Capítulo 12

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" Sentada de frente para a garotinha há uma senhora, no meio delas tinha uma mesa redonda e antiga mas bonita. Um bule com chá, duas xícaras cheias e um pratinho, redondo de porcelana, com biscoitos caseiros compõe essa pequena mesa.

A senhora tinha uma postura elegante e possui muitas lições de vida, já que foi alguém que sofreu para chegar onde está hoje. Por isso, sempre lembrava seus queridos netos e netas, a importância de não deixar ninguém tomar sua vida como se fosse uma marionete de madeira, fácil de controlar.

— Pequena Ellie, lembre-se, nunca deixe ninguém trancar seus sonhos em uma caixa que você não tem posse da chave. Na verdade, não deixe ninguém destruir seus sonhos, nem mesmo você. Jamais será fácil, e o resultado final será fruto de seus esforços durante o processo.

— Lembre-se das palavras da vovó, Ellie. "

Acordo com os primeiros raios solares incomodando minhas pálpebras fechadas, esses sonhos ou quem sabe lembranças estão rondando minha mente ultimamente. Levanto minha cabeça da mesa, me espreguiçando em seguida e criando coragem para arrastar o meu corpo para um novo dia.

" Acho que fiquei analisando os auto retratos de Kim Taehyung demais ." — na tela do computador uma foto está aberta, um auto retrato simples, Taehyung usa uma blusa branca, cabelos pretos, lábios rosados e seu fiel e fofo cachorrinho junto.

Eu dei uma de indiferente na frente da Ruby, mas assim que ela dormiu fui pesquisar mais sobre o fotógrafo. Sei que ela já tinha uma prévia em sua mente de que isso aconteceria, sou uma pessoa muito curiosa e como consequência quero aprender, conhecer tudo.

Devo ter visto mais de vinte auto retratos dele e mais de dez fotografias que ele tirou. Agora eu entendo como as adolescentes na cafeteria ontem se sentiam, ele é fantástico, ao olhar a fotografia é possível sentir uma paixão pelo trabalho realizando, uma paixão pelo que faz. Não é por causa de fama e dinheiro mas sim pela paixão pela profissão. Os melhores profissionais são aqueles que realizam o trabalho por amor a ele e não pelo dinheiro e reconhecimento.  Quero poder transmitir esse tipo de sentimento por meio dos meus futuros jogos, quero poder trazer a diferença e paixão. Existe diversas maneiras de se fazer a diferença, basta você querer.

— Ruby, anda logo. O tempo não espera. – bato mais forte na porta do banheiro, enquanto escuto a música antes alta, agora ser diminuída.

— Desculpa madame, mas eu estava fazendo o meu show particular. – diz Ruby "desfilando" apenas com uma toalha enrolada em volta do corpo e em seu cabelo.

— A senhora do show particular que marque seu horário para mais tarde. – entro no banheiro para tomar um breve banho.

Uma blusa xadrez verde e preta, uma calça jeans escura e o meu famoso All Star branco compõem meu look do dia. Não gosto de ficar me produzindo muito, acaba que no final fico incomodada com a maquiagem e com o penteado diferente. Ruby é totalmente o contrário, ela fica nas saias e vestidos fofos, junto com algum salto ou sapatilha e suas inseparáveis maquiagens, as vez penso que ela poderia ser uma espetacular modelo ou atriz...

— Cada dia que passa eu fico mais impressionada com você. Mesmo usando roupas simples e não passar maquiagem, você fica linda. – Ruby começa a ser modéstia demais enquanto me olha de cima a baixo.

— E eu fico impressionada de como você ainda não está usando um óculos para enxergar direito. – não ligo muito para o quesito aparência e beleza, me sinto bem do jeito que sou e não fico com essas paranóias de tentar parecer bonita. Sou simples e não gosto de chamar atenção, sempre preferi ficar no meu próprio canto.

O céu azulado com o sol brilhando dão a impressão de que o clima vai esquentar, mas nada verdade ocorreu o contrário, o vento está frio e um pouco gelado o que faz com que nossos pelos se arrepieim.

