Capítulo Setenta

366 58 23

Elisa logo reconheceu o trajeto que eles faziam. Era o mesmo que ela já havia feito dezenas de vezes com os amigos e a família, e o que fizera com Marco quando ainda era uma mulher livre, leve e solta.

Marco a levava para a serra.

Em seguida, ela olhou para a barriga e fez uma careta. Agora já não era tão livre, nem tão leve assim. Imediatamente massageou onde um de seus rebentos estava esticando algum dos milhares de membros que pareciam ter.

Tudo bem, pensou. Vai valer a pena perder um pouquinho da liberdade, se eu voltar a ficar leve e continuar solta.

Imediatamente a tensão aliviou.

Nossa, seus filhos eram bem vingativos. E pareciam mais polvos do que dois bebês, com oito pernas cada um.

– Está se sentindo bem? – perguntou Marco, olhando-a de lado, preocupado. O pé pegou mais leve no acelerador.

– Ah, não, MC. Não desacelera. – Ela bateu no ombro dele. – Isso não vai mudar o fato de que tem dois sambistas aqui dentro.

– Vamos parar em uma cafeteria que vi no caminho da outra vez – decidiu ele. – Assim você pode aliviar a bexiga. – Já estava acostumado às vontades frequentes de Elisa em fazer xixi.

Aquele comentário a fez voltar a outra época e ela sorriu.

– Lembra quando fomos ao banheiro juntos pela primeira vez?

Marco, que havia se proposto a tornar aquele passeio uma ocasião romântica e erótica, acabou não sabendo se aquela memória era interessante.

– Como eu esqueceria? – resmungou. – Logo que saímos, Sandro tirou aquela foto maldita e espalhou por todos os grupos que conseguiu.

Era uma cena bem ingrata. Elisa rindo, linda naquele vestido curto, com as pernas compridas e usando salto alto. Ela tinha lhe roubado a gravata, então Marco estava com roupa social e uma bolsinha de lantejoulas embaixo do braço.

Elisa gargalhou.

– Nunca vou esquecer daquele motel. Ainda tenho pesadelos com a cor roxa.

Marco também estremeceu. E fez uma nota mental de mandar uma mensagem para Morgana: nada de roxo no chá de fraldas.

– Nossa, foi terrível. Minha última bebedeira, e com certeza não irei repetir tão cedo.

Ela o olhou de canto.

– Agora estamos meio impossibilitados. Porque se eu não bebo, você também não tem permissão.

Ele estendeu a mão e a espalmou sobre a barriga dela, fazendo um carinho.

– Como disse, minha intenção não é repetir tão cedo. E de qualquer forma, estamos nisso juntos. Quero acompanhar tudo, Elisa. Estou ao seu lado e vou continuar aqui, bem sóbrio.

Como o assunto estava ficando sério demais, e sem querer lhe remetia ao ordinário que jamais foi sequer um terço do homem que queria compartilhar uma vida com ela, Elisa decidiu mudar de assunto. Às vezes, a gravidez a deixava sentimental demais e tudo o que não precisava era começar a chorar agora.

– Gostei da sua escolha de local para darmos uma fugida. Mas, mesmo assim, o meu sequestro foi muito mais prazeroso.

Marco fungou.

– Se eu lembro bem, ele terminou com uma gripe terrível para nós dois.

– Mas eu fiz valer a pena, não fiz?

Ele relanceou os olhos na direção dela e viu sua expressão arrogante.

– Por que está dizendo isso? Acha que eu não consigo fazer um sequestro decente?

Meu Adorável AdvogadoWhere stories live. Discover now