade quase exposta. Era como se ela já tivesse passado por aquilo algumas vezes e soubesse exatamente o que fazer.

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora