Epílogo

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Janeiro havia chegado com calores de trinta e oito graus. Preocupada, Luana olhava para o sol escaldante que brilhava do lado de fora. Talvez devessem ter diminuído o tamanho do Chá de Fraldas. Assim, ele poderia ser realizado na casa nova de Elisa e não forçariam a amiga, que estava extremamente grande e extenuada, a sair naquela temperatura dos infernos.

Ela se voltou para o ambiente ao redor. Era o salão mais bonito do clube, porque tinha uma parede toda de janelas e portas francesas de vidro, que proporcionavam uma linda vista do gramado e da quadra de tênis. Graças aos céus eles haviam modernizado tudo com um ar-condicionado central e as janelas e portas estavam firmemente fechadas para impedir que todo aquele bafo entrasse.

– Ulalá, Norma! Mas quem é esse pedaço de carne de primeira? – perguntou uma senhora de cabelos vermelhos ao lado de Dona Nonô, apontando para um dos garçons. Ela nem se preocupou com o fato de que falava em alto e bom som para que todos no recinto, inclusive o tal pedaço de carne, a ouvissem. – Elisa finalmente aceitou minha sugestão e convidou todos os boys magia que valiam a pena para virem neste Chá? Eu teria me oferecido para encaminhar os convites pessoalmente, valha-me Deus.

Luana disfarçou um sorriso. Desde que Carmela Carvalho havia chegado e se acomodado na mesma mesa que ela e Dona Nonô, não parou de elogiar os moços que apareciam.

Aquela era bem a avó de Elisa mesmo, pensou Luana quando viu a senhorinha dar uma piscada sedutora para Guilherme, que ficou completamente envergonhado, para diversão de Andressa.

Justamente naquele instante, avistou Fernando aparecer na porta da cozinha do salão. Seus olhos verdes, concentrados em verificar os pratinhos dispostos em cada mesa, pararam quando encontraram os dela. Luana acenou. Ainda não o tinha visto desde que chegou, dez minutos atrás.

Por um momento, esperou que ele lhe acenasse de volta, mas foi em vão. Fernando ficou lá, um tanto paralisado, depois desviou o olhar para a mãe e a avó. Foi então que pareceu mortificado.

Luana o assistiu endireitar a postura e vir na direção da mesa delas, como se estivesse prestes a enfrentar uma batalha.

Antes que ele chegasse, porém, Dona Nonô falou:

– Mãe, a senhora fica aqui com a amiga da Elisa que eu vou lá na cozinha ajudar o Fernando. Você não se importa de lhe fazer companhia, não é, Luana?

Ao entender que a pergunta era para ela, Luana se aproximou mais da mesa e respondeu:

– Claro que não me importo, Dona Nonô. Vai ser um prazer.

Mas Dona Nonô nem chegou a ouvi-la. Simplesmente girou nos calcanhares e alcançou o filho no meio do caminho, interceptando-o. A cara de desespero dele chegou a ser engraçada.

Os olhos verdes de Dona Carmela se desviaram das pessoas ao redor e se concentraram em sua nova companhia.

– Então quer dizer que você é uma das amigas da minha neta.

Luana se mudou para uma cadeira mais próxima, a fim de poder ouvir e ser ouvida pela senhora.

– E do seu neto também, senhora Carmela.

– A Senhora está no Céu, criança. Chame-me apenas pelo nome. – Ela franziu as sobrancelhas ruivas e continuou avaliando-a. – Alana, não é mesmo? Soube que ajudou a fazer a minha neta namorar o Marcelo.

Luana tentou corrigi-la:

– Meu nome é Luana, senhor... Carmela. E o seu novo neto é o Marco. Mas sim, eu fiz o que pude para ajudá-los.

Carmela não pareceu constrangida de ter trocado os nomes. Também, pudera, que idade ela teria? Setenta? Oitenta?

– Não gosto muito de me meter no relacionamento alheio, querida. Afinal, acredito firmemente no livre arbítrio e que cada um deve ter a liberdade de estar ou não com alguém. Ainda me espanta a Elisa se prender assim, mas é a vida dela, fazer o quê. Eu não trocaria muitos por um só, principalmente para o resto da vida. E você, querida? Também é comprometida e por isso vê corações e flores para os outros? Ou é sensata e prefere curtir cada sabor masculino que a vida lhe dá?

Meu Adorável AdvogadoWhere stories live. Discover now