Capítulo Setenta e Dois

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Os poucos dias que passaram na serra foram de chuva. A previsão do tempo havia enganado Marco, que tinha planos de sair com Elisa em caminhadas curtas pelo hotel fazenda.

Mas tudo bem, eles curtiram um ao outro na cabana, e também passearam de carro pelos arredores. Este período, ao menos, foi de paz. Desligaram o celular de Elisa, portanto Dona Nonô ficaria de castigo até o retorno dos dois, e o principal: não havia William com quem discutir.

Apesar de gato e humana terem erguido a bandeira branca dentro de casa, ainda não podiam se considerar grandes amigos. No máximo, aturavam-se sem muitos protestos.

Porém, como tudo o que era bom durava pouco, Marco e Elisa se despediram de Édson com abraços e promessas de fotos dos gêmeos assim que nascessem, além de uma nova visita assim que descobrissem como pais e filhos conseguiam viajar em harmonia.

O retorno tinha sido tranquilo e, como de praxe, com várias paradas para o banheiro.

Depois de longas horas de viagem, acabavam de chegar em casa, Marco carregando as duas malas e Elisa se arrastando com a barriga, de volta ao lar doce lar. Eles mal tinham entrado na sala de estar quando uma voz muito conhecida irrompeu:

– Finalmente vocês chegaram!

Marco virou para a porta da cozinha, que ainda estava aberta, e encontrou Fernando com uma expressão ansiosa, largando William no chão com uma pressa nada característica.

– Eu tinha avisado que talvez demorasse por causa da chuva e...

Foi interrompido por um abraço do cunhado.

– Estou tão aliviado, agora posso entregar tudo para vocês.

Marco retribuiu o abraço meio desesperado. Coitado do rapaz, parecia um tanto tenso.

– Tudo o que...?

– O William e a...

Foi interrompido por uma voz feminina muito irritada:

– Onde está a desnaturada da minha filha? Elisa, cadê você?

O único pensamento que passou pela mente de Marco foi "putamerda".

Não havia o que fazer. Elisa estava na sala de estar, Dona Nonô na cozinha, e ele, Fernando e William no meio do que viria a ser o fogo cruzado. Correr sozinho e deixar os Carvalho e o gato para trás? Não, pois dois daqueles Carvalho não tinham nada a ver com o rolo e tampouco poderiam correr, visto que continuavam dentro da barriga da mãe. Pegar Elisa no colo e fugir? Ele não possuía tanto preparo físico assim. Talvez, se Fernando o ajudasse... Não, impossível.

Olhando para a sogra, Marco se perguntou se seria muito indelicado de sua parte simplesmente empurrá-la pela porta dos fundos, guiando-a até o andar de cima. Porém, só pela expressão dela, já entendeu que era impossível. Dona Nonô não sairia dali de maneira alguma.

Quem sabe tivesse errado ao desligarem o celular de Elisa? Quem sabe tivesse errado ao pedir para Luana e, consequentemente, o restante dos amigos, falarem com ela?

Portaria, se houvesse pelo menos comentado com a sogra sobre os planos de paz...

Meu Deus, Marco, você é um homem ou um rato? Esta é a pessoa que magoou a mulher que você ama não faz pouco tempo. Use a razão, cara!

Com o tom mais calmo que conseguiu ele disse:

– Dona Nonô, acalme-se, acabamos de chegar.

Mas pelo jeito, sua voz apaziguadora não surtira nenhum efeito.

– Eu não vou me acalmar! Depois de todos esses dias, não me venha com essa de me acalmar!

Dona Nonô contornou Fernando e William, ao que Marco se interpôs entre ela e a entrada da sala. As sobrancelhas ruivas dela se ergueram em surpresa, mas ele falou mesmo assim:

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