Capítulo Quarenta e Três

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Castiel Almeida

Abro meus olhos em uma rapidez que até eu me impressiono. Observo a penumbra do quarto e quando viro para o lado, vejo Adrian roncando baixo enquanto dorme na santa paz de Deus... Por pouco tempo.

Me coloco sentado na cama e respiro fundo antes de começar a chacoalhar meu noivo freneticamente. Adrian solta alguns resmungos, mas não acorda, o que me deixa irritado. E bem, atitudes drásticas são necessárias, como empurrar ele da cama.

Ouço o baque surdo quando seu corpo se choca ao chão e logo em seguida um chiado de dor.

- Mas que porra?! - Sua voz sai raivosa, e seus olhos estão iguais quando ele me olha. - Está louco, Castiel? - Ele se levanta e me encara bravo.

- Sim e a culpa é sua. - Acuso e cruzo meus braços em cima do peito.

- Ah, minha? E o que eu fiz? - Sua pergunta me faz rir, pois isso é mais que óbvio.

- Me engravidou? - Respondo, mas sai mais como um questionamento. - Mas não importa, eu quero amoras. - Sorrio para ele, que me olha com uma cara de bobão.

Adrian ainda me olha por alguns segundos, até que parece recuperar a capacidade de falar.

- 'Tá! E onde acha que vou achar amoras uma hora dessas da madrugada? Mais precisamente, duas horas da manhã? - Ele diz, assim que dá uma olhada no relógio em cima do criado-mudo.

- Estamos em uma fazenda, amor... Não tem um pé de amoras por aqui? - Pergunto e acabo fazendo um bico involuntário nos lábios. - Eu estou com tanta vontade, até posso sentir o gosto delas... aquelas bem maduras e roxinhas. - Falo e fecho meus olhos por um momento, sentindo minha boca salivar ao imaginar as pequenas frutas suculentas.

- Até tem... na fazenda há quilômetros daqui. - Ele diz e isso me faz abrir os olhos.

Sinto meus olhos arderem e rapidamente lágrimas estão escorrendo por meu rosto. Minhas mãos vão até minha barriga com um pequeno relevo e fungo baixinho enquanto a acaricio.

- Não, pelo amor de Deus... Não chore! - Adrian fala um tanto desesperado e vem até mim, me abraçando e deixa um beijo em meus cabelos.

- Nosso bebê está com vontade. - Falo com a voz embargada e ouço ele resmungar algo que não consigo distinguir.

- Está tudo bem, eu vou até a minha outra fazenda buscar suas amoras. Mesmo que para isso eu tenha que dirigir mais de quarenta quilômetros no meio da madrugada. - Ele diz e isso me faz sorrir.

- Sério? - Pergunto e me afasto dele, vendo ele assentir com um sorriso no rosto.

- Sim, o que eu não faço por meus amores? - Ele responde e deixa um selinho rápido em minha boca antes de se levantar e seguir até o banheiro.

Em dez minutos Adrian já está trocado e saindo de casa para buscar minhas amoras e isso me faz sorrir ainda mais.

Juro que estou com dó dele, mas nosso bebê é quem manda e ele quer amoras.

Acompanho a caminhonete de Adrian sumir na penumbra da noite e entro novamente em casa. E aproveitando que perdi o sono, me deito em um dos sofás da sala e ligo a TV.

Fico completamente sozinho por alguns minutos, até que escuto passos na escada e logo Maurício se faz presente. Ele ainda está passando mais alguns dias aqui na fazenda, aproveitando que suas aulas ainda não voltaram.

- Perdeu o sono também? - Ele pergunta com um sorriso e junta a mim, se deitando no outro sofá.

- Meu primeiro desejo depois que descobri a gravidez. - Respondo e há um sorriso em meu rosto.

Cowboy Indomável (Mpreg) - Duologia "Indomável" - Livro 02Onde as histórias ganham vida. Descobre agora