Capítulo Quarenta e Seis

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Castiel Almeida

Sinto uma dor de cabeça quase insuportável quando volto a consciência e isso me impede de abrir meus olhos. Solto um resmungo e acabo apertando a mão que está entrelaçada a minha.

- Graças a Deus! - A voz diz baixinho e sei que é Adrian que está ao meu lado.

Com um pouco mais de esforço, consigo abrir meus olhos para logo sentir a claridade do quarto me incomodando.

- Deus, vou ficar cego! - Resmungo e pisco os olhos algumas vezes, me acostumando com a claridade.

Olho ao meu redor e percebo que estou em um quarto de hospital. E após alguns segundos, as lembranças voltam a mim. Arregalo meus olhos e automaticamente minhas mãos vão até minha barriga.

- Amor... - Adrian começa, mas o interrompo.

- O bebê, ele está bem? - Olho em sua direção, aflição pura em minha voz.

Posso sentir meus olhos ardendo, mas seguro minhas lágrimas, colocando na cabeça que está tudo bem.

- Ei, calma! Nosso bebê está bem, se acalma. - Ele diz e suspiro aliviado.

Fecho meus olhos, mas logo me lembro do meu outro bebê, e abro meus olhos assustados.

- Evan? - Minha fala sai mais como uma pergunta e Adrian pega em minha mão, querendo me acalmar.

- Ele também está bem, Cas. Melissa está com ele aqui. - Ele diz com a voz calma e só então me sinto melhor. - Você me deu um susto e tanto, sabia que não era boa ideia ter ido até a Débora. - Sua voz sai séria e reviro meus olhos.

- Eu não fiz nada do que eu queria realmente. Minha vontade era dar uns belos tapas naquela cara plastificada, mas ela ainda não está impune a isso. - Falo e ele balança a cabeça em negação.

- Só se lembre que há uma vida dentro de você agora, então não seja imprudente. - Ele fala olhando em meus olhos e isso me deixa sem fala.

Suas palavras me fazem refletir e eu sei que ele está certo. Eu jamais deixei minha cabeça abaixar para ninguém, mas eu sei que agora devo ser mais prudente com meus atos. Meu bebê depende de mim e ele vem em primeiro lugar.

- Me desculpa! - Sussurro e sinto uma lágrima escorrer por meu rosto, mas logo há uma cachoeira ali.

Tudo volta a minha cabeça como uma enxurrada e só de pensar que Evan quase sofreu por causa de uma louca, fico completamente perdido. Eu não sei se havia mais alguma coisa naquelas coisas que ela mandou a ele, e nesse momento, meu filho poderia estar morto. Tudo por causa de uma pessoa louca, que não aceita levar um "não" como resposta.

Sinto um turbilhão de sentimentos nesse momento e nenhum deles são bons.

Sou pressionado contra um corpo quente e sinto os braços de Adrian passar ao meu redor. Afundo meu rosto em seu peito e deixo toda a minha frustração sair em forma de choro.

- Nós podíamos ter o perdido, Adrian... nosso filho, ele... - Não consigo continuar, pois só de pensar, tudo fica ainda pior.

- Mas não o perdemos e nunca vamos. Débora não vai mais nos atormentar, meu amor, e não ligo de usar meios sujos de mantê-la na cadeia. - Ele diz e sinto sua boca em meus cabelos. - Só não vamos mais pensar nisso, vamos apenas amar nosso filho com ele merece. E vamos também cuidar desse serzinho que está em sua barriga, pois é somente isso que importa.

Concordo com um aceno silencioso e me agarro ainda mais a ele. Adrian está certo, nós devemos apenas seguir em frente e deixar aquela cobra no passado. Mas eu sei que ainda vou ter a minha chance de estar frente à frente com ela, e não como foi hoje.

Cowboy Indomável (Mpreg) - Duologia "Indomável" - Livro 02Onde as histórias ganham vida. Descobre agora