5. Você me toca na epiderme da alma. (Jade e Mike)

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[JADE]

Quando voltei para a sala, Mike estava abanando o ar com as mãos, em um gesto para dizer que nada era preciso. Mas, isso contradizia o recado do volume no seu jeans. Ele queria, sim, pensar em caras gatos e relaxar também. Eu tenho certeza que essa é a coisa mais maluca que já fiz na vida e, mesmo assim, quero realizá-la. Não é uma questão de conquista. Não há como ganhá-lo, quando já está do meu lado. É só uma gratidão, um desejo de lhe servir. Não posso explicar, mas, no fundo, eu tenho uma vontade muito estranha de que ele me deva a mesma gratidão, que dependa de qualquer forma de me retribuir. Como se um ciclo de começo e fim infinito se fecha.

Eu deveria estar com medo, com vergonha, com pudor, com receios e dúvidas. Só que Mike sentia tudo isso e mais, andando para trás e esbarrando na mesa de canto. Segurou o abajur a tempo e parecia ver um espírito. Se sou tão inocula, por que teme o veneno, quando ele também o possui?

— Já para o sofá. — Apontei com o queixo e voz firme. Só me acreditei quando me ouvi. Eu parecia assumir uma estranha posição de dominância que nem era tão comum. A curiosidade sobre mim mesma me moveu a acompanhá-lo em suas costas.

— Ok, uma massagem, pode ser. — Virou de frente e colocou as mãos na cintura, ditando as regras. — Mas, não vamos fazer nada do umbigo para baixo, porque eu realmente sinto nojo.

— No-jo — repeti a palavra, como se ela viesse de uma língua morta, olhei para o lado e depois para Mike.

— Nojo de quê? Eu nem disse como será — empurrei-o de leve no peito para se sentar. Que isso?! Essa pessoa usa uma armadura ou aquela dureza era malhação pesada diária?

Sim, eu queria tirar seu jeans. Porém, não era a ideia deixá-lo adivinhar nenhum próximo passo. O indefinido é a fórmula perfeita do desejo e do prazer. Queremos o que não sabemos ou conhecemos para nos desafiar.

Levantou os olhos para me olhar e lambeu os lábios.

— Para quê essa vela e esse lenço vermelho? Vai fazer um ritual macabro comigo? — Riu tão nervoso que me divertiu.

— Mike, eu não sou o que você quer, o que não quer dizer que você não possa imaginar exatamente a forma masculina que deseja... — Balancei o pote de vidro com vela de massagem de amora. A cera derretia perfumada, virando um óleo quente em torno do pavio. — Somos só eu, você e seu personagem desejado...

— Eu não desejo ninguém agora. Já te falei, não estou namorando nenhum cara. Por que não se preocupa com a festa que tem hoje? Daqui a pouco chega sua roupa, a maquiadora...

— Se chegar, abrirei a porta. Simples. — Apoiei a vela na mesa de centro e ele me seguiu com o olhar.

Eu estava vestida apenas com uma camiseta branca e uma calça de malhar preta, totalmente sem estilo ou luxo.

— Por que a vela? — insistiu com sua dúvida.

— Pra queimar seus pensamentos... — Segurei o lenço nos dois punhos fechados e me senti absolutamente poderosa. Não era nada para mim, por mim, nem para conseguir algo em troca. Era tudo absolutamente em seu nome. Insano isso!

Engoliu em seco, fez um sorriso de quem ia se arrepender e fechou as pálpebras. Isso significa que ele me dava uma chance para aceitar a minha loucura. Isso era demais. Uma concessão que não devia ceder sempre!

Retirou a camisa, após desabotoá-la e eu tentei ao máximo me concentrar que não podia desejá-lo. Porém, a química do meu corpo se confundia com seu cheiro, formas e pelos, provocando ondas entre minhas coxas e eu respirava para relaxar e relaxar. Ele não é gosta de você, Jade!

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