Capítulo 2 - Os quatro escolhidos

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Caríssimo herdeiro

Fiquei imensamente honrada em receber sua resposta, demonstrando tamanho interesse sobre o que eu tenho á te contar. Acredito que o medo não o tornará um péssimo conde, e muito menos terá dificuldades perante a sociedade, mas imagino que o senhor se importe muito com tais detalhes.

Pois bem, as criaturas a qual me refiro foram descobertas recentemente. Não se sabe muita informação a respeito já que ninguém ousou encontrá-los para voltar e nos contar histórias. Minhas informações são precárias e baseadas somente em documentos que consegui ver, e acredite, meu caro senhor, não são muitos.

O que de fato sei é sobre eles terem uma sede insaciável por um determinado líquido, muitos documentos dizem ser o sangue humano. Sendo assim fique atento a arcaria dentária, procure por presas grandes e bem afiadas.

No mais é somente isso o que tenho, caso deseje posso ir em busca dos documentos novamente para me recordar dos detalhes, e repassá-los ao senhor na próxima carta.

Um correspondente anônimo

Segunda carta, enviada cinco dias após a primeira, ao filho mais velho do conde

Com o resultado da prova divulgado, os rumores no curso aumentavam em volta dos quatro rapazes que foram escolhidos. A mulher de olhar negro e gélido, e os cabelos escorridos ajeitados em um rabo de cavalo, observava atentamente um grupo de estudantes que estavam conversando. Mesmo que o horário da manhã enchesse o campus de humanos, isso não impediu que a mulher continuasse escondida atrás de uma parede.

Sua intenção era saber quem eram os escolhidos, e averiguar se tudo estava ocorrendo de acordo com o plano. Ao ouvir sobre os rapazes residirem a república que ficava próximo à universidade. Não esperava encontrá-los todos juntos, apesar de isso ser ideal, ansiava apenas ver seus rostos. Ao escutar mais um pouco entre os estudantes, soube que na república os alunos compartilhavam um refeitório. Seria o refeitório o primeiro lugar que os procuraria.

Para isso teve de esperar o pôr-do-sol para poder seguir caminho pelas sombras, sem ser notada. Caso fosse pega pelos raios solares, seu corpo iria queimar a ponto de se tornar pó. Sem falar na dor que sentiria. Para a conveniência, a república se encontrava em um canto do campus da universidade, próximo do bloco onde os estudantes de arqueologia frequentavam.

Procurou pela sala que funcionaria o refeitório. E ao encontrar a mesma ainda vazia, observou a janela. Haveria uma árvore alta e folhosa o suficiente para se sentar ali. Além disso, sua audição era aguçada, não atrapalhando em descobrir quem eram os escolhidos.

Quase dera a volta em toda a universidade para chegar na segunda entrada no pequeno prédio. O que lhe facilitava eram o jardim repleto de árvores que forneciam sombras. Já tivera esperando o sol baixar, e mesmo assim haveria alguns raios que impediam seu caminho. Assim, conseguia se esgueirar até arvore e se sentar em um galho para ficar observando os alunos.

Como era esperado, os alunos entravam e se preparavam para comer. Parecia que o assunto do momento seria a excursão, e o misterioso local, onde os quatro sortudos seriam levados. Um singelo sorriso despontou de seus lábios ao notar que até mesmo pessoas desconhecidas, pareciam intrigadas com o mistério que aquele lugar emanava.

Ficou sentada observando a sala se encher esperando que algum escolhido entrasse. Tão breve um rapaz alto de cabelos encaracolados bagunçado, de fisionomia séria entrava na sala recebendo vivas de seus colegas. Apesar de sua bela aparência a fisionomia emburrada permaneceu no rosto, notou que ele parecia indiferente com a alegria dos demais alunos.

{Degustação} O Conde - A lenda das dez cartasWhere stories live. Discover now