Capítulo 3 - A governanta

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Caríssimo herdeiro

Fiquei imensamente honrado em receber uma outra resposta, dessa vez mostrando mais interesse sobre tais criaturas. Atendi a seu pedido, fui atrás de mais informações sobre elas.

Em uma taberna, próximo ao centro de seu vilarejo, pude encontrar homens que se dizem caçadores. Eles me contaram sobre terem subido a montanha de Gilbey atrás de ursos, quando se aproximaram de cavernas viram pares de olhos vermelhos e presas serem mostradas. Disseram que fugiram antes que pudessem ver de fato tal criatura, mas que tinham certeza não serem meros ursos hibernando.

Parece-me que pretendem voltar lá futuramente para ver se encontram novamente tal criatura. Os boatos estão começando a se espalhar, e as mães não permitem que seus filhos fiquem fora de casa quando escurece.

A situação parece piorar, meu caro herdeiro.

Correspondente anônimo

Terceira carta enviada ao filho do conde, no início do outono

Uma visão de uma sombra e duas cartas, sendo que apenas uma delas estava em sua posse. E isso já era o suficiente para incomodar seus pensamentos. O que deveria fazer, além de procurar pelas oito cartas restantes? Isso lhe renderia uma boa nota em sua tese, além de deixar o proprietário do castelo feliz por encontrar a fonte de toda a lenda. Isso lhe garantiria turistas.

Mas isso já era algo além de se imaginar. Precisou admitir para si mesmo, estava muito interessado em saber mais sobre aquelas cartas. Até que ponto aquela história de vampiros chegou?

Durante o café da manhã no dia seguinte, Christopher ficou a observar seus amigos novamente. Só por precaução, para o caso de aquilo tudo for uma brincadeira. Mas seria ainda mais divertido se eles também procurassem com ele. O que se mostrou uma grande ideia.

A toda tentativa do rapaz de se aproximar dos demais se mostrou falha. Era um correndo para o banheiro – quando este estava livre – era outro procurando material em meio a pequena bagunça, ou então escrevendo algo.

- Declan me diga o que acha disso – Abordou o colega lhe mostrando o plástico com a segunda carta.

O rapaz de rosto sério desviou sua atenção para a carta. A segurou com cuidado e leu seu conteúdo, ficando surpreso de imediato.

- Onde encontrou isso?

- Naquela estante perto da janela, no escritório que fomos ontem.

- De primeira, encontrou isso? – Olhava com desdém com o dar de ombros de Christopher.

- Eu estava catalogando os livros, e isso caiu quando peguei um exemplar.

- Mostrou ao professor?

- Ainda não, pensei que era alguma brincadeira. – Notando o olhar curioso do rapaz mais alto, Christopher olhou para seus amigos que estavam conversando com Leopold – Eles têm o hábito de tentar me assustar, então...

- Infelizmente não temos internet boa o suficiente a essa hora – Declan ajeitava a caneta atrás da orelha, se encostando na cadeira ao cruzar os braços – não tem como compararmos com outra carta já que não a temos.

- Fiz uma breve comparação com a foto anexo que o professor deixou na pasta – Christopher puxou a cadeira e se sentou.

- Ham? Que foto?

Observou a fisionomia ainda séria de Declan soltando um suspiro. Estava ficando louco em seu segundo dia de expedição? Como poderia. Se levantou de imediato e foi até sua mochila – largada na porta de seu quarto – pegando a pasta em questão. Entregou a foto para o colega, tornando se sentar para ver a expressão surpresa novamente.

{Degustação} O Conde - A lenda das dez cartasWhere stories live. Discover now