— Por que eu tive que escolher esse vestido justo hoje ? Argh, o céu me enganou! – Ruby está com um vestido de alcinhas  com estampa de algodão doce rosa e azul, enquanto usa uma sapatilha azul bebê. – Estou com inveja de você.

— Por que ? – pergunto enquanto olho a jovem ao meu lado.

— Você nunca passa por essas situações, justamente por não usar saias e vestidos.

— Ah... Me sinto desconfortável com eles, esses estilos de roupa me fazer sentir que estou vulnerável.

— Não vou questionar. Mas em certo ponto faz sentido.

Às aulas foram equilibradas hoje, teve as cansativas e as interessantes. Não encontrei com a Ruby durante o período de aulas mas comecei a conversar com a garota de ontem, descobri que seu nome é Sofia, ela é divertida. Durante todos esses anos de faculdade sendo colega de classe dela, essa foi a primeira vez que conversamos com assuntos diversificados, sobre nossas vidas e sonhos.

— Qual seu maior sonho da vida ? – Sofia pergunta curiosa para descobrir um pouco mais sobre, quem sabe, sua futura amiga.

— Não sei bem , na verdade nunca tive um sonho exato daqueles que é o primeiro que corremos atrás. — fico pensativa depois dessa pergunta.

— Assim não tem graça. Sempre temos algum sonho que é maior do que os outros, aquele sonho. Mesmo que não sabemos ao certo, sempre temos esse sonho, ele só não foi encontrado dentro de você, ainda. – Sofia e suas lições de vida, ela daria uma bela psicóloga...

Estamos andando em direção a saída da universidade, onde nós separamos, cada uma segue o lado oposto da outra.

Agora o clima já não está tão frio. O céu continua azul e o sol está mais intenso se localizando no "centro" da imensidão azulada. Durante todo o percurso até a cafeteria me veio em mente os recentes sonhos que tive, neles é como se eu estivesse conversando com minha, aparentemente, avó mas eu não a conheci, não que eu me lembre. O mais impresionante é que eu recebo lições de vida dela, e essas lições se encaixam perfeitamente em alguns acontecimentos recentes da minha vida. Está tudo tão confuso. É o que sou capaz de pensar em relação a toda essa situação.

Deixo meus pensamentos de lado, por agora, e observo o transporte público que estou, nem tão cheio e nem vazio. Percebendo que não tinha muita coisa para se ver ali ou pelo menos observar as expressões e ações de alguma pessoa aleatória, voltei minha atenção a paisagem fornecida pela janela do veículo. Prédios altos, lojas com cartazes indicando uma nova promoção imperdível, lanchonetes, sorveterias, às poucas árvores presentes na cidade e o intenso trânsito de todos os dias, essa é minha visão. Aos poucos o veículo vai parando no ponto de ônibus mais próximo, o qual eu tenho que descer para chegar ao trabalho.

Do ponto de ônibus até a sorveteria não é demorado, é um caminho pequeno mas que te dá tempo de refletir sobre algo que está acontecendo na sua vida.

Parando para pensar agora, eu não usei o meu celular a manhã inteira. "Provavelmente deve estar no silencioso".

Quando chegou perto do estabelecimento que trabalho percebo que a placa "fechado", primeiramente não entendo mas depois percebo um aviso pendurado no vidro: " Estamos fechados por motivos pessoais."
Ainda não me dando conta da situação pego meu celular para ver se eles me ligaram para avisar que não abririam hoje.

12 chamadas perdidas.

5 mensagens não visualizadas.

"— Querida Ellie, não abriremos hoje.

— Não se preocupe, você não sairá no prejuízo.

— Tivemos que viajar as pressas para outra cidade. A irmã do Andrew faleceu... "

Depois de ler fico sem saber o que escrevo de volta. O senhor Andrew deve estar muito abalado, pelo que me contou era muito apegado a irmã.

"— Não se preocupe com o meu salário.

— Meus pêsames. Espero que o senhor Andrew fique bem, a senhora também."

Sabendo que não teria trabalho hoje, então voltei para casa com o pensamento solto. Não pensei em nada específico.

Love and Game | Kim TaehyungOnde as histórias ganham vida. Descobre agora