Capítulo Quarenta e Quatro

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Adrian D'Ávila

Meu olhar permanece fixo na quantidade enorme de gado morto no pasto e ainda não consigo acreditar no que vejo. Não é possível que tantos animais tenham morrido de uma causa natural, então minha preocupação aumenta em um nível extremo, tentando imaginar o que houve aqui.

Percebo Antonio se aproximando de mim e em sua face está a mesma perplexidade que eu esboço nesse momento.

- O que aconteceu aqui? - A pergunta sai junto a um suspiro.

- Eu não sei, acordei e vim troca o gado de pasto e 'tava tudo assim. - Ele explica e vejo que está nervoso.

- Porra! - Passo minhas mãos em meus cabelos, em um gesto frustrado. - Já chamou o veterinário? - Pergunto e ele assente.

- Ele já 'tá chegando aí. - Ele responde e assinto com a cabeça.

Me afasto dele e ligo para Castiel, já que ele acabou ficando um pouco nervoso quando saí apressado de casa. Explico a situação a ele, que fica mais nervoso ainda, mas o tranquilizo dizendo que está tudo bem... o que não está. Me despeço a de Castiel após alguns minutos e peço para que ele fique na casa da avó, já que não gosto dele sozinho nesses primeiros meses de gravidez.

Assim que guardo o celular no bolso da calça jeans, vejo o veterinário que cuida dos meus animais chegar. Cumprimento doutor Pedro com um aperto de mão e logo ele vai fazer seu trabalho.

- Me desculpa por isso, senhor... Eu nunca ia imaginar algo assim. - Antonio fala ao meu lado e balanço a cabeça em negação.

- A culpa não é sua, Antonio. Isso está com cara de envenenamento, só não sei quem faria isso. - Falo e tento imaginar alguém que queira me prejudicar, mas nenhum nome me vem a cabeça. Não porque eu não tenha inimigos, acho que todos temos alguém que queira nosso mal, mas é que realmente não consigo pensar em alguém.

- Eu pensei o mesmo, mas não acho que o pessoal aqui faria alguma coisa. Até porque muitos dependem desse trabalho e são pessoas honestas. - Ele diz e concordo.

- Também não acho que seja alguém daqui... É alguém de fora. Só ainda não sei quem, mas vou descobrir. - Solto um suspiro e desvio meus olhos do pasto, pois me entristece ver a cena.

- Eu vou indo, me mantenha informado sobre tudo e peça ao doutor Pedro um laudo urgente sobre a causa das mortes. - Falo e olho na direção de Antonio. - Vou falar com a empresa de segurança e ver as câmaras que tem no celeiro e na entrada da fazenda, talvez a gente tenha alguma coisa.

- Por que alguém faria uma maldade dessas? - Antonio pergunta um pouco perdido e eu não tenho resposta para ele.

- Não faço ideia. - Respondo por fim e ponho meu chapéu na cabeça, andando até onde deixei minha caminhonete.

Nesse momento o que me abala não é nem o prejuízo que vou ter com a perda desses animais, mas sim a crueldade de alguma pessoa, ou pessoas. Não faço ideia de quem quer me prejudicar, mas sei que isso não vai ficar assim.

* * *

Passo na delegacia para registrar um boletim de ocorrência e também na empresa de segurança, que agora eu agradeço a Maurício por ter insistido nisso. E assim que chego em casa, sinto como se uma tonelada estivesse sobre meus ombros.

Abro a porta e escuto barulho de conversas na cozinha, o que me faz seguir até lá.

Cas está de pé em frente à mesa de madeira que há ali e corta alguns legumes, enquanto dona Clarisse mexe em uma panela no fogão. Evan está brincando em um cantinho, rodeado por seus brinquedos e ele é o primeiro a me notar, me direcionando um sorriso com alguns dentinhos.

Cowboy Indomável (Mpreg) - Duologia "Indomável" - Livro 02Onde as histórias ganham vida. Descobre agora