Capítulo 1 - Dia de prova

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Caríssimo herdeiro

Imagino que receba dezenas de cartas, ou até mesmo chegara a ouvir coisas parecidas, mas creio eu que deveria saber de algo que poderia lhe ser útil. Está a correr um grande perigo, pessoas que te cercam não são de total confiança, não poderá contar com ninguém além de si mesmo, para que seja forte em combater tal criatura.

Sim criatura, não há nada humano em sua volta, meu caro herdeiro. Existem muitos mistérios que envolvam o nosso mundo, e ouso dizer que dividimos o nosso ar com criaturas das trevas. Não se acovarde e seja forte, peço imensamente para que redobre sua atenção para com quem ama, em especial seu querido pai. Sim ele está em imenso perigo, sempre esteve desde a chegada da \\\\\\.

Posso te passar quaisquer informações caso queira, apenas coloque o envelope abaixo da fruteira na cozinha, e prometo ser de grandiosa ajuda para o que precisar.

Um correspondente anônimo

Primeira carta enviada ao conde das cartas, \\\\ seria o espaço para um nome

Tal espaço estava borrado e ilegível.

A noite estava gélida mesmo para o inverno no hemisfério sul. Ainda que não nevasse, a baixa temperatura era o suficiente para fazer as pessoas irem para suas casas e deixar as ruas silenciosas e vazias.

Era o momento perfeito para uma criatura da noite.

Andar sobre os telhados das casas, apreciando o som do vento que percorria entre as construções lhe garantia a atenção necessária para perseguir uma presa. Quão fácil seria pegar humanos desprevenidos?

Quem seria a próxima vítima? Talvez a mulher que usava um casaco vermelho elegante e saltos altos pretos e finos. Andava distraída com os olhos focados no celular, digitando apressadamente. Já imaginava que o medo faria o sangue correr mais rápido dentro de seu corpo, deixando aquecido e bem concentrado do jeito que adorava. Era perfeito.

A criatura esboçara um sorriso malicioso, mostrando as presas brilhantes prontas para o ataque. Saltou do telhado ficando uma quadra atrás da jovem, se escondendo em um canto escuro. Uma pequena e breve brincadeira para deixar a situação divertida.

Ela parou de caminhar no mesmo instante, e ao virar para trás encontrou apenas a rua deserta. Imaginando ter ouvido coisas, tornou a atenção para o aparelho em suas mãos, que vibrava.

Que presa mais tola.

Ao voltar a caminhar, a criatura passou a lhe seguir sem deixar de se esconder nas sombras. Notou que ela estava seguindo um caminho que a levava para perto de outros humanos. Parece que um pequeno improviso poderia ser o suficiente para que a humana escapasse.

Com o tempo curto, tratou de se aproximar das costas da mulher em passos rápidos e silenciosos. Tampou sua boca, usando a mão livre para inclinar a cabeça da vítima e afastar seus cabelos para deixar o pescoço alvo livre. As presas perfuraram a carne e os lábios sugava o líquido vermelho.

Naquela noite, um grito foi abafado.

Em um outro lugar, consideravelmente afastado, uma outra mulher caminhava em passos silenciosos. O frio era indiferente para ela, que mantinha os olhos negros focados em seu objetivo. A sua beleza jovial se contrastava com o brilho do luar. Não era para pouco, a noite sempre enaltecia esse aspecto, em que a escuridão combinava com sua maldição.

Quando se aproximou da construção grandiosa olhou as janelas procurando por seu alvo. Para o seu alívio - ou sorte - não haveria ninguém no prédio. Fora sábia em esperar que os alunos e professores saíssem. Precisava agir rapidamente, estava sem tempo. Por isso se deslocou para aquele lugar por conta própria. Não que estivesse acompanhada de alguém, muito pelo contrário, estava sozinha. E dependia de que tal plano arriscado desse certo.

{Degustação} O Conde - A lenda das dez cartasWhere stories live. Discover now