Capítulo 04

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— Oh! — Agatha assustou-se e colocou a mão na boca. As pessoas se afastaram. A epidemia deixou todos muito apavorados, já que a última, de cólera, matou trinta por cento da população de Londres.

Mas Aiden não teve tempo de pensar que aquela mulher pudesse estar doente. Ele apenas precisou segurá-la em seus braços quando ela desfaleceu, não podia deixar que caísse ao chão e se machucasse. Em um movimento rápido, ergueu-a e procurou um lugar onde pudesse estender seu corpo inerte. Ela não pesava muito mais do que a metade do seu próprio peso.

— Ela não pode ficar aqui no meu salão!

Um homem se aproximou do duque, que o olhou de cima para baixo. Aiden era alto, muito alto, e aquilo fazia com que quase todas as pessoas lhe parecessem minúsculas.

— Além de explorar as pessoas, o senhor não tem um pingo de humanidade? — Agatha se enfureceu. Pronto, lá estava a personificação do diabo tomando forma nas bochechas vermelhas da irmã. Ela fechou as mãos enluvadas em punhos e marchou na direção do dono da estalagem. — Ela desmaiou de fraqueza porque você não deixou que ela comesse!

Novamente o burburinho cresceu e aquele falatório estava deixando Aiden com dor de cabeça. Ele acomodou a mulher em seus braços, já que ela não dava sinais de que acordaria, e encarou o homem de meia idade que tinha segurava um monóculo para enxergar Agatha melhor. Talvez ele se arrependesse disso, depois. Sua irmã sabia ser assustadora quando queria - e isso era quase sempre.

— Dê-me um quarto. — Aiden disse. Sua voz grave retumbou pelo salão e as pessoas pararam de falar. O dono da estalagem olhou para o duque com um brilho dourado nos olhos. Um nobre nunca pedia algo, ele sempre ordenava. E pagava bem.

— George! — O homem gritou e o menino magricela apareceu. — Leve este senhor à casa dos fundos.

Com um movimento de cabeça que indicava um "sim senhor", o garoto pediu que o duque o seguisse. Antes que Aiden pudesse dar o segundo passo, uma voz estridente veio gritando em sua direção.

— Mamãe! Aonde você vai levá-la?

Patrick segurava Peter pela mão e ambos tinham a boca suja de algum doce, que tinham obtido de um hóspede gentil. Agatha se aproximou dos garotos e eles olharam para ela como se pedissem respostas. Aiden não entendeu, eles chamavam a mulher em seus braços de mãe? Mas ela não podia ser mãe deles, ela não podia ter idade para ser a mãe de ninguém.

— Sua mãe desmaiou. — Agatha disse para o garoto, ajoelhando-se até ficar de sua altura. — Meu irmão irá levá-la para o quarto para que possa descansar. Vamos juntos?

Patrick concordou e Agatha indicou que era para prosseguirem. A casa dos fundos era composta por dois ambientes e era suntuosa demais para uma estalagem que não abrigava a nobreza. Havia uma antessala com um aparador e dois sofás, além de uma lareira que estava apagada, e um quarto com uma cama bastante grande, emoldurada por um dossel imenso com cortinas aveludadas. Aiden depositou a mulher sobre os lençóis brancos e desamassou a roupa com as mãos enluvadas.

— Os meninos não podem ficar sozinhos com ela desmaiada. — Agatha disse, depois que o duque a encontrou na antessala. Os garotos estavam agarrados à saia da irmã como se ela estivesse responsável por protegê-los.

— Agatha, como você conhece essas pessoas? — Aiden perguntou, aproveitando para se servir de uma dose de uísque. Pelo bom Deus, como ele precisava de uma bebida. Ainda bem que aquele quarto era adequado às suas necessidades. O homem que atendeu sua ordem era esperto.

— Eu os recolhi na estrada. Estava fugindo da epidemia e trouxe-os até a estalagem. Eu ia convidá-la para um chá em Thanet Bay quando você chegou.

Um Duque para chamar de meuOnde as histórias ganham vida. Descobre agora