Capítulo Setenta e Três

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Elisa considerou que aquelas últimas semanas foram muito boas. Depois de três dias de carinho e sexo, e de se reconciliar com a mãe, ela e Marco finalmente tinham focado mais a sério na procura por imóveis, fazendo uma lista sobre as vantagens e desvantagens de cada um.

Fábio os estava ajudando, e até foi com eles em alguns dos lugares. Então agora, depois de várias visitas, estavam de olho em duas casas e pretendiam passar em mais uma antes de decidirem.

Marco não tinha certeza de que conhecerem esse último imóvel seria produtivo. Pela foto no site, só puderam ver a fachada da casa antiga, e ela não era animadora. Precisaria, pelo menos, de uma nova pintura, sem falar na avaliação do telhado. Mas tudo bem. Já estava no lucro uma vez que Elisa parou de dizer aqueles "nãos" definitivos para as duas últimas casas, então se queria ver mais uma, não havia problema. Até porque ela foi bem insistente. Interessou-se pelo tamanho do terreno e pela localização, por isso quis conferir o resto logo, sem esperar pela atualização de fotos no site da imobiliária.

– Vocês devem vê-la e descartá-la logo – tinha concordado Fábio, que também torcera o nariz para aquela fotinho de má qualidade.

Se não informaram mais nada a respeito da casa, era porque se tratava de uma bucha das grandes, na opinião do amigo.

Para sorte dele, Elisa decidiu que, desta vez, ela e Marco fariam a visita sozinhos. Não que estivessem dispensando as dicas mais que valiosas de um profissional de arquitetura, mas alguma coisa lhe dizia que aquela visita seria importante.

Ela não ligava muito para esses "feelings", como Fábio os chamava, mas aquela era uma situação especial. Já Marco se sentia derrotado. O "feeling" dele sobre se manterem longe daquele lugar não valia de nada.

– Vai continuar na cama, ruiva? Vamos nos atrasar. Temos que passar na imobiliária ainda, para pegar as chaves. Já são sete horas, e às nove eu tenho que atender um cliente. – Marco a espiou pelo reflexo no espelho. Não ia perder a manhã para ver aquela casa.

Elisa, porém, abriu um sorriso lento para ele. Continuava na cama, entre os travesseiros, com os cabelos bagunçados e os olhos inchados de sono.

– Já vou levantar. É que assisti-lo se vestir é sempre um prazer. Claro que não tanto quanto despi-lo. – Agora o tal sorriso havia se tornado malicioso, e Marco revirou os olhos.

Ela continuou naquela posição confortável enquanto o observava. Ele ficava muito bonito na calça social cinza e camisa branca. Adorava vê-lo colocar a gravata, os dedos habilidosos faziam o serviço com maestria. Pudera, o homem usava aqueles troços quase com a mesma frequência com que respirava.

– Será que precisamos lembrar o Fábio de que iremos sozinhos desta vez?

Marco terminou de ajustar o nó da gravata.

– Já fiz isso ontem, quando ele me mandou uma mensagem nos convidando para visitar a nova galeria de arte que vai inaugurar lá no centro no final de semana.

– Ah, não, quando se tratam de coisas chatas, ele procura você, por saber que é o único que topa e ainda tenta me arrastar junto. Mas já aviso que desta vez não vou. Uma grávida tem direito a dizer não, ainda mais quando é questão de sobrevivência.

– Mas agora acho que você vai gostar, Elisa. São esculturas feitas com sucata de carros.

Antes de assimilar aquela informação, ela abriu a boca, disposta a continuar negando. Em seguida, parou, franzindo as sobrancelhas ruivas.

Esculturas de sucata de carros?

Pensando melhor, talvez não fosse um programa tão chato assim.

